Escolas do Rio recebem recurso extra para enfrentar evasão de alunos

 

A verba, que será liberada na segunda quinzena de janeiro, varia de acordo com a quantidade de alunos da escola, e vai de R$ 16 mil a R$ 91 mil, somando R$ 27,6 milhões. Serão beneficiadas 445 escolas estaduais, de 28 municípios, além de 340 da rede municipal da capital. De acordo com o ministro da Educação, Mendonça Filho, os recursos serão administrados pelos diretores das unidades, escolhidas segundo critérios técnicos como número de alunos e necessidades da escola.

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Para o ministro Mendonça Filho, escolas bem conservadas e com atividades em turno complementar evitam a evasão.

“São necessidades em termos de pequenos investimentos, tipo uma pintura, muro, parte elétrica danificada. E outra parte é para custear atividades que estendem a carga horária da escola. Dessa forma, a gente combate a evasão escolar, até porque ataca duas causas da evasão: se a gente tem uma escola mais agradável, que acolha melhor os alunos, evidentemente será um ambiente mais atrativo como um todo. De outro modo, atividades que se estendem além das atividades regulares de uma escola são muito importantes para que a gente possa reter o aluno dentro da sala de aula e da escola”, disse o ministro.

De acordo com o secretário de estado de Educação, Wagner Victer, o objetivo é oferecer melhorias nas escolas e atividades extras para que os alunos não abandonem os estudos. “Foram seis meses para escolher as escolas, em função da necessidade de reduzir o processo de evasão. A rede tem 1.249 [unidades], então essas 445 contempladas é um número elevado”.

Artes e esportes

Segundo Victer, além de matemática e português, serão contratados monitores para atividades artísticas e esportivas, como taekwondo, judô, dança, teatro, “quem sabe até uma dança do passinho”. De acordo com ele, os monitores de matemática serão escolhidos prioritariamente entre alunos da rede que foram premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas [Obmep]. “Foram 600 garotos premiados com medalha de ouro, prata, bronze ou menção honrosa. É uma forma de aproximar um aluno de outro aluno que é referência na matéria”.

As atividades lúdicas para cada escola estão em fase de planejamento e os monitores contratados receberão uma bolsa. “Tem o valor estabelecido, normalmente paga ao monitor R$ 130 mais os gastos de transporte e alimentação, mas ainda vai ser definido pelo MEC. Mas é uma oportunidade de um estudante, por exemplo, que esteja fazendo licenciatura em português, estar exercendo como treinamento a sua disciplina, um aluno trabalhando como monitor”, explica o secretário.

Também participou da cerimônia de assinatura da liberação dos recursos, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

 

FONTE: Agência Brasil / Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil
http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-12/escolas-do-rio-recebem-recurso-extra-para-enfrentar-evasao-de-alunos

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Escola municipal mais procurada da cidade tem 42 inscritos para cada vaga

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Crianças fazem fila na entrada da aula da Escola municipal Roberto Burle Marx Foto: Divulgação

Mário Mamed, de 44 anos, quer botar o filho, de 4 anos, na Escola Municipal Roberto Burle Marx, em Curicica, Zona Oeste do Rio. Mas ele não é o único. São 1.270 crianças tentando entrar na unidade, a quarta melhor da rede, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no 5º (nota 7.8) e no 9º ano (6.5), e a que mais teve pedido de matrículas para o ano letivo de 2018.

— Todo mundo fala bem dessa escola. Entra prefeito e sai prefeito e é a mesma diretora que continua. Além disso, quando eu visitei o colégio, ela chamava cada aluno pelo nome. Isso mostra comprometimento. Além disso, a estrutura física é muito boa — diz Mário, que aguarda o resultado da segunda chamada: — Se não conseguir vaga para o Arthur lá, vou botar numa particular.

O problema é que a unidade só tem cerca de 30 vagas disponíveis. A escola começa a receber estudantes no 1º ano do ensino fundamental. São 60 alunos que entram no começo do ano, mas todas essas crianças vêm da creche que fica ao lado, a Maria da Conceição Silveira. As vagas disponíveis, portanto, são de crianças que saíram da escola entre o 2º e o 8º ano por diferentes motivos. A proporção é de que, para cada vaga, há 42 crianças interessadas, em média.

— O Ideb é um indicador público. E graças a Deus os pais têm acessos a esses números, que demonstram a qualidade da Burle Marx. Eu brinco com os pais que eu tinha que construir três andares nessa escola e não conseguiria atender todo mundo. Essa escola vem construindo uma imagem muito boa, o que outras unidades estão fazendo também – diz Mariana Grola, responsável pela 7ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), que administra a área onde fica a unidade: — Todas as crianças que nos procuram conseguem vaga, não necessariamente na escola que escolheu. Mas temos outras escolas boas como a Burle Marx. Eles visitam as unidades e ficam satisfeitos.

Todas as cinco escolas com mais pedidos de matrícula estão na região da 7ª CRE. O Ciep Governador Roberto da Silveira, a Creche municipal Otávio Henrique de Oliveira e o Ciep Professor Lauro de Oliveira Lima, todos em Rio das Pedras, tiveram 1.158, 924 e 793 pedidos, respectivamente. O EDI Medalhista Paralímpico Felipe de Souza Gomes, na Taquara, completa a lista com 779 requisições.

— A região tem muita criança. Rio das Pedras, por exemplo, é um local onde chega muita gente, especialmente do Nordeste. E é uma comunidade que vem ampliando. Essa demanda sempre é muito grande, sempre foi. E as escolas também são muito boas. A população matricula por esses dois motivos: está aumentando o número de pessoas na região e são escolas muito boas — afirmou Mariana.

Os alunos são escolhidos, segundo a Secretaria municipal de Educação, através de um sorteio aleatório.

Qualidade à moda antiga

A diretora Sara de Carvalho Castro, de 68 anos, comanda a Escola municipal Roberto Burle Marx desde a criação, em 2004. Ela se define de modo claro: “ri-go-ro-sa”, soletrando as sílabas. Para ela, o sucesso da unidade de cerca de 600 estudantes vem da educação à moda antiga.

— Sou uma gestora do tempo antigo. Eu mantenho disciplina, um padrão de ensino, do prédio escolar, de limpeza e do sabor da merenda. Eles chegam com 4 aninhos e só saem aos 14. Então, a gente conhece cada família, cada problema de cada aluno. Conhece quem come, se não come porque não está comendo… A gente chama as crianças pelo nome. E eles se sentem acolhidos, o que faz eles estudarem — conta a diretora.

Quase a metade dos estudantes da unidade vem da comunidade Asa Branca, em Curicica. Cerca de 15% moram nos condomínios ao redor, como o Rio II e o Cidade Jardim. O restante vem de diferentes bairros do entorno. A diretora afirma que 85% dos 60 estudantes do 9º ano que se formaram em 2017 conseguiram bolsa em colégios particulares para o ensino médio.

— O nosso foco é prepará-los para o ensino médio. E eu sou conteudista mesmo. Não tem outra coisa: é conteúdo, sim; é matéria, sim. A gente não fica floreando muito porque se colocar muita coisa o aluno se perde. São alunos que me orgulham. Porque o que eu escuto é que eles não são só bons no conteúdo, são educados, sabem falar, e o colégio particular meio que estranha isso da conduta irrepreensível deles. Isso me traz um orgulho enorme porque os colégios chegam a brigar por eles.

Disciplina é fundamental na unidade. No começo do dia, todas as crianças ficam em fila para entrar, em silêncio, nas salas de aula. A professora Sara exige que, neste momento, os professores já estejam em sala para começar a aula. Ela conta que é tão rigorosa com os alunos, quanto com os docentes.

— Eu costumo dizer que eu brigo muito com eles porque eu também brigo muito por eles — diz.

 

FONTE: O Extra / Bruno Alfano
https://extra.globo.com/noticias/educacao/escola-municipal-mais-procurada-da-cidade-tem-42-inscritos-para-cada-vaga-22260689.html