IBGE anuncia pesquisa sobre cultura nesta segunda

Fonte: Ministério da Cultura

Nesta segunda-feira (14), o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e a presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Wasmália Bivar, anunciarão os resultados de uma pesquisa sobre cultura realizada nos mais de 5 mil municípios brasileiros. São elas o suplementos de Cultura da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic 2014) e da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic 2014). O ministro e a presidente concederão coletiva à imprensa, às 10h, na Rua Chile, 500, Rio de Janeiro (RJ).

No dia seguinte (15), os técnicos do IBGE estarão em Brasília (DF), no Seminário Latino-Americano de Informações e Indicadores Culturais, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), para apresentar o estudo.

O seminário, que ocorrerá no Hotel Mercure até a próxima quarta (16), marcará o lançamento do novo Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC) e reunirá especialistas do Brasil e da América Latina para apresentarem experiências de levantamento de dados, construção de indicadores e desenvolvimento de contas satélite para avaliar o papel da cultura no desenvolvimento econômico dos países.

A elaboração e sistematização de dados e informadores culturais é considerada fundamental pelo Ministério da Cultura para o monitoramento e para o desenvolvimento de políticas públicas.

VI Colóquio – UM NOVO ENSINO MÉDIO por ARNALDO NISKIER

Baixe aqui o texto apresentado pelo Professor Arnaldo Niskier durante o VI Colóquio da Revista Ensaio, realizado na manhã desta terça (17), na Fundação Cesgranrio.

UM NOVO ENSINO MÉDIO – Baixe aqui

Música espanhola na Candelária

Fonte: Movimento.com

Violonista espanhol Daniel Casares e Orquestra Sinfônica Cesgranrio tocam na abertura carioca do Festival Mimo 2015.

Na sexta-feira, dia 13 de novembro, às 18h30, acontece o concerto da estreia no Rio de Janeiro do Festival Internacional Mimo 2015, com a Orquestra Sinfônica Cesgranrio – comandada pelo maestro Eder Paolozzi. No cenário neoclássico da Igreja da Candelária, o público vai assistir à vitalidade da música flamenca.

O solista convidado é o violonista clássico espanhol Daniel Casares, que faz a estreia no Brasil da sua primeira composição sinfônica para violão e orquestra, La Luna de Alejandra. A obra foi exibida pela primeira vez em 2014, no pátio de armas do Castillo de Gibralfaro, em Málaga, na Espanha – terra natal de Casares.

O repertório também inclui mais duas obras que remetem à Espanha. A Pavana para uma Princesa Defunta, do francês Maurice Ravel, foi criada em 1899 e remete à pavana, tradicional dança espanhola. O Concerto de Aranjuez, de Joaquín Rodrigo, uma das principais obras musicais espanholas e uma das mais interpretadas em todo o mundo.

“A música espanhola tem uma forte ligação com o nosso imaginário latino-americano. Casares é um grande solista, será uma honra estrear no Brasil e compartilhar com o público esta bela obra criada por ele”, comenta o maestro Paolozzi.

Repertório

La Luna de Alejandra faz sua estreia no Brasil neste evento de abertura do Festival Mimo. O concerto para guitarra flamenca e orquestra é a primeira composição sinfônica do celebrado violonista clássico Daniel Casares. A obra foi exibida ao público pela primeira vez este ano, dia 4 de julho, no pátio de armas do Castillo de Gibralfaro, em Málaga, na Espanha. Criado em homenagem à sua primeira filha, o concerto foi fruto de sua pesquisa e admiração pela obra de grandes autores, além da influência do contato com Cecilia Bartoli, cantora lírica mezzo-soprano italiana.

A Pavana para uma Princesa Defunta (Pavane pour une Infante Défunte) é uma obra musical do compositor francês Maurice Ravel. Composta quando o artista ainda estava no Conservatório de Paris, é classificada com pertencente ao movimento musical impressionista. Devido às suas raízes bascas, Ravel tinha uma predileção especial pela música espanhola. A pavana era tradicional dança espanhola em movimentos lentos, que gozou de grande popularidade nos séculos 16 e 17. A obra, cuja inspiração foi uma tela de Velásquez, foi originalmente escrita para piano e ganhou versão para orquestra em 1910.

O Concerto de Aranjuez, escrito em 1939 pelo compositor espanhol Joaquín Rodrigo (1901-1999), é uma das principais obras musicais espanholas, e uma das mais interpretadas em todo o mundo. Inspirada no belo palácio rococó de Aranjuez e criada para violão clássico e orquestra, a peça alcançou tal êxito que levou ao reconhecimento internacional do compositor. Seu adagio é particularmente popular, e já foi interpretado por diversos nomes da ópera e da canção popular. Cego desde a infância, Joaquín escreveu toda sua prodigiosa obra em braile.

Sobre o solista

Daniel Casares é natural de Málaga, na costa sul da Espanha, no Mediterrâneo. Ele é um dos principais violonistas clássicos da atualidade, além de compositor. Casares combina apuro técnico com criatividade e apresenta um novo flamenco, que respeita a tradição e busca fôlego na fusão com elementos do jazz e da pop music. Tem seis discos lançados que foram bem-recebidos pela crítica e já recebeu diversos prêmios e homenagens, entre eles o ACE Award for Extraordinary Performance in Concert, da Association of Latin Entertainment Critics of New York (2004). Apontado pela crítica como o sucessor de Paco de Lucia, o premiado artista é, aos 35 anos, um dos principais guitarristas flamencos da atualidade e acaba de lançar o sexto CD de carreira, dedicado ao conterrâneo Pablo Picasso, Picassares.

Sobre o regente

Eder Paolozzi é o regente titular da nova Orquestra da Fundação Cesgranrio. Paulista, criado em terras cariocas e com formação internacional, já é um dos principais protagonistas do cenário de renovação da música clássica do Rio. Em julho de 2013, foi premiado no Festival Musica Riva, na Itália, o que rendeu o convite para reger, na Armênia, a State Youth Orchestra of Armenia. Como maestro, atuou também na Inglaterra e Itália, onde regeu a World Youth Orchestra, a Orquestra Reino di Aragón, a Orchestra Giovanile Luigi Cherubini e Salzburg Philharmonic Orchestra. Formou-se em regência, composição e piano no Conservatório Giuseppe Verdi, em Milão, o mais prestigioso da Itália, e, em violino, no Trinity College of Music, em Londres. No Brasil, estudou com o maestro Isaac Karabtchevsky e atuou como maestro convidado em algumas das principais orquestras do país como a Petrobras Sinfônica e as Sinfônicas da Bahia, do Recife e de Porto Alegre. Em 2011, foi convidado pelo maestro Karabtchevsky para trabalhar no projeto Corais da Paz, em escolas do Estado do Rio de Janeiro, até 2012.

Sobre a orquestra

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sociocultural da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil, a Fundação Cesgranrio criou a Orquestra Sinfônica Cesgranrio, que visa oferecer formação musical e artística, proporcionando o desenvolvimento pessoal e criando oportunidades de profissionalização para jovens músicos. O presidente da Fundação Cesgranrio, Carlos Alberto Serpa, ressalta que a Orquestra atuará de maneira itinerante, apresentando-se para crianças, jovens e adultos de diferentes perfis e classes sociais em múltiplos espaços. Desta forma, a Orquestra Sinfônica Cesgranrio pretende contribuir para despertar o potencial artístico dos músicos e das plateias.

Confira a programação completa do Festival Mimo na página do evento.

Serviço:

Concerto de estreia no RJ do Festival Internacional Mimo 2015

Orquestra Sinfônica Cesgranrio

Eder Paolozzi, regente

Daniel Casares, violão

13 de novembro, sexta-feira, às 18h30

Igreja da Candelária (Praça Pio X, s/n, Centro – Rio de Janeiro)

Entrada franca

Prorrogado o prazo de Inscrições do VI colóquio da revista Ensaio

INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ SEXTA-FEIRA, 13 DE NOVEMBRO

FOLDER COLOQUIO INTERNET vale este-page-001

Conheça os projetos do Centro Cultural Cesgranrio: uma conversa com Leandro Bellini

Leandro Bellini teve seus primeiros contatos acadêmicos com a cultura na faculdade de Turismo, na qual se formou no ano de 2001, em Minas Gerais. Hoje ele é pós graduado em Marketing e em Gestão e Produção Cultural com ênfase em Economia Criativa, ambos pela Fundação Getúlio Vargas. Após quase 10 anos trabalhando com Marketing e Turismo fora do Brasil, Bellini chegou à Fundação Cesgranrio em 2011 para ser Secretário de Cultura e um dos responsáveis pela criação do Centro Cultural Cesgranrio (CCC). Sob a premissa de que sem Cultura não existe Educação, os projetos do CCC são orientados por um Conselho de Cultura composto por grandes nomes das mais diversas áreas, como Ana Botafogo para a dança, Christiane Torloni, Jacqueline Laurence e Charles Fricks para o teatro, Myrian Daulsberg e Carol Murta Ribeiro para a música, entre tantos outros. O Conselho, que é presidido pelo próprio Presidente da Fundação Cesgranrio, Professor Carlos Alberto Serpa, também conta com a participação da Secretária de Cultura do Estado, Eva Doris, e do Secretário de Cultura do Município, Marcelo Calero. Atualmente, o CCC desenvolve 27 projetos simultâneos, sendo cerca de 70% voltado para as escolas. Divido em 5 núcleos:

  1. teatro;
  2. audiovisual;
  3. música e dança;
  4. literatura, artes plásticas e visuais;
  5. desenvolvimento sociocultural,

o CCC, em pouco tempo, já se tornou importante referência na cena cultural, não só carioca, mas também fluminense.

Um belo exemplo da importância do CCC para a sociedade fluminense é a Orquestra Sinfônica Cesgranrio (OSC), que estreou há cerca de dois meses no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Sempre buscando aliar cultura e educação, a OSC é uma orquestra-escola. Regida pelo jovem e renomado maestro Eder Paolozzi, seus membros são estudantes de música que tem a oportunidade de desfrutar do cotidiano e estrutura de uma orquestra profissional, antes mesmo de saírem dos bancos escolares. Papel importante também cumpre a OSC no que diz respeito à formação de plateia para a música clássica. Com uma agenda já repleta de compromissos, a OSC tem cumprido importante papel em levar a música clássica a um público pouco familiarizado com o estilo, bem como a espaços nem sempre utilizados para esse fim, como escolas públicas.

O projeto “Música nas Escolas” também tem contribuído de forma positiva para formar, cada vez mais cedo, a plateia fluminense para a música clássica. Foi no âmbito deste projeto que se deu a produção de quatro livros que contam a história da música clássica, privilegiando seus compositores e suas grandes obras. Os livros vêm acompanhados de um CD gravado pela OSC. Cabe ressaltar que este material será distribuído em todas as escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro e será combinado com um programa de capacitação dos professores para usarem plenamente todo o material

O CCC tem se destacado também na criação e distribuição de prêmios para a área da cultura. Em parceria com o Estado do Rio de Janeiro, o CCC concederá o pioneiro “Prêmio Rio de Literatura”.  Na ocasião, serão julgados ensaios e obras de ficção. O prêmio contempla livros publicados e também inéditos. As artes plásticas também merecem atenção do CCC, que prepara, ainda para o segundo semestre de 2015, a segunda edição do prêmio “Novos Talentos da Pintura”, e terá como tema as olimpíadas. Nas artes cênicas, o Prêmio Cesgranrio de Teatro vai apenas para sua terceira edição, mas já se transformou na premiação mais importante do país na área. Premiando os melhores espetáculos encenados na cidade do Rio de Janeiro, já é tradição do prêmio a homenagem a um grande nome dos palcos brasileiros. Depois de Glória Menezes, Tarcísio Meira, Milton Gonçalves e Ney Latorraca, chegou a vez de Nathália Timberg ser homenageada pelo importante prêmio em 2016.

Várias das iniciativas mencionadas até aqui fazem parte do que Leandro Bellini convencionou chamar de “inclusão cultural”, que conta ainda com o importante projeto “Teatro nas Escolas”. Desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação da cidade do Rio de Janeiro, o projeto consiste na encenação de uma peça em todas as escolas da rede pública carioca, tendo sempre como temática a principal efeméride do ano. Em 2015 os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, em 2016, as Olimpíadas. O ensino superior também tem sido contemplado com iniciativas desenvolvidas pelo CCC. Belo exemplo é o projeto de apoio ao teatro universitário, o apoio dado ao FESTU (Festival de Teatro Universitário) e o ELIPSE, um projeto que será lançado ainda em 2015 em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura. Trata-se de um programa de incentivo para produção de curtas universitários.

Também o núcleo de produção audiovisual vem realizando projetos de grande destaque, entre eles a produção de uma série educativa chamada de Anos Radicais, cujas gravações da terceira temporada terão início ainda em 2015. Trata-se de uma série que discute, através de excelente dramaturgia, a realidade de jovens estudantes, colocando em pauta discussões fundamentais e pertinentes ao dia a dia das escolas e desta fase da vida. A escolha da profissão, a definição de si mesmo, o papel do professor na era da internet, esses são alguns dos assuntos abordados pela série. Já o núcleo de desenvolvimento sociocultural produz anualmente, no Le Buffet, comemorações festivas por ocasião da Páscoa, das festividades juninas, do dia das crianças e do Natal. As festividades são abertas ao público, são gratuitas e atingem mais de 15.000 pessoas por ano. Este público têm oportunidade de desfrutar de peças teatrais, de intervenções musicais e de um parque de atrações temáticas.

Paralelamente a isso, Bellini destaca outros projetos com os quais o CCC cumpre também seu papel de oferecer serviços à comunidade: seja na forma das oficinas de atores, das oficinas de autores para séries, seja na forma da construção de um teatro para 300 pessoas no bairro do Rio Comprido, onde está localizada a sede da Fundação Cesgranrio. Bairro que tem recebido atenção especial tanto do CCC, especificamente, quanto da Fundação Cesgranrio como um todo. Não podemos deixar de mencionar a importante iniciativa desenvolvida pela Fundação em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro objetivando uma revitalização do tradicional bairro carioca, que no passado teve seus dias de glória mas que com o tempo foi se deteriorando. Neste caso, mais uma vez, educação e cultura, juntas, parecem ser o remédio. E, neste caso, não existe nenhuma contraindicação. Vida longa ao CCC!

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O projeto “Teatro nas Escolas”.
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O projeto “Teatro nas Escolas”
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Arraial Cesgranrio – 2015
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Orquestra Sinfônica Cesgranrio

Não existe educação sem cultura

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Alexandre Machafer, Professor Carlos Alberto Serpa e Décio Coimbra, autor da série Anos Radicais

Nascido em Niterói, Alexandre Machafer logo cedo se mudou para Campos. Aos 19 anos começou a cursar administração, caminho que seria natural para seguir à frente dos negócios da família. Mas Alexandre não estava plenamente feliz. Ao entrar em um teatro, porém, teve a certeza do que queria para sua vida. Queria a vida dos palcos. Queria ser ator. Não hesitou, então, em largar tudo para ir em busca do seu o objetivo. Destino? Rio de Janeiro. Engana-se, porém, quem acha que o caminho percorrido na Cidade Maravilhosa foi fácil. Dividindo-se entre atividades improváveis, como um curso para inspetor de solda, e “personal mobile” numa grande empresa de telefonia celular, Alexandre começou a fazer oficinas para atores. A experiência nas oficinas clareou ainda mais o seu horizonte: não queria exatamente ser ator. Queria a vida atrás das câmeras. Queria ser diretor.

Em breves palavras foi este o percurso de Alexandre Machafer até chegar à Fundação Cesgranrio. Subsecretário de Cultura e Coordenador do Núcleo Audiovisual, tem desenvolvido importante trabalho principalmente na área do audiovisual. Idealizou e dirigiu a 1ª Oficina de Atores Cesgranrio no ano de 2013 e hoje a oficina faz parte do calendário anual da Fundação Cesgranrio. Carro-chefe deste trabalho, a série “Anos Radicais” vem ao encontro do que hoje é um dos principais objetivos da Fundação Cesgranrio: proporcionar ambiência cultural aos jovens brasileiros, uma vez que não existe educação sem cultura.

De autoria de Décio Coimbra, a séria dirigida por Machafer aborda o universo adolescente, retratando as dores e as delícias dessa fase da vida. Lançada em grande estilo em abril desse ano, a primeira temporada é composta por quatro episódios de 25 minutos cada. Uma boa notícia é que outras temporadas virão por aí. Também na esteira do sucesso da primeira temporada de “Anos Radicais”, o Centro Cultural Cesgranrio promove, atualmente, uma oficina de autores que privilegia a capacitação de roteiristas para séries. Alguém duvida que será um sucesso? Vida longa ao Centro Cultural Cesgranrio!

Saiba mais sobre o Centro Cultural Cesgranrio

CULTURA É MÃE DA EDUCAÇÃO

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Por Arnaldo Niskier
Doutor em Educação

Quando se discute o que vem primeiro, se cultura ou educação, logo é preciso esclarecer que vivemos um processo cultural, de que a educação faz parte.  Portanto, a tão decantada diversidade cultural do Brasil levou grandes escritores, como Gilberto Freyre, a proclamar a existência de vários brasis em regiões diferentes.  Não procede a tentativa de implantar um currículo único, na educação brasileira, pois seria perigosa centralização.  Mesmo que se deixasse o percentual de 30% para ser determinado pelos conselhos estaduais de educação (e até os municipais) ainda assim seria uma solução muito pouco democrática.

Não se pode ter saudade do livro único, característica da ditadura Vargas.  Não havia liberdade para os nossos autores, cabendo o indesejável controle ao então Ministério da Educação e Saúde.  Desagradar aos poderosos poderia até dar cadeia.

Hoje em dia, vive-se, nesse  processo, uma espécie de método de redução ao absurdo.  Em virtude da crise econômica, há um nítido movimento, na cultura brasileira, de desnacionalização das nossas editoras, o que coloca o seu comando em mãos predominantemente estrangeiras.  Somos tão ciosos na defesa  dos interesses nacionais, como se vê por exemplo na questão do petróleo, mas no que se  refere a esse problema há um silêncio suspeito.

São esses comandantes que irão proclamar a forma de ministrar ensinamentos aos nossos alunos?  Partindo do princípio de que o livro é um instrumento insubstituível de cultura, especialmente os didáticos, como aceitar passivamente esse modo de alienação?  Seria lamentável que os nossos intelectuais fossem buscar no exterior as  luzes necessárias para elaborar os manuais de língua portuguesa, história e até mesmo matemática, essenciais  à educação da juventude brasileira.

Pode-se afirmar que cultura é a alma do povo.  Os que fazem cultura, como os gregos, estão vivos no tempo e no espaço.  Neste tempo de  predomínio dos videogames, a cultura pode parecer enganosamente supérflua ou até  desnecessária, no planeta cronicamente consumido pela violência e pela fome.  Pode-se afirmar que a cultura é o melhor caminho para combater a violência.  Só ela é capaz de conciliar os espíritos através de um trabalho de aplainamento das divergências sociais, políticas, étnicas e religiosas.  É possível até afirmar que por sua índole essencialmente tolerante – por ajudar o ser humano a conhecer melhor o outro e a respeitá-lo – a  cultura é o melhor instrumento que temos  à mão para o desarmamento de corpos e espíritos, para se viver em ambiente saudável de paz.

A cultura, primeiro estágio da educação, ensina brincando.  Na frase sutil de Selma Lagerlof, sueca que venceu o  Prêmio Nobel de Literatura, “a cultura é o que subsiste quando esquecemos de tudo o que tínhamos aprendido.”  Ou pode-se referir ao poeta T.S. Eliot:  “A cultura pode ser descrita simplesmente como aquilo que faz valer a pena viver.”  Seu objetivo é mais a bondade do que a  beleza, e aí estaremos dando razão ao romancista Somerset Maugham.

Para compreender adequadamente os laços que ligam cultura e educação podemos tomar emprestadas as palavras do pedagogo britânico  Denys Thompson:

“Se quisermos ter uma cultura  popular genuína com suas raízes na sociedade, os meios de comunicação de massa devem continuar a partir de onde a educação, na melhor das hipóteses, termina.  Nenhum grande melhoramento pode ser esperado até que uma educação mais intensa e de melhor qualidade atinja o seu impacto e os meios de comunicação fiquem ao alcance de um público arguto.”

É justamente aí que entra a cultura, como arma de sobrevivência.