A escola como organização ideológica e falaciosa neutralidade do Projeto de Lei “Escola sem Partido”

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No ensaio teórico intitulado “Escola sem Partido” para quem?”, publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 27, n. 102), os autores se opõe à ideia de que o Projeto de Lei (PL) denominado popularmente de “Escola sem Partido” combateria de fato uma determinada forma de assédio ideológico impetrado nas escolas pelos professores. Primeiramente, questionamos a compreensão de ideologia apresentada no texto do PL, amalgamada em torno de uma ideia de neutralidade inalcançável tanto no sistema formal de ensino quanto no próprio mundo social.

Lastreados pelos escritos de Maurício Tragtenberg (1978, 2006), sustentamos que as escolas, como organizações parte de um corpo burocrático estatal, não estão livres de ideologias nem poderiam ser neutras.  Por outro lado, o PL, soçobrado em contradições, se apresenta favorável a uma educação livre, dentre outros, da chamada “ideologia de gênero”; o que, por si só, se engendra numa tentativa de inculcação de um determinado conteúdo que é flagrantemente ideológico.

Em um segundo movimento teórico, sustentamos, a partir da teoria do Estado de Pierre Bourdieu (2014), que essa confluência de lutas e forças em torno do sistema formal de ensino é, também, resultado da disputa permanente de grupos dominantes e dominados, seja pela manutenção seja pela subversão da ordem social. Na esteira deste pensamento, interpretamos que o PL “Escola sem Partido” não é neutro, mas uma tentativa patente de manutenção reacionária de uma determinada ordem societária.

Por fim, defendemos que o PL “Escola sem Partido” representa, na cotidianidade da prática docente, um retrocesso, pois confronta propostas educacionais emancipatórias. Propostas que visam a promover a autonomia e a liberdade de pensamento, para se efetivar, precisam dotar os indivíduos do entendimento sobre as mais variadas orientações sexuais, de gênero e de sexualidade, dentre vários outros. Para tanto, um projeto emancipatório efetivamente comprometido com o desenvolvimento da educação nacional não deveria se dispor a criminalizar docentes por reverberarem temas – como a diversidade – intrínsecos à condição humana contemporânea. Do que precisamos? No caminho oposto, nossa prática deve incentivar este debate, tornando-o mais plural e consistente.

Referências

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IX colóquio 04/04/19- Fundação Cesgranrio. Revista Ensaio convida: “EDUCAÇÃO NO BRASIL: DO TARDIO PROJETO DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL NO SÉCULO XX ÀS CONTRADIÇÕES, INCERTEZAS E ESPERANÇAS NESTE SÉCULO”.

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O ensino médio no Brasil e a reforma proposta pela MP nº 746: entre motivações e proposições

 

A edição da MP esteve envolta em fortes contestações, protestos de intelectuais e especialistas e ocupações de escolas (da educação básica e superior). Durante o seu trâmite para tornar-se Lei, as 570 emendas apresentadas durante o processo de transformação da MP nº 746 na Lei nº 13.415, confirmam que se tratava de uma proposta polêmica.

Nesse contexto, quando perguntado sobre os argumentos que justificaram a edição da MP, pôde-se perceber que a “Exposição de Motivos” do documento procura demonstrar a urgência de uma “reforma do ensino médio” a partir dos seguintes aspectos: (a) os dados do acesso ao ensino médio no Brasil; (b) a sua má qualidade verificada por meio dos resultados dos alunos; e (c) o impacto dessa situação para o desenvolvimento do país. A análise dos dados utilizados em torno desses pontos, apontou para duas reflexões centrais. Uma primeira é que ao diagnosticar a má qualidade da oferta do ensino médio a partir dos resultados dos estudantes em processos de avaliação estandardizadas, negligenciou-se os debates travados com relação a esse tipo de avaliação, considerados como uma possibilidade para diagnosticar a qualidade do ensino, mas não a única, já que estas não considera as condições de infraestrutura das escolas; as condições de trabalho e a carreira dos professores, entre outros aspectos (AFONSO, 2000; BAUER, 2010).

Quanto ao segundo aspecto, dentre as mudanças mais polêmicas instituídas encontraram-se as seguintes:  a afirmação de que o estudante poderá escolher o itinerário com o qual possui maior afinidade, dentre os cinco “itinerários formativos” definidos pela MP, o que parece ganhar o tom de um “canto de sereia”, pois, na verdade, serão os sistemas de ensino que irão definir sobre as opções a serem ofertadas, e estas opções, com certeza, serão condicionadas por um conjunto de variáveis que não foram consideradas adequadamente.

Para finalizar, as autoras questionam se é possível defender o principal objetivo da MP nº 746, incorporado na Lei nº 13.415, com relação à flexibilização do currículo atual. Nesse caso, lembram-nos que esse aspecto do currículo a que se refere a MP nº 746, considerado “excessivamente acadêmico e desconectado da realidade do mercado de trabalho”, foi instituído pelo mesmo ministério e sistematizado por meio das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica, de 2013. Nesse contexto, pode-se concluir que, no mínimo, a MP e, posteriormente, a Lei nº 13.415 revelam-se desconectadas com o debate atual sobre o ensino médio, sobre suas condições efetivas de oferta e sobre as políticas educacionais em vigor.

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2019/02/15/o-ensino-medio-no-brasil-e-a-reforma-proposta-pela-mp-no-746-entre-motivacoes-e-proposicoes/?fbclid=IwAR1nEf1Qc0tHlzZyM-qRmgloyy7wmB6oVS9c9xam9cHYRIUaqdjji6_hFQc

 

Ensino médio

Ensaio no Blog do Scielo

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/

O artigo com o título “A influência do gênero nas salas de aulas de ciências: um estudo com docentes e estudantes de 9.º ano” (OLIVEIRA, REIS, TINOCA, 2018), publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 26, n. 99), apresenta um estudo que pretende dar a conhecer, considerando o gênero, quais as estratégias de aprendizagem preferidas por estudantes e quais as estratégias de ensino desenvolvidas por docentes de ciências.

Embora moços e moças refiram gostar de se empenhar para ter o melhor trabalho, elas parecem preferir um ambiente de trabalho colaborativo, enquanto eles se aproximam da preferência por um ambiente mais competitivo. Simultaneamente, elas procuram, mais do que eles, corresponder ao que é esperado pelas(os) docentes em relação ao papel da(o) estudante. Estas diferenças poderão não resultar de diferenças biológicas entre os sexos, mas dos papéis tradicionais de gênero em que somos socializadas(os). No entanto, tendo em conta que as(os) docentes procuram promover, com frequência, o trabalho colaborativo e ser pouco frequente atribuírem recompensas pela conclusão de uma tarefa, poderemos encontrar uma vantagem para as moças já que elas manifestam preferência por um ambiente mais colaborativo e menos competitivo.

Contudo, os resultados sugerem que não existem muitas diferenças entre gêneros, não se podendo afirmar que as práticas docentes favorecem mais claramente um gênero do que o outro. Assim, na maioria das situações analisadas, registra-se um distanciamento entre as práticas docentes e as preferências manifestadas por moças e moços, aproximando-se as opções docentes de um ensino onde a(o) aluna(o) tem um papel mais passivo e as de estudantes de um ensino onde têm um papel mais ativo.

Tendo em conta os resultados, os autores concluem que se afigura fundamental olhar para as práticas docentes que, continuando distantes das práticas defendidas pela pesquisa em didática das ciências, poderão estar a interferir de forma negativa na aprendizagem, prejudicando quer moços quer moças, afastando-os de percursos nas ciências. Consideram que as(os) docentes são uma peça essencial para, com a sua ação, ajudar a promover, nas(os) estudantes, o interesse por um conteúdo ou o gosto pela aprendizagem em geral (Hidi; Renninger; Krapp, 2004). “As(Os) docentes são os primeiros agentes de mudança na escola, mas têm de contar não só com os condicionalismos exteriores que vão encontrando, mas também com a sua própria história como alunas(os), a maioria produto de um ensino transmissivo”. A sua história condiciona de forma poderosa a prática pedagógica, e esses modelos tornam-se mais significativos na planificação das suas lições do que os modelos das atuais teorias instrucionais (Windschitl, 2002).

Os dados do estudo foram recolhidos numa amostra de 523 estudantes, 289 alunas e 234 alunos, que frequentavam o 9.º ano de escolaridade, e 77 docentes de ciências que lecionavam o mesmo ano de escolaridade, 63 professoras e 14 professores. Para o efeito construíram-se dois questionários, um para docentes e outro para estudantes, com uma estrutura similar para que pudessem ser posteriormente analisados em conjunto.

O estudo apresentado integra uma investigação mais vasta realizada no âmbito de um Doutorado em Educação (da autoria da primeira autora deste artigo), integrado no Programa Doutoral em Didática das Ciências do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, onde se pretende construir conhecimento sobre os estereótipos que docentes e estudantes possuem acerca da influência do gênero na aprendizagem das ciências e sobre o eventual impacto que estes podem ter, para ambos os gêneros, no processo de ensino, no processo de aprendizagem, e na opção por carreiras científicas.

Leia o Press Release completo em:

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/foto 99

V CONAVE 2018 _ 03 a 05 de dezembro de 2018 Bauru -SP

 

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Estão abertas as inscrições para o V CONAVE 2018. Nesta edição o tema “Da Educação Básica à Educação Superior: Avaliação, formação de professores e o direito à Educação” direciona o debate para promoção da:

  • discussão sobre as possíveis articulações entre a avaliação da Educação Superior, a Avaliação da Educação Básica, a formação de professores e o direito à Educação;
  • discussão sobre os resultados das avalições de Cursos de Graduação e de Programas de Pós-Graduação e as suas contribuições e impactos para a melhoria/transformação da qualidade da Educação Básica e de políticas de formação de professores;
  • divulgação e análise dos resultados das avaliações em larga escala e institucionais;
  • divulgação de pesquisas e de grupos de pesquisas sobre avaliação da Educação Superior e avaliação da Educação Básica.

O evento será realizado em Bauru/SP no período de . Os eixos temáticos são:

  • E1. Avaliação em Educação Infantil
  • E21. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Matemática
  • E22. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Linguagem
  • E23. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Ciências da Natureza
  • E24. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Outras Áreas
  • E3. Avaliação em Ensino Superior
  • E4. Avaliação de Sistema e Gestão Educacional

 

Temos a honra de convidá-lo(a) para participar desta edição, submetendo trabalhos nas modalidades Relato de Experiência ou Comunicação Ciêntifica. O sistema de cadastro, inscrição e submissão de trabalhos está disponível em: (http://www.conave-unesp.com.br/cnv/main/)

 

Este é um congresso com com revisão cega, por pares.
Para mais informações, acesse: http://www.conave-unesp.com.br/
Datas Importantes:
– Prazo de Submissão: 07 de Outubro, 2018.
– Prazo de Inscrição: 15 de Outubro, 2018.
– Evento: 03 a 05 de Dezembro, 2018.