Desafios à atratividade, formação, retenção e avaliação de professores no Brasil

scielo

 

Pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo revisitam publicações nacionais e internacionais que discutem a qualidade dos docentes como cerne da qualidade de ensino e, consequentemente, propõem ações para a melhoria dessa qualidade em três dimensões: atratividade da carreira, formação e retenção de professores. A essas dimensões, os autores somam uma quarta: a avaliação dos docentes, e passam a sintetizar as principais ações que deveriam ser realizadas em cada um desses aspectos no Brasil.

Os autores partem do reconhecimento de que a profissão docente tem atraído uma camada da população com o menor background cultural e econômico e da constatação de que esse é um aspecto a ser equalizado a partir dos cursos de formação. Bauer, Cassettari e Oliveira afirmam que o aumento da atratividade da profissão docente está atrelado “ao aumento dos recursos financeiros alocados no magistério, ou seja, depende de uma consistente decisão de política pública” (p. 948) que busque a melhoria do salário, das condições de trabalho e da aposentadoria.

Em relação às políticas de formação, o estudo aponta que, apesar dos inegáveis avanços em termos de investimento financeiro, pelo governo federal e pelos estados subnacionais, na formação de docentes, a expansão dos cursos ainda é muito desigual no Brasil. Regiões como Norte e a Nordeste ainda enfrentam dificuldades em atender os requisitos mínimos de formação exigidos pela legislação vigente. Nas demais regiões, a expansão dos cursos de formação inicial se dá pelo setor privado, sendo necessário produzir estudos que permitam aquilatar a qualidade de tal formação.

Reter professores, segundo os autores, permanece um desafio. A abertura a formas de contratação precária e temporária de docentes, aliada a pouca atratividade da carreira nas redes públicas de ensino, são fatores apontados como dificultadores da retenção dos formados no magistério. Tais dados são reforçados por pesquisa de José Marcelino Pinto de Resende (2014), que aponta que o foco da política deve ser fazer com que os licenciandos que se formam permaneçam no magistério, já que a quantidade de egressos dos cursos de formação relacionados ao magistério tem sido suficiente. A retenção dos profissionais na carreira do magistério relaciona-se a fatores como o salário, mas também, e fortemente, às condições de trabalho dos professores. Uma das medidas apontadas no texto seria propor ações que permitissem os professores preencherem sua jornada de trabalho em apenas uma escola.

Sobre a dimensão da avaliação, os autores apontam que as iniciativas em voga no território nacional, ainda esparsas, pouco dialogam com as especificidades do trabalho docente, sendo pautadas por critérios presentes em avaliação de funcionários públicos de qualquer setor, tais como assiduidade, pontualidade, etc. Observam que práticas em voga no território nacional não constituem realmente estratégias de avaliação de docentes, mas sim políticas de bonificação, que pouco informam sobre a qualidade dos docentes.

Os dados analisados são provenientes de análise bibliográfica de estudos produzidos no Brasil e no exterior, cujos principais achados foram sistematizados pelos autores e organizados em subitens relativos a cada uma das dimensões analisadas.

Essa organização e mapeamento das principais tendências da literatura especializada permite propor uma agenda de pesquisas futuras para os interessados nas temáticas da atratividade, formação, retenção e avaliação de docentes.

Ver mais em:

 

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/01/17/desafios-a-atratividade-formacao-retencao-e-avaliacao-de-professores-no-brasil/

 

Artigo de :

Adriana Bauera 

Nathalia Cassettarib 

Romualdo Portela de Oliveiraa 

aUniversidade de São Paulo. São Paulo, São Paulo, Brasil.

bUniversidade de Brasília. Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Políticas docentes e qualidade da educação: uma revisão da literatura e indicações de política

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362017000400943&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

 

 

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Autor: Revista Ensaio

A Revista "Ensaio", de nível internacional, constitui fonte de estudo e de pesquisa para todos os que se interessam pela área de avaliação e políticas públicas em educação. Publicação trimestral internacional, da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, com tiragem de 1.500 exemplares, de distribuição gratuita, Ensaio congrega, em seus Conselhos Editorial e Consultivo, educadores internacionais de notório saber, mestres e doutores nas áreas por ela abordadas, para melhor atender à sua especificidade. Avaliada no qualis CAPES como sendo A1 na área de Educação, a Ensaio é uma revista que discute a realidade da educação brasileira, além disso, prima pela amplicação do debate pois abre espaço para que pesquisadores estrangeiros publiquem estudos sobre a realidade educacional de seus países. Trata-se de um veículo de divulgação de pesquisas, levantamentos, estudos, discussões e outros trabalhos críticos no campo da educação, concentrando-se nas questões da avaliação educacional e das políticas públicas em Educação, enfatizando as experiências e perspectivas brasileiras. Ensaio é pluralista do ponto de vista das ideias e das escolas de pensamento, interdisciplinar do ponto de vista das preocupações e metodologias empregadas por seus colaboradores. A revista promove intercâmbio com países da América Latina, México, Espanha, Portugal e a Comunidade de Língua Portuguesa, mantendo também a publicação de artigos em Espanhol e em Inglês. Ensaio tem sido contemplada com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da CAPES/MEC, cumprindo os requisitos necessários para o recebimento de auxílio editoração. Recebeu conceito internacional "A1" na avaliação dos Periódicos Científicos em Educação realizada, em 2013, pelo Quallis/CNPq e é indexada no SciELO - Scientific Eletronic Library Online e na CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades (México, UNAM), BBE, DOAJ, Educ@, OEI, EDUBASE, LATINDEX, REDALYC, SIBE, SCOPUS. Buscando se modernizar e atender aos novos padrões das revistas acadêmicas de excelência, a partir de 2015 a revista Ensaio adotou o sistema de submissão de artigos totalmente online. Para acessar o sistema, os autores deverão se cadastrar no site da revista e escolher um login e senha. Com estes dados em mãos, poderão não só submeter os seus artigos, mas também acompanhar todo o processo de avaliação: http://revistas.cesgranrio.org.br/ A Ensaio também adotou o ahead of print. Esta modalidade agiliza a divulgação das pesquisas, aumentando o tempo de exposição dos artigos, beneficiando diretamente nossos leitores e autores. Os artigos publicados em AOP contam com DOI e ficam disponíveis tanto no nosso site, quanto no site do Scielo até serem destinados a um número específico. Informamos também que a Ensaio continua existindo nos dois formatos, o impresso e o online, e com a mesma periodicidade. A qualidade continua sendo importante para a Ensaio e as melhorias feitas visam contribuir para o objetivo maior do periódico: a ampliação do debate sobre a Educação em tempos difíceis.

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