Deus e o Diabo na terra da Edição brasileira | por José Luís Bizelli (Unesp) Coordenador Nacional do FEPAE

Se Kronecker tem razão e Deus criou os números, certamente o Diabo criou a estatística e com ela índices. O que quero dizer é que embora índices nos digam muitas coisas, nem sempre nos dizem o que lhes estamos perguntando. O Fator de Impacto pode ter auxiliado a compra das revistas mais usadas quando administradores de uma biblioteca, com parcos recursos financeiros, tiveram que escolher quais coleções de periódicos comprar. Transformar, porém, Fator de Impacto em medidor universal da produção científica é perguntar-lhe algo que ele não pode responder.

Talvez o pecado original que desencadeou a expulsão dos índices do paraíso da confiabilidade tenha sido o fato da humanidade tentar – ou ter a tentação de – representar qualidade através de números estratificáveis. Aperfeiçoamos o controle sobre números, somos capazes de entrecruzá-los de formas impensáveis ou inumeráveis imergindo em um fabuloso Big Data cada vez mais completo e complexo de informações. No entanto, qualquer índice de citação poderia revelar a qualidade de um artigo perdido no mundo dos dados? Não, provavelmente apenas a leitura atenta por pares, dentro de uma comunidade científica específica, poderia fazê-lo.

Não existe vacina ao fato de que o conhecimento está sujeito a saberes e rigores particulares a cada comunidade científica. Sobreviveriam nossas Teses de Doutorado à avaliação forjada dentro do Big Data, pautada em parâmetros globais de cientificidade? Bastaria aceite de revista com Fator de Impacto alto para que ela fosse considerada aprovada, sem a anuência explícita de uma comunidade universitária?

É claro que a ideia de especificidade de ciências não resiste à questão administrativa que estava presente no bureau dos administradores da biblioteca: qual a métrica para atender à distribuição de recursos – nem sempre tão parcos – solicitados por projetos científicos de diferentes comunidades?; ou mesmo, como justificar investimentos realizados – públicos ou privados – sem medir, a posteriori, seus impactos, facilitando procedimentos de accountability, sem os quais poderíamos ser interpretados como socialmente irresponsáveis, corporativistas, regionalistas, provincianos?

Para agravar o debate, hoje, tudo está na rede: a Ciência, as ciências, as métricas científicas, os patrocinadores, as empresas que consomem ciência, as empresas que vivem das métricas científicas, os veículos que difundem os conhecimentos, os cientistas e os cidadãos da aldeia global. Ou seja, hoje, permite-se a ilusão de uma visibilidade global. Ilusão porque os parâmetros com os quais vemos não são globais; não são passíveis de definição colaborativa; não estão disponíveis à reelaboração dos cientistas; estão sujeitos ao mercado a partir de preços fixados. Estamos diante de uma película em preto e branco que pode ser vista em cores segundo padrões estabelecidos por uma companhia de tintas. Diga-se de passagem, a tinta é produzida por abnegados coloristas que retiram seus insumos da natureza – física ou social – e desenvolvem seus produtos não recebendo nada por seu trabalho, a não ser o fato de ter suas tintas reconhecidas na película.

Medidores, avaliação e periódicos

Se esse é o mundo mensurável da ciência, como nos comportamos? Afinal, diga como você me mede que eu te digo como me comporto. Ou seja, se o padrão requerido para uma revista estar bem situada nos índices de produção científica for conter dez artigos por número, dos quais dois escritos em cirílico, dois em mandarim e o restante em qualquer língua desde que não seja inglês, que editor não sairia a buscar artigos em cirílico e em mandarim, vetando trabalhos escritos em inglês?

Todos queremos, honestamente, ter o trabalho produzido por nossas revistas bem avaliado e reconhecido pelo mundo acadêmico, porque revistas científicas – brasileiras ou não – têm peso importante na avaliação da produção de pesquisadores, principalmente daqueles que estão vinculados ao Sistema Nacional de Pós-Graduação. Todos queremos ter um lugar de destaque no Qualis, que por princípio deveria chamar-se Quantis, já que mede cada vez mais procedimentos estatísticos, situação frente a índices dentro de um universo percentual pré-definido, e menos conteúdos.

Ao entrarmos no mundo das avaliações concretas das revistas científicas a partir dos parâmetros que utilizamos na Educação, portanto, é preciso reconhecer que há avanços significativos no documento que a ANPED encaminha à coordenação de nossa área: buscar romper o circuito da competitividade; pensar a avaliação como instrumento formativo e processual; fortalecer os processos avaliativos e as equipes de avaliadores; equilibrar melhor os itens de avaliação; dar visibilidade ao processo de avaliação dando publicidade às fichas de avaliação; dar rigor e agilidade à elaboração do Qualis Periódicos e Livros; garantir a avaliação de início de período, salvo situação extrema; criar uma base de resumos e citações públicas com todos os periódicos brasileiros que permitisse gerar métricas de impacto das publicações; valorizar o trabalho de equipes editoriais e de pareceristas; definir os rumos da internacionalização, discutindo as tendências que se estabelecem no eixo Sul-Sul.

Para continuarmos avançando enquanto editores de periódicos de Educação, parece-me que seja necessário dar ênfase nos dois últimos pontos e questionar fortemente a questão das travas estatísticas dos extratos de avaliação, como forma de substituir a competição pela cooperação.

E o futuro

Tendo chegado do Primeiro Congresso Ibero-Americano de Revistas Científicas, que aconteceu na Cidade do México, de 02 a 04 de maio, na UNAM, poderia dizer que duas diretivas estão no horizonte. Uma de curtíssimo prazo vai ao encontro da produção de um índice mais próximo da Iberoamérica e que deve ser anunciada até o final de 2018. A outra, mais complicada, deve constituir-se como opção para nosso futuro de médio prazo – cinco anos – e propõe que os autores assumam as rédeas da divulgação inicial de seus textos. Em um grande mercado preprint, o papel das revistas científicas seria apenas avaliar e chancelar a publicação. Ou seja, não nos faltam desafios para pensar o futuro.

José Luís Bizelli

Coordenador Nacional do FEPAE

Editor da Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação

Professor da UNESP

 

FONTE: Anped – http://www.anped.org.br/news/deus-e-o-diabo-na-terra-da-edicao-brasileira-por-jose-luis-bizelli-unesp-coordenador-nacional

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O 2º número da Revista Linhas está no ar

É com grande satisfação que divulgamos o segundo número da Revista Linhas de 2018, com o Dossiê “Avaliação e Currículo em Educação Infantil: Diálogos entre Itália e Brasil”.

Desejamos a todos uma boa leitura!

http://periodicos.udesc.br/index.php/linhas/issue/view/635

 

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Ensaio 99 disponível no SciELO

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A revista Ensaio 99, A1 na área da Educação e Ensino, já está disponível no site do Scielo.

Neste número publicamos 10 artigos – sete em português, dois em inglês e um em espanhol -, e um editorial em português.

São contribuições de pesquisadores nacionais e internacionais que discutem questões de políticas públicas em educação no Brasil,  em Portugal e na América Latina.

Confira a Ensaio online em http://scielo.br/ensaio e leia todos os artigos abaixo na íntegra.

editorial

·  Diversidade e controle: dilemas da avaliação e do currículo?
Ana Ivenicki

artigos

·  A influência do género nas salas de aulas de ciências: um estudo com docentes e estudantes de 9º ano
Margarida Oliveira,  Pedro ReisLuís Tinoca

·  Festival de professores como uma forma orientada para a prática de aperfeiçoamento das habilidades dos professores
Elena E. Merzon,  Yury V. SenkoElena V. Salimullina

·  “O que é o bom resultado?” Indagando o sentido da avaliação e suas articulações curriculares
Rita de Cássia Prazeres FrangellaJuliana Camila Barbosa Mendes

·  Diagnósticos da escolarização básica: um confronto de perspectivas
Alceu Ravanello Ferraro

·  Desenho e construção de um instrumento de avaliação da competição matemática: aplicabilidade prática de um julgamento de especialistas
Ramón García Perales

·  O direito à diversidade na via da interculturalidade no currículo escolar
Ana Maria EyngGlaucio Luiz Mota, Mônica Luiza Simião Pinto e Cleumir Sehn

·  As redes da Educação Integral no Distrito Federal sob o prisma da Gestão Escolar
Ivonete Ferreira de Sousa, Ranilce Guimarães-Iosif e Sinara Pollom Zardo

·  O papel dos testes padronizados na política educacional para o ensino básico nos Estados Unidos
Remo Moreira Brito Bastos

·  Políticas Públicas em Educação Superior a Distância – Um estudo sobre a experiência do Consórcio Cederj
Georgia de Souza Assumpção, Alexandre de Carvalho Castro e Álvaro Chrispino

·  Formação do empreendedor social e a educação formal e não formal: um estudo a partir de narrativas de história de vida
Lucimar da Silva Itelvino, Priscila Rezende da Costa, Maria da Glória GohnClaudio Ramacciotti

Acesse a Ensaio online em http://scielo.br/ensaio

Colóquios em Ensaio – VIII Edição

A revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação tem o prazer de convidar para a 8ª edição da série “Colóquios em Ensaio”, que acontecerá no dia 17 de abril, terça-feira, das 14h às 16h, no TEATRO BETH SERPA, da Fundação Cesgranrio, campus Rio Comprido. Na ocasião a Professora Thereza Penna Firme, mediada pela Professora Fátima Cunha, conversará com o público sobre avaliação. Pedimos que a sua presença seja confirmada até o dia 13/04/18 através do e-mail ensaioeventos@cesgranrio.org.br, contendo nome, instituição, e-mail.

Fotos: Cláudio Pompeu
Fundação Cesgranrio

Ensaio convida: VIIIª Edição – Série Colóquios em Ensaio

 

convite e-mail

Thereza Penna Firme

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Foto: Cláudio Pompeu – Fundação Cesgranrio

 

Professora Fátima Cunha

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Foto: Cláudio Pompeu – Fundação Cesgranrio

Educação, formação e pesquisa

A revista Ensaio 98, A1 nas áreas da Educação e do Ensino, já está disponível no site do SciELO.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620180001&lng=pt&nrm=iso

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Neste número publicamos 9 artigos – seis em português, um em espanhol e dois em inglês -, e uma página aberta em português. 
São contribuições de pesquisadores nacionais e internacionais que discutem questões de políticas públicas em educação no Brasil,  em Portugal e na América Latina.

Confira abaixo os títulos de cada artigo com seus respectivos autores. Não deixe de acessar o link do SciELO para ler os artigos na íntegra!

Editorial

• Formar e pesquisar para quê?
Érika Dias

Artigos

• Bases normativas e condições político-institucionais da gestão democrática em sistemas municipais de ensino do estado do Piauí
Raimunda Maria da Cunha Ribeiro e Elton Luiz Nardi

• Formação de professores qualificados: enxugando gelo?
Bruno Teles Nunes

• Formação docente no contexto brasileiro das Instituições Federais de Educação Superior
Ailton Paulo de Oliveira Jr., Martha Prata-Linhares e Acir Karwoski

• Percepções dos educadores sobre a inclusão na educação pré-escolar: o papel da experiência e das habilitações
Paulo César Azevedo Dias e Irene Maria Dias Cadime

• A “realidade” de cada escola e a recepção de políticas educacionais
Rodrigo Rosistolato, Ana Pires do Prado e Leane Martins

• Iniciação Científica Júnior: desafios à materialização de um círculo virtuoso
Adriano de Oliveira e Lucídio Bianchetti

• Percepção dos professores sobre a integração das TIC nas práticas de ensino sobre marcos regulatórios para a profissão docente no Chile
Marcelo Herrera, Daniela Fernández e Roberto Seguel

• Educação do Campo no Plano Nacional de Educação: tensões entre a garantia e a negação do direito à educação
Marilene Santos

• Práticas Educacionais Abertas: uma maneira de aprender além do conhecimento de acesso livre
Andrés Chiappe e Silvia Irene Adame

Página Aberta

• Neurociências e formação de professores: reflexos na educação e economia
Diego de Carvalho e Cyrus Antônio Villas Boas

 

acesse a página da ensaio no scielo
e leia os artigos na íntegra:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620180001&lng=pt&nrm=iso

Ensaio 98 no Scielo!

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620180001&lng=pt&nrm=iso

Formar e pesquisar para quê?

Neste primeiro número de 2018, a revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação apresenta aos seus leitores uma gama de artigos que discutem temas e objetos do campo educacional que são de grande importância para a nossa e para outras realidades.

As pesquisas aqui publicadas buscam expor um conjunto de saberes que visam à disseminação de conhecimentos variados – como formação de professores, gestão democrática do ensino público, educação especial, Prova Brasil, formação de pesquisadores, Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), educação do campo, práticas educacionais abertas e neurociências –, temas cada vez mais complexos e mais pesquisados. Essa multiplicidade de abordagens reforça a pluralidade da Ensaio, linha pela qual a revista tem se pautado e se destacado na área da Educação. Esse destaque foi confirmado com a atribuição de conceito A1 da Capes no último quadriênio (2013–2016), reconhecendo o esforço da equipe editorial e a qualidade dos artigos que publicamos, que visam, sobretudo, colaborar com o debate na área da Educação.

Contudo, vale frisar que este número acabou por convergir com um tópico recorrente nos periódicos da área: a formação. Trata-se de tema transversal nos campos de investigação que tem contribuído para o amadurecimento de pesquisadores iniciantes e também para aqueles já consagrados por seus trabalhos e legados. E uma das maiores questões sobre esse assunto é: em tempos de crise, formar para quê?

Para oferecer respostas e caminhos a esta indagação, a Ensaio apresenta neste número artigos que tratam de diversos tipos de formação, como de professores e de pesquisadores, além da ampliação do currículo para melhorar o trabalho docente. Também são abordadas as formações específicas para os professores que vão ensinar no campo ou que precisam aprender práticas inclusivas para trabalhar com crianças com necessidades educativas especiais. Sendo assim, o assunto tornou-se o fio condutor que une o conjunto de artigos que constituem este número.

E esta não foi uma escolha aleatória. Os textos se alinham à nossa missão de divulgar pesquisas científicas que visem ampliar o debate e a disseminação de ideias na área educacional, assim como “espelham angústias da nossa época e do nosso espaço” (GOMES, 2017, p. 282).

O conjunto de artigos aqui apresentados está em sintonia com a busca de uma melhor formação acadêmica que permita ao professor melhorar em sala de aula, seja no âmbito da Educação Básica seja no âmbito da Educação Superior, ou mesmo em subáreas tão distintas quanto a da Tecnologia da Informação e da Comunicação e a da Educação Especial. Afinal, conforme Paulo Freire (2002), formação, educação e ensino sempre estiveram lado a lado com a pesquisa:

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade (p. 14).

Para ler o texto inteiro confira a Ensaio 98 no Scielo:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620180001&lng=pt&nrm=iso

Érika Dias
Editora Adjunta da revista Ensaio: avaliação e políticas públicas em Educação. Doutora pela Universidade Nova de Lisboa (UNL), Lisboa, Portugal; investigadora correspondente do Centro de História de Humanidades da UNL. Contato: erikadias@cesgranrio.org.br