VII Conversa com o autor: PROGRAMA EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA CAPACITAÇÃO E INCLUSÃO NO TRABALHO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

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VI Conversa com o autor debate construção dos argumentos que fundamentam o PNE

O departamento de Projetos Especiais, liderado pela Professora Fátima Cunha e responsável pela Revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, da Fundação Cesgranrio, promoveu no dia 27 de março, no Teatro Cesgranrio, a VI “Conversa com o autor”. O encontro reuniu os professores Claudia Alvarenga (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Tarso Mazzotti (Universidade Estácio de Sá) para debater com o público o artigo “Análise dos argumentos que apresentam as 20 metas do Plano Nacional de Educação”, veiculado na Ensaio 94.

Segundo os autores, seu estudo objetivou analisar retoricamente os materiais discursivos do Caderno Digital “Conhecendo as 20 metas do PNE”, que apresenta o Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado em 2014. A intenção foi verificar a abordagem dos redatores do caderno, de forma a compreender como os argumentos foram encadeados no texto e o entendimento que buscava incutir na comunidade escolar, responsável pela aplicação prática da lei.

O evento foi aberto pela professora Marília Nogueira, editora executiva da Revista Ensaio. Ela agradeceu a presença do público e passou a palavra aos autores.

A apresentação foi conduzida pela professora Claudia, a qual destacou que o método adotado na confecção do texto, mais do que informar, tinha vistas a atrair, persuadir e estimular o público leitor em favor da adoção das metas propostas:

– Esse caderno é dirigido aos professores e à comunidade que trabalha mais diretamente com os estudantes. Nós examinamos esse material para compreender, nos discursos, o que se diz relevante para constituir um cidadão escolarizado. Analisamos os argumentos que os elaboradores e os redatores consideram mais convincentes, mais persuasivos, que eles julgam de maior influência sobre o corpo docente, no sentido de engajar na execução do PNE. Para isso, é proposta a análise retórica do material discursivo, porque ela permite conhecer os raciocínios que mais influenciam ou que promovem a adesão ou até mesmo a rejeição do interlocutor. Com isso, é possível expor os objetos de acordo, ou seja, o que é compartilhado pelos grupos, além de evidenciar os pontos que são objeto de discórdia e de controvérsia entre quem escreve e quem lê. E, com isso, expõe-se os valores e as crenças, as representações que estes grupos têm acerca da educação escolar. Aqui não cabe dizer se é bom ou se é ruim, se o orador estava mal-intencionado, querendo enganar os professores. Não se trata disso. Nós observamos o discurso para entender de que maneira se conduzem os raciocínios para observar o que tem adesão e o que tem rejeição, ou seja, qual é a disputa de valores e de representações e crenças nesse “jogo”. Até porque esse tipo de documento não tem concordância plena, ele sempre pode ser contestado e desacreditado. A nossa ideia é mostrar que o caderno digital tenta uma estratégia de mobilizar e justificar ainda mais o porquê do Plano – declarou.

O professor Tarso teve participação mais ativa na rodada de perguntas sobre o artigo. Ele mencionou a necessidade de aprofundar a busca pelo desenvolvimento da educação para além da concordância de que se “há de melhorar a qualidade”, sem definir claramente o padrão de qualidade que se almeja:

– Eu queria chamar a atenção para a palavra “qualidade”. Todo mundo sabe o que é, mas é difícil explicar. E, mais ainda, seus desdobramentos: como podemos ampliar a qualidade? Nenhum documento nacional explica isso. Temos que alcançar os níveis do Pisa – por quê? O que nós não estamos discutindo quando se fala de educação é aquilo que define o educando. Nós determinamos o percurso e isso precisa de dinheiro e engajamento, porque precisamos “atingir uma qualidade”. Mas é essa qualidade que ninguém explica. Esse é um dos aspectos de retórica que é importante. Todo mundo concorda com aquilo que é polissêmico, mas ninguém sabe o que está sendo dito. Com isso, ficamos presos em uma disputa quanto ao significado que cada grupo atribui àquilo que está sendo dito – afirmou.

Claudia Alvarenga é Doutora em Educação pela Universidade Estácio de Sá (2016), onde também fez o Mestrado em Educação (2012). Especialista em Docência Superior pela Faculdade Béthencourt da Silva (1999) e graduada nos cursos de Bacharelado em Composição (1998) e Licenciatura em Música (1990) pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Claudia é professora de música no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1998, tendo lecionado anteriormente na rede municipal do Rio de Janeiro e no Colégio Pedro II. Em suas atividades artístico-musicais, destacam-se os trabalhos desenvolvidos como cantora, compositora e arranjadora com temas que abrangem cantos étnicos, uso não tradicional da voz e canto coral.

Tarso Mazzotti é graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1972), mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (1978) e doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (1987). É professor titular de Filosofia da Educação pela UFRJ. Atualmente, é pesquisador associado da Fundação Carlos Chagas, colíder do Grupo de Pesquisa Retórica e Argumentação na Pedagogia e coordenador do Programa de Pós-Graduação da Universidade Estácio de Sá. Tem larga experiência em orientação de mestrandos e doutorandos, atuando principalmente nos seguintes temas: epistemologia, retórica, representações sociais, filosofia da educação, e educação ambiental.

“Conversa com o autor” é uma iniciativa concebida e executada pela equipe de Projetos Especiais que visa promover o constante debate sobre a Educação brasileira. Para isso, convida autores que publicaram seus textos na Revista Ensaio para dialogarem com professores, estudantes, pesquisadores e outros profissionais da área de ensino.

Clarissa Macedo – Assessoria de Imprensa da Fundação Cesgranrio

V “Conversa com o autor”

Aconteceu ontem, dia 29 de setembro, na sala do Conselho da Fundação Cesgranrio, mais uma edição do “Conversa com o autor”. A convidada foi a Professora Amélia Maria Noronha Pessoa de Queiroz, que falou sobre a relevância do Projeto Semear para meninos e meninas evadidos da rede escolar de ensino e sobre a importância deste projeto para a transformação da vida de milhares de crianças cariocas.
Com a fala da Professora Fátima Cunha, editora da Revista Ensaio, o “V Conversa com o Autor” foi aberto a seu público. Em seguida, a Professora Thereza Penna Firme, mediadora do evento, declarando que “se houver magistério, há Brasil” e parafraseando Neil Armstrong ao referir-se ao Projeto Semear como “um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”, introduziu a apresentação da Professora Amélia, que versaria sobre o tema “Educação: construção da identidade, inclusão social e conquista da cidadania”.
A palestrante discursou acerca do Projeto Semear, considerado por ela “um lugar melhor que a escola”, pois tratava-se de um projeto educacional para meninos e meninas que, por escolha própria ou em virtude das circunstâncias familiares e sociais, não frequentavam mais a escola. O projeto foi desenvolvido numa escola-sítio na zona oeste do Rio de Janeiro, em horário integral, e oferecia serviços educacionais, aulas de dança, serigrafia, agricultura, preparando estas crianças para o mercado de trabalho, ao mesmo tempo que prestava assistência social, serviços de saúde e alimentação.
A professora Amélia aproveitou para apresentar ao público Lea Maria dos Santos, diretora da escola; Adelina Santiago, professora de canto; e Celio Luis de Paula Gomes, ex-aluno do Projeto. Reportagens em vídeo foram passadas ao público, porque, segundo Professora Amélia, era “a realidade falando por si própria, ao vivo e a cores”, sobre o Projeto Semear e o projeto Ler pra Valer – que alfabetizou mais de 100.000 pessoas.
Após uma das reportagens, ouvimos Celio, Lea e Adelina Santiago – ex-aluna de Villa-Lobos – relatarem suas histórias de vida atreladas ao Projeto Semear. Por fim, houve um debate entre os participantes. Para concluir, a Professora Fátima Cunha comentou que projetos como o Semear, embora extintos, tiveram forte impacto na vida de muitas pessoas, que até hoje se sentem beneficiadas por esta importante iniciativa.

Inscrições Abertas – Educação: Construção da Identidade, Inclusão Social e Conquista da Cidadania