Ensaio 111

Ensaio 111 no Scielo

Ainda tempos estranhos

Sonia Nogueira

Na esquina do tempo que dobramos em janeiro, não encontramos respostas às perguntas que, cansados, fizemos em dezembro. O que fomos, o que somos e o que seremos têm novos contornos nestes tempos de pandemia, que não acreditávamos que poderia ser tão longo, a nos desafiar desenhando um “novo normal”.Arendt (1998, p. 46), explorando o sentido da política, expõe que: “Tarefa e objetivo da política é a garantia da vida no sentido mais amplo. Ela possibilita ao indivíduo buscar seus objetivos, em paz e tranquilidade, ou seja, sem ser molestado pela política”.

Mas, nas últimas décadas do século XX, a globalização desafiou, e ainda desafia neste século XXI, os quadros de referência da política.Ianni assinala o desenvolvimento da globalização, identifica um mundo sistêmico e explicita: “A partir dos interesses que predominam na economia política mundial, mas influenciando a política e a cultura, desenvolve-se uma crescente e abrangente articulação sistêmica do mundo” (1997, p. 26). Perguntamos, então: como essa articulação influencia a política no mundo?Esse cenário de articulação sistêmica ainda é o igual hoje, apresentando desafios a pesquisadores, professores, decisores e gestores no campo da Educação, promovendo e nutrindo o exercício do diálogo no meio acadêmico, nas associações científicas, no âmbito do sistema de ensino, no interior das escolas, cobrando compromisso e ação do poder público.

Hoje, em tempos de pandemia, em novos contornos, a sociedade e a economia enfrentam uma crise geral, que se manifesta na esfera da vida de cada pessoa, um problema político. Não é um problema local de saúde pública. É um problema de primeira grandeza que aparece em toda a mídia e inquieta, amedronta, estarrece com seus dados estatísticos de letalidade e de incapacidade dos sistemas públicos de saúde de responderem com eficiência à demanda de atendimento aos infectados. E põe em xeque a capacidade dos governantes de promoverem as ações necessárias e urgentes na área de saúde pública.

A saúde é um direito social de todos, garantido pelo artigo 6º da Constituição Federal (BRASIL, 1988), em seu Capítulo II DOS DIREITOS SOCIAIS, Título II, que trata dos direitos e das garantias fundamentais. Mas, também a Educação é um direito social e não pode ser pensada desvinculada da cultura, do meio ambiente, da saúde, do combate à fome, do bem-estar social, da segurança e de outros elementos da complexa estrutura de um Estado. Pensar Educação exige atentar para sua complexidade e, no Brasil, a gestão pública carece de projeto articulados que “se somem, se alimentem, de modo a construir uma engrenagem autossustentável”, como argumenta Mosé (2013, p. 14).

Nos dias atuais, temos os direitos sociais conquistados na Constituição de 1988 sob ameaça. A desigualdade econômica e a desigualdade social, pensando-se nos direitos civis estabelecidos, permitem identificar parcelas da população como: privilegiados; cidadãos “de segunda classe”, que são denominados “cidadãos simples” por Carvalho (2007) e a grande população marginal das grandes cidades, que não se sentem protegidos pela lei e pela sociedade. O que o autor descreveu há duas décadas é a realidade dos milhões de pobres, de desempregados, de analfabetos e de semianalfabetos, de jovens nem-nem (nem escola, nem trabalho), problemas de pobreza e de desigualdade que a democracia política precisa enfrentar.

Esse cenário assinala a dificuldade de nosso sistema político de produzir resultados que promovam a redução da desigualdade e o fim da divisão dos brasileiros em segmentos separados pela Educação, pela renda, pela cor da pele.A Educação ocorre num contexto cultural e social, e não num vazio social abstrato. É preciso atentar para as variáveis que intervêm nesse processo. O que é preciso fazer, então, quando há a constatação das desigualdades no sistema de ensino e é preciso superá-las? Quando a necessidade do isolamento social imposta pela situação de uma pandemia fechou escolas e gerou questões, entre outras, que não se levantavam em relação ao cumprimento do ano letivo com todos os elementos que o compõem, quer no sistema público de ensino, quer no sistema das escolas particulares?Pensando apenas nos alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, constatamos que o período de fechamento das escolas, e consequente adoção do ensino remoto, desvelou a questão da diferença profunda de acesso dos alunos a recursos tecnológicos e educacionais, refletindo as desigualdades socioeconômicas que apontamos. Perguntamos, então: como ficam as questões da aprendizagem? Mas, há ainda as questões da segurança alimentar e o convívio social que as escolas oferecem.

Há um impacto socioemocional que atinge crianças e adolescentes.Voltar às aulas é uma questão urgente que se apresenta nos diferentes planos dos entes federativos como decisão a ser tomada e a reabertura das escolas precisa ser em conjunto com os gestores da saúde pública, mas não apenas com eles, não se podendo ignorar a possibilidade de sucessivos fechamentos. Mas é também preciso deter o olhar no Ensino Superior. Atentar para a amplitude do desafio que se põe.E nesse longo período em que nossas escolas sofreram o abalo do fechamento, poderíamos perguntar: em que passo andaram o pensamento e a razão, que perspectivas se desenharam? O que a herança deixada pelos educadores do século XX poderia nos ter oferecido para pensarmos uma realidade tão diversa? O que a efervescência das ciências sociais e humanas, nestas duas primeiras décadas do século XXI, fez brotar na leitura do mundo?Continue a ler em :

https://www.scielo.br/j/ensaio/a/m6wmfrmj3QvcT8mYmXwzHjP/?lang=pt

Relato de Pesquisa: Professora Rosa Torte fala sobre o Projeto “Apostando no Futuro”: Estudo Avaliativo/2015

Em entrevista à revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Professora Rosa Torte, Doutora em Educação pela Universidade do Minho, fala sobre o Estudo Avaliativo do Projeto Apostando no Futuro.

Revista Ensaio recebe a Revista da Escola de Guerra Naval

Na manhã de hoje, a revista Ensaio recebeu a visita de Elaine Pires e Angélica Ceron, membros da equipe editorial da Revista da Escola de Guerra Naval, para o início de um estágio. A equipe da revista Ensaio dá as boas-vindas e espera que a experiência seja válida para que a REGN aprimore cada vez mais as suas atividades e se consolide como periódico de referência em sua área de conhecimento.

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Base Nacional Comum Curricular na Ensaio

Em outubro de 2015 o MEC tornou público a primeira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Desde então o documento vem gerando debates acalorados envolvendo professores, entidades de classe e ONG’s que se dedicam à educação. No entanto, a preocupação com o Currículo Escolar nada tem de nova. Há tempos os principais educadores do país já demonstram essa preocupação e produzem importantes reflexões sobre o tema. Um belo exemplo é o artigo do Professor Doutor Antônio Flávio Barbosa, que a Ensaio teve o prazer de publicar. Em “Currículo e Gestão: propondo uma parceria”, Antônio Flávio analise a forma como as escolas têm lidado com as incertezas do futuro e sugere o a experiência finlandesa como um bom modelo a ser seguido. Neste sentido, destaca a importância da parceria entre os principais personagens da engrenagem educacional e o papel central que o Currículo tem nesse processo.

Para ler o artigo acesse: Ensaio 80

A Revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação acaba de publicar seu último número

A revista Revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação acaba de publicar seu último número, disponível no site da revista Ensaio eletrônica. Navegue pelo sumário da revista para acessar os artigos e outros itens de seu interesse.

Boa leitura!

Revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação v. 23, n. 89 (2015): Revista Ensaio – Out./Dez.

Sumário

Artigos

Os pais também contam. Validação do questionário “Conhecendo o seu filho, sua filha”: identificação de crianças de 9-10 anos, com altas capacidades / Silvia Libertad Vaca Gallegos,  Beatriz Álvarez-González,Maria Belén Paladines Costa

Cenários do Ensino Médio no Brasil / Silvana Soares de Araujo Mesquita, Isabel Alice Oswaldo Monteiro Lelis

Escola organizada em ciclos: as representações sociais de professores considerados bem-sucedidos / Laêda Bezerra Machado, Jaqueline Andréa Lira Cordeiro Santos

Políticas de ampliação da jornada escolar para o Ensino Médio no Rio Grande do Sul: um estudo sobre o conhecimento escolar / Roberto Rafael Dias da Silva

Elaboração e aprovação de planos de educação no Brasil: do nacional ao local / Donaldo Bello de Souza, Janaína Specht da Silva Menezes

Trajetórias Escolares de Adolescentes em Conflito com a Lei: Subsídios para Repensar Políticas Educacionais / Patricia Leme de Oliveira Borba, Roseli Esquerdo Lopes, Ana Paula Serrata Malfitano

Trabalho e autonomia do coordenador pedagógico no contexto das políticas públicas educacionais implementadas no Estado de Goiás / Luís Luís Gustavo Alexandre da Silva, César Luis

Políticas públicas para acesso de pessoas com deficiência ao ensino superior brasileiro: uma análise de indicadores educacionais / Diléia Aparecida Martins, Lúcia Pereira Leite, Cristina Broglia

Fatores relevantes no processo de permanência prolongada de discentes nos cursos de graduação presencial: um estudo na Universidade Federal do Espírito Santo / Alexandre Severino Pereira, Teresa Cristina Janes Carneiro, Gutemberg Hespanha Brasil, Maria Auxiliadora de Carvalho Corassa

Página Aberta

Federalismo educacional esfacelado? Um estudo de caso sobre o piso salarial / Gustavo Joaquim Lisboa

O sentido social do ProUni – Programa Universidade Para Todos

Por Alípio Márcio Dias Casali; Maria José Viana Marinho de Mattos.

(CASALI, Alípio M. D.;  MATTOS, Maria José V. M. de)

Texto para chamada Análise das produções acadêmicas e científicas sobre o ProUni, no período de 2006-2011, traz importantes contribuições para o debate sobre as políticas públicas educacionais no Brasil.
Conteúdo • Quem (está envolvido/realizou a pesquisa)?

A pesquisa foi realizada com a participação de alunos, professores, assistentes sociais e gestores da comunidade acadêmica da PUC Minas. Foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

• O que (há de novo)?

Constatou-se que o maior número de publicações sobre o ProUni encontra-se em 2009, período em que os órgãos oficiais do governo federal, em especial o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), colocaram pela primeira vez um rico banco de dados com informações e estatísticas consistentes sobre o Programa à disposição do meio acadêmico.

Foram analisados quatro subtemas: política de acesso e formação na Educação Superior; política de inclusão social; renúncia fiscal; percepção e impactos do Programa, segundo os beneficiários.

Conclui-se que o ProUni é reconhecidamente uma política pública de ação afirmativa de relevante sentido social e amplo alcance histórico e cultural, porém é atravessada por conflitos e contradições, sendo a renúncia fiscal e a falta de atenção aos beneficiários os mais polêmicos.

• Onde (foi feita a pesquisa / foi publicado)?

O estudo foi feito junto às bases do Scientific Electronic Library Online – SciELO e do Portal Domínio Público da CAPES.

• Quando (ocorreu a descoberta / foi publicado o resultado)?

A pesquisa desenvolveu-se em 2011-2012 e seu relatório foi apresentado em 2013.

• Por que (o resultado é inovador)?

O ProUni tem sido, desde seu lançamento em 2004, objeto de intensa polêmica política no país, dividindo opiniões. Uma sistematização e análise sobre os estudos de natureza estritamente acadêmica realizados sobre ele poderia trazer a público informações e dados mais objetivos e assim contribuir para uma compreensão mais crítica acerca do tema. Foi isso que essa pesquisa se propôs e alcançou: detectou e agora traz a público, com objetividade, o reconhecimento do valor social que o Programa tem tido por parte de todos os que o estudaram criteriosamente (27 teses, dissertações e artigos científicos, no período delimitado, de 2006-2011), ao mesmo tempo que registrou os conflitos e contradições que atravessam o mesmo Programa, superando, assim, criticamente, a polêmica opinativa e de senso comum que tem atravessado o tema.

Tags ProUni. Educação Superior. Ações Afirmativas.
Mini currículo de autores  

Alípio Casali. Filósofo e Educador. Doutor em Educação pela PUC-SP. Pós-Doutor pela Universidade de Paris. Professor Titular do Departamento de Fundamentos da Educação. Docente e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, da PUC-SP. Acesso a currículo na Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/7969272872511400

Contato: a.casali@uol.com.br

Maria José Viana Marinho de Mattos

Professora e pesquisadora da PUC Minas. Participa da Equipe de Assessoria de Projetos Pedagógicos  PROGRAD – PUC Minas. Doutora em Educação pela UNICAMP. Pós-Doutora em Educação: Currículo, pela PUC-SP. Acesso a currículo na Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8127335327817744

Contato: mjoseviana@uol.com.br

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Alípio Casali

mariajoseviannamarinhodemattos
Maria José Viana Marinho de Mattos

Colóquio I da Série Colóquios em Ensaio: Reflexões sobre o Futuro da Avaliação e Ética no Contexto da Educação: Contribuição da Revista Ensaio

O Colóquio, que tratou de questões relevantes e temas que ainda vêm sendo objeto de discussão, ocorreu no dia 28 de maio de 2014, na Sala do Conselho da Fundação Cesgranrio. As palestras foram proferidas pela Professora Thereza Penna Firme e pelo Professor Carlos Alberto Oliveira.

Profª Thereza Penna Firme, Profª Ana Carolina Letichevsky, Profª Fátima Cunha durante palestra do I Colóquio.
Profª Thereza Penna Firme, Profª Ana Carolina Letichevsky, Profª Fátima Cunha durante palestra do I Colóquio.