PRESS RELEASE – Pesquisadores refletem sobre heranças e limitações do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro

“Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro: heranças, marcos legais e limites políticos de um órgão do Estado”

Maria Celi Chaves Vasconcelos
Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ,
Programa de Pós-graduação em Educação.
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Nival Nunes Almeida
Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil – EGN/MB,
Programa de Pós-graduação em Estudos Marítimos – PPGEM/EGN.
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.
 

Leonardo Ferreira Peixoto
Universidade do Estado do Amazonas – UEA.
Manaus, Amazonas, Brasil.

Em 28 de abril de 1975 começava a trajetória do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro, órgão normativo e recursal do Sistema Estadual de Educação. Diante dos mais de 40 anos de existência da entidade e sua importância dentro do contexto histórico na construção de políticas públicas voltadas ao aperfeiçoamento do ensino fluminense, Maria Celi Chaves Vasconcelos, professora do programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ao lado dos também professores Nival Nunes Almeida, da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil, e Leonardo Ferreira Peixoto, da Universidade do Estado do Amazonas, produziu um artigo que trata sobre as heranças, marcos legais e limites políticos do CEE/RJ, criado logo após a fusão dos governos do estado da Guanabara e do Rio de Janeiro.

O artigo destaca a constante interferência política sofrida pelo Conselho, especialmente após os anos 2000, quando a instituição sofreu importantes perdas. Tanto de espaço físico quanto de material humano. Apesar de ter sido elevado a órgão oficial do Estado, a legislação ainda não oferece garantias aos membros do conselho. Muito menos autonomia completa, tanto na composição do colegiado, como em qualquer assunto que diga respeito ao órgão normativo da educação fluminense. Os pesquisadores concluem que a trajetória do colegiado é profundamente marcada pela descontinuidade de políticas específicas para este setor normativo, fazendo com que a condição de órgão de estado seja imperceptível no cotidiano e nas proposições que, hoje, regem a educação fluminense.

O trabalho, na íntegra, foi publicado na mais recente edição da Revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação [v. 25, n. 96 (2017)], da Fundação Cesgranrio, do Rio de Janeiro, e na plataforma eletrônica da Scielo (Scientific Electronic Library Online).

O artigo, na íntegra, está acessível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104-40362017000300701&lng=en&nrm=iso

 

FONTE: ABEC

https://www.abecbrasil.org.br/novo/2017/09/pesquisadores-refletem-sobre-herancas-e-limitacoes-do-conselho-estadual-do-rio-de-janeiro/

Igor Medeiros (4toques comunicação)
comunicacao@abecbrasil.org.br

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Press Release – Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares

Maria Celeste Reis Fernandes de Souza
Docente do Programa Pós-Graduação
Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território
Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE,
Governador Valadares, MG, Brasil

 

O estudo realizado pela profa. Dra. Maria Celeste Reis Fernandes de Souza, e concluído em 2015, tem como cenário a Escola em Tempo Integral (ETI), implantada em um município de médio porte para todas as crianças e todos os adolescentes matriculados em uma jornada diária de 8 horas de atividades escolares. Os resultados apresentam uma novidade no debate sobre a ampliação da jornada escolar no cenário brasileiro que é a valorização, por parte dos estudantes, na ETI, das aprendizagens decorrentes das disciplinas escolares, as quais esses sujeitos valoram e atribuem diferentes sentidos. Nos resultados, publicados pelo periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, volume 25, número 95 de 2017, a pesquisa “Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo”, aborda os desejos expressos pelos (as) estudantes de poderem, no tempo integral, aprenderem mais sobre História, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa…  Ao mesmo tempo, o peso conferido por eles e elas a essas aprendizagens expõe tensões no tempo integral entre a racionalidade de matriz cartesiana e a corporeidade.

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FOTO: Arquivo Google

O referencial teórico e metodológico que subsidiou o estudo são as contribuições de Bernard Charlot (2009) sobre a relação com o saber. O material empírico analisado foi produzido por meio do balanço de saber e consistiu na elaboração de um texto sobre a experiência de cada sujeito na ETI.  Os balanços de saber foram lidos como um texto único, e considerou-se que eles trazem um discurso do (a) estudante sobre suas experiências no tempo integral. A análise concentrou nas aprendizagens dos (das) estudantes na ETI, e o que gostariam de aprender no tempo a mais que permanecem na escola.

Os resultados do estudo provocam a reflexão sobre o que se deseja ensinar no tempo integral, “o que se espera que os (as) estudantes aprendam e o acesso ao conhecimento que nomeamos científico (conteúdos de saber, normas, habilidades, encadeamento de determinados conhecimentos, resoluções de problemas, modos de raciocínio, análises textuais, aplicações (ou não) no cotidiano…). O tempo integral é mais uma oportunidade de tratar da especificidade do conhecimento escolar para que ela não fique escamoteada pela discussão, importante, do acesso a outros saberes, espaços e tempos, presente na discussão sobre a ampliação da jornada escolar”.  A temática do tempo integral é o objeto de reflexão deste artigo que apresenta resultados de uma pesquisa, cujo objetivo foi compreender as relações que estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental estabelecem com saber e a Escola em Tempo Integral. A pesquisa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – e foi realizada durante estágio de pós-doutorado realizado pela autora sob a supervisão de Bernard Charlot.

 

Referência

CHARLOT, B. A Relação com o saber nos meios populares. Uma investigação nos liceus profissionais de subúrbio. Porto: Livpsic, 2009.

Para ler o artigo, acesse

SOUZA, M. C. R. F. Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, n.95, pp.414-439. [viewed 2 August 2017]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/s0104-40362017002500483. Available from: http://ref.scielo.org/sq74kw

Link externo

Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielobr/ensaio

FONTE

SOUZA, M. C. R. F. de Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed 11 August 2017]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/08/11/aprendizagens-na-escola-em-tempo-integral-o-peso-das-aprendizagens-escolares/

 

Ensaio 96 – Já disponível no SciELO!

A revista Ensaio 96, A1 na área da Educação, já está disponível no site do Scielo.

Processed with VSCO with hb1 presetNeste número publicamos 9 artigos – sete em português, um em espanhol e um em inglês -, uma página aberta – em inglês -, bem como, um preito, escrito pelo professor Célio da Cunha, em homenagem ao educador Juan Tedesco que faleceu recentemente.

São contribuições de autores nacionais e internacionais que discutem questões de políticas públicas em educação no Brasil, na Espanha e na América Latina.

Boa leitura a todos!

 

Artigos publicados na Ensaio 96:

  • O ensino noturno na Universidade Federal da Bahia: percepções dos estudantes
    Jucilene Dias Maranhão, Renata Meira Veras
  • Darcy Ribeiro e UnB: intelectuais, projeto e missão
    Adelia Miglievich-Ribeiro
  • Programas de formação continuada de professores alfabetizadores: concepções e práticas
    Andrea Tereza Brito Ferreira, Eliana Borges Correia de Albuquerque, Erica Windler
  • Inclusão em educação: processos de avaliação em questão
    Mylene Cristina Santiago, Mônica Pereira dos Santos, Sandra Cordeiro de Melo
  • Percepções docentes sobre avaliação da qualidade do ensino na Educação Superior
    Cynthia Bisinoto, Leandro S. Almeida
  • O Plano de Ações Articuladas e as políticas de formação de professores na Baixada Fluminense: tensões e acomodações
    Sonia Regina Mendes dos Santos, Belmira Oliveira Bueno, Diego Ferreira
  • Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro: heranças, marcos legais e limites políticos de um órgão do Estado
    Maria Celi Chaves Vasconcelos, Nival Nunes Almeida, Leonardo Ferreira Peixoto
  • Necessidades educativas especiais: um lastro conceitual para a educação inclusiva na Espanha
    Alba García-Barrera
  • A representação social da educação a distância sob o olhar dos brasileiros
    Gustavo Guimarães Marchisotti, Fátima Bayma de Oliveira, Alessandro Prudêncio Lukosevicius

    Página aberta:

  • A mão invisível e o ensino superior latinoamericano?
    Claudio de Moura Castro, Juan Carlos Navarro

    Preito:

  • Juan Carlos Tedesco, a urgência de longo prazo
    Célio da Cunha
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EDITORIAL

Sonia Martins de Almeida Nogueira
Editora Associada

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas chega ao nº96, vol. 25, cumprindo seu projeto de oferecer elementos que favoreçam a discussão acadêmica, pretendendo gerar novos debates, e que provoquem a reflexão necessária à abordagem das questões da educação no Brasil e no mundo.

Continuamos a ver em nosso horizonte o mesmo cenário que se desenhou no início dos anos 2000, com os desafios que, embora não tão novos já à época, desde então se apresentam a pesquisadores, professores, decisores e gestores da Educação, apesar da produção científica desenvolvida e das ações políticas implementadas.

Os artigos que compõem este número são contribuições de autores nacionais e internacionais, que, na construção de seus textos, abordam as questões referidas com pluralidade de temas e de orientações e, assim, também de fundamentação teórico metodológica. Isto se revela nos dez artigos deste número, dentre os quais, particularmente, dois tratam da formação de professores, dois da inclusão educacional e três do ensino superior, deixando aos demais textos a amplitude de aproximação de outras questões ínsitas ao campo da educação.

Este número é aberto com o texto de Jucilene Dias Maranhão e Renata Meira Veras e destaca a ampliação de cursos noturnos no ensino superior, a partir do Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais- REUNI, e a consequente expansão de oportunidades para trabalhadores oriundos de camadas populares. Essa forma de ampliação do acesso e sua decorrente democratização são abordadas buscando conhecer as percepções que a clientela alvo tem do ensino superior noturno na UFBA. As autoras entendem que as questões presentes na pesquisa desenvolvida e os resultados encontrados podem servir de instrumento de reflexão sobre os cursos noturnos em plano nacional, considerado o princípio da democratização do acesso.

Em seguida, Adelia Miglievich Ribeiro oferece sua contribuição à história da educação no Brasil, tendo como objeto os intelectuais públicos brasileiros, na perspectiva de seu projeto de nação nos anos 1950 e 1960. Seu texto se constrói a partir de sua pesquisa sobre esses intelectuais, em que revisita a UnB. O estudo se fundamenta na ideia mannheimiana de intelligentsia, que caracterizava os chamados intelectuais públicos, engajados nos projetos de modernização do país, e identifica Darcy Ribeiro como um dos intelectuais que abraçava essa “utopia”, vendo na educação e na ciência suas forças constitutivas.

Por sua vez, Andrea Tereza Brito Ferreira, Eliana Borges Correia de Albuquerque e Erica Windler analisam propostas de formação continuada de professores alfabetizadores, buscando entender as concepções de língua e de formação em se assentam as práticas dessa formação. O estudo abrange dois municípios da área metropolitana de Recife, encontrando orientações diversas nas propostas de formação desenvolvidas pelos municípios alvo. Por entendermos que a questão da formação de professores permanece no spectrum das grandes questões que desafiam o princípio do direito à educação, uma vez que o exercício desse direito demanda, entre outros aspectos, a qualidade do ensino, na qual o professor se identifica como um dos componentes de sua configuração, permitimo-nos assinalar a relevância de estudos nesse campo.

Mylene Cristina Santiago, Mônica Pereira dos Santos e Sandra Cordeiro de Melo são as autoras que, neste número, introduzem o tema da inclusão em educação. Seu trabalho discute dados do Observatório Nacional de Educação Especial no Estado do Rio de Janeiro- OEERJ, identificando as questões do diagnóstico de alunos, das políticas avaliativas em larga escala e das necessárias mudanças nas práticas avaliativas no cotidiano escolar. Destacam a importância do processo avaliativo na construção de propostas pedagógicas. Os dados do OEERJ, em sua amplitude e riqueza, criam o desafio para o prosseguimento de investigações.

A questão da avaliação também é abordada por Cynthia Bisinoto e Leandro S. Almeida, desta vez com um olhar de além-mar, pois a pesquisa ocorreu em três universidades públicas portuguesas, buscando conhecer as percepções dos docentes em relação à avaliação desenvolvida pelos alunos, no que concerne à qualidade do ensino oferecido. Como resultado das entrevistas realizadas são encontradas percepções positivas, mas prevalecem as críticas e destaque de aspectos negativos. Coube aos autores identificar algumas perspectivas em relação ao processo de avaliação e melhoria de práticas pedagógicas.

Sonia Regina Mendes dos Santos, Belmira Oliveira Bueno e Diego Ferreira expõem a questão das políticas de formação de professores ancoradas no Plano de Ações Articuladas- PAR, implementadas em quatro municípios da Baixada Fluminense, RJ. Seu objeto particular são dois programas de formação continuada, o Pró Letramento e o Gestar. Suportados pelos relatórios do PAR e por entrevistas com os gestores, identificaram as formas de operacionalização e caracterizaram a colaboração entre os municípios e o governo federal. Destaca-se nos resultados a questão de que cursos de diferentes formatos, dinâmicas e tempo são condicionadores da efetividade de tais políticas, considerada a especificidade de cada município.

A política educacional se configura, em seus pressupostos, aspectos normativos e conceituais, no seio das ações de órgãos presentes na estrutura administrativa, cujos atos permitem conhecer os pressupostos que constroem a orientação política adotada pelo governo de um determinado ente federativo, embora em preconizada harmonia com o que se estabelece em nível federal. O Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro é um espaço de participação na política educacional, no campo das orientações e normas de organização e administração do sistema de ensino. A análise de sua trajetória neste estudo favorece uma aproximação da questão das relações desse conselho com o poder executivo estadual e remete ao horizonte da política educacional em plano nacional, consideradas as interações entre todos os níveis de governo. Maria Celi Chaves Vasconcelos, Nival Nunes de Almeida e Leonardo Ferreira Peixoto, em seu estudo, põem em foco as heranças e influências dos colegiados que originaram o CEE/RJ e, através de pesquisa bibliográfica e documental, demonstram como esse colegiado foi marcado pela descontinuidade na política.

Alba García-Barrera nos traz um outro olhar de além-mar. Seu texto oferece uma segunda contribuição ao estudo da inclusão, este firmado numa base conceitual, atentando para aos portadores de necessidades especiais na Espanha. Comenta que a formação que atualmente os professores recebem para a atenção à diversidade é escassa e que na titulação para o magistério não consta a especialidade que antes preparava os orientadores educacionais, que julga essenciais ao processo de inclusão. Seu texto relata uma pesquisa junto a professores em atividade e os resultados levam a autora a defender a formação de professores e de orientadores voltada a enfrentar a problemática de uma visão reducionista da diversidade.

A educação a distância é o tema de Gustavo Guimarães Marchisotti, Fátima Bayma de Oliveira e Alessandro Prudêncio Lukosevicious, que nele se detêm num estudo exploratório da representação social, numa perspectiva brasileira. Aplicaram a técnica de Pierre Vergès para o tratamento dos dados. Tendo utilizado conceitos teóricos previamente apresentados para discutir educação a distância, a representação social da EAD foi comparada a esse conjunto de conceitos, para validar o conhecimento e identificar gaps de aprendizagem. As representações identificadas por palavras conduziram os autores a premissas que, uma vez adotadas, acreditam eles poder promover a efetividade do processo educativo que ocorre na EAD.

O ensaio de Claudio Moura Castro e Juan Carlos Navarro, na seção Página Aberta, último texto neste número, se propõe a discutir os pontos fortes e as fragilidades do ensino superior privado na América Latina. Destaca-se neste ensaio a assertiva de que os números sugerem que lucro e qualidade acadêmica não estão correlacionados. No que tange à regulação, os autores defendem a posição de que nem liberalidade total e nem controles pesados produzem os resultados esperados e argumentam sobre a necessidade que as instituições pequenas têm de apoio público.

Este conjunto de trabalhos que compõe este número permite perceber um fio condutor que percorre os artigos e desenha um cenário que oferece elementos para uma reflexão, sem limites, e até mesmo sem fronteiras, propiciadora de novos percursos das investigações.

Acesse a Ensaio 96:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620170003&lng=pt&nrm=iso

 

Confira a Ensaio n. 95!

capaensaio95· EDITORIAL
Gomes, Cândido Alberto da Costa

· A Universidade Aberta do Brasil e a democratização do Ensino Superior público
Hernandes, Paulo Romualdo

· Percurso na educação superior: o ProUni em foco
Felicetti, Vera Lucia; Cabrera, Alberto F.

· Programa educacional especializado para capacitação e inclusão no trabalho de pessoas com deficiência intelectual
Redig, Annie Gomes; Glat, Rosana

· Educação Profissional e evasão escolar em contexto: motivos e reflexões
Figueiredo, Natália Gomes da Silva; Salles, Denise Medeiros Ribeiro

· Programa Um Computador por Aluno: o acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais
Echalar, Adda Daniela Lima Figueiredo; Peixoto, Joana

· Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo
Souza, Maria Celeste Reis Fernandes

· A avaliação no Ensino de Ciências Naturais nos documentos oficiais e na literatura acadêmica: uma temática com muitas questões em aberto
Dantas, Claudio Rejane da Silva; Massoni, Neusa Teresinha; Santos, Flávia Maria Teixeira dos

· Avaliação multidimensional da liderança educacional: chaves para a melhoria da escola
Botía, Antonio Bolívar; Rodríguez, Katia Caballero; García-Garnica, Marina

· Análise dos determinantes de eficiência educacional do estado do Ceará
Gramani, Maria Cristina

· Avaliação das estratégias de educação sexual não formal para as meninas adolescentes: o caso da Tanzânia
Cardoso, João Casqueira; Mwolo, Martha Peter

Acesse aqui

 

PRESS RELEASE: APRENDIZAGENS NA ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL: O PESO DAS APRENDIZAGENS ESCOLARES

Maria Celeste Reis Fernandes de Souza

Docente do Programa Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território – Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE

Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil

celeste.br@gmail.com

O estudo realizado pela Prof.ª Dr.ª Maria Celeste Reis Fernandes de Souza, e concluído em 2015, tem como cenário a Escola em Tempo Integral (ETI), implantada em um município de médio porte para todas as crianças e todos os adolescentes matriculados em uma jornada diária de 8 horas de atividades escolares. Os resultados apresentam uma novidade no debate sobre a ampliação da jornada escolar no cenário brasileiro que é a valorização, por parte dos estudantes, na ETI, das aprendizagens decorrentes das disciplinas escolares, as quais esses sujeitos valoram e atribuem diferentes sentidos. Nos resultados, publicados pela revista Ensaio, pode se conferir o artigo na integra e os desejos expressos pelos (as) estudantes de poderem, no tempo integral, aprenderem mais sobre História, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa…  Ao mesmo tempo, o peso conferido por eles e elas a essas aprendizagens expõe tensões no tempo integral entre a racionalidade de matriz cartesiana e a corporeidade.

O referencial teórico e metodológico que subsidiou o estudo são as contribuições de Bernard Charlot sobre a relação com o saber. O material empírico analisado foi produzido por meio do balanço de saber e consistiu na elaboração de um texto sobre a experiência de cada sujeito na ETI.  Os balanços de saber foram lidos como um texto único, e considerou-se que eles trazem um discurso do (a) estudante sobre suas experiências no tempo integral. A análise concentrou nas aprendizagens dos (das) estudantes na ETI, e o que gostariam de aprender no tempo a mais que permanecem na escola.

Os resultados do estudo provocam a reflexão sobre o que se deseja ensinar no tempo integral, “o que se espera que os (as) estudantes aprendam e o acesso ao conhecimento que nomeamos científico (conteúdos de saber, normas, habilidades, encadeamento de determinados conhecimentos, resoluções de problemas, modos de raciocínio, análises textuais, aplicações (ou não) no cotidiano…). O tempo integral é mais uma oportunidade de tratar da especificidade do conhecimento escolar para que ela não fique escamoteada pela discussão, importante, do acesso a outros saberes, espaços e tempos, presente na discussão sobre a ampliação da jornada escolar”.  A temática do tempo integral é o objeto de reflexão deste artigo que apresenta resultados de uma pesquisa, cujo objetivo foi compreender as relações que estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental estabelecem com saber e a Escola em Tempo Integral. A pesquisa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – e foi realizada durante estágio de pós-doutorado realizado pela autora sob a supervisão de Bernard Charlot.

VII Conversa com o autor: PROGRAMA EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA CAPACITAÇÃO E INCLUSÃO NO TRABALHO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

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Press Release: Análise dos determinantes de eficiência educacional do estado do Ceará

Maria Cristina Gramani, Professora Associada do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. São Paulo, SP, Brasil.
mariacng@insper.edu.br

O Estado do Ceará vem apresentando melhorias significativas no setor da educação desde 2007, tendo já superado as metas de avaliação da educação estabelecidas pelo governo. Nesse sentido, este artigo busca identificar os determinantes de eficiência que levaram este Estado a melhorar seu desempenho educacional.

A educação não pode ser vista como um pilar isolado, fatores socioeconômicos, como saneamento básico, renda, entre outros, possuem uma influência tão ou até mais forte sobre a educação do que fatores diretamente ligados a ela, tais como escolas e professores. O estudo desenvolvido pela pesquisadora Maria Cristina Gramani do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, identificou os determinantes de eficiência educacional dos municípios do Estado do Ceará, que vem mostrando melhoras expressivas no seu desempenho escolar, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A pesquisadora destaca como resultados principais, que os municípios benchmarkings estão aglomerados geograficamente em três clusters, justamente onde se situam os campi do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, e também, que as variáveis gasto per capita, nível de educação das mães e renda per capita são as que mais impulsionam a eficiência destes municípios. Por outro lado, a pesquisadora conclui que o número de escolas com acesso a esgoto sanitário e o baixo número de professores com Licenciatura na área em que atuam, são os determinantes de ineficiência dos municípios cearenses, ou seja, estas podem ser consideradas as variáveis com maior potencial para melhorias.

É importante notar também que, mesmo dentre os municípios considerados benchmarking, a média de escolas com acesso a esgoto sanitário é bastante baixa, de 19,8%.

Nesse estudo, a pesquisadora propõe um modelo de eficiência educacional e, usando a metodologia Data Envelopment Analysis, 172 municípios cearenses são analisados. Neste modelo, que inova por incluir além de variáveis educacionais, também fatores socioeconômicos, foram utilizadas oito variáveis: um input, o gasto per capita e sete outputs relacionados a professores, qualidade da educação e fatores socioeconômicos que influenciam diretamente a educação (como renda, educação materna e acesso a esgoto sanitário).

Diversas melhorias no país vêm surgindo por meio de ações governamentais ou, até mesmo, por meio de ações isoladas de municípios, nesse sentido, o estudo de boas práticas escolares pode auxiliar na identificação de fatores que impulsionam o desempenho educacional.

 Dessa forma, a pesquisadora explora nesse artigo a educação pública no Estado do Ceará, que embora tenha a peculiaridade de ter conseguido avanços nos seus resultados nos últimos anos, ainda possui municípios com fatores socioeconômicos significativamente carentes.

Para ler o artigo na Ensaio, acesse: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104-40362017000200507&lng=en&nrm=iso&tlng=pt