Press Release – Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares

Maria Celeste Reis Fernandes de Souza
Docente do Programa Pós-Graduação
Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território
Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE,
Governador Valadares, MG, Brasil

 

O estudo realizado pela profa. Dra. Maria Celeste Reis Fernandes de Souza, e concluído em 2015, tem como cenário a Escola em Tempo Integral (ETI), implantada em um município de médio porte para todas as crianças e todos os adolescentes matriculados em uma jornada diária de 8 horas de atividades escolares. Os resultados apresentam uma novidade no debate sobre a ampliação da jornada escolar no cenário brasileiro que é a valorização, por parte dos estudantes, na ETI, das aprendizagens decorrentes das disciplinas escolares, as quais esses sujeitos valoram e atribuem diferentes sentidos. Nos resultados, publicados pelo periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, volume 25, número 95 de 2017, a pesquisa “Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo”, aborda os desejos expressos pelos (as) estudantes de poderem, no tempo integral, aprenderem mais sobre História, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa…  Ao mesmo tempo, o peso conferido por eles e elas a essas aprendizagens expõe tensões no tempo integral entre a racionalidade de matriz cartesiana e a corporeidade.

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FOTO: Arquivo Google

O referencial teórico e metodológico que subsidiou o estudo são as contribuições de Bernard Charlot (2009) sobre a relação com o saber. O material empírico analisado foi produzido por meio do balanço de saber e consistiu na elaboração de um texto sobre a experiência de cada sujeito na ETI.  Os balanços de saber foram lidos como um texto único, e considerou-se que eles trazem um discurso do (a) estudante sobre suas experiências no tempo integral. A análise concentrou nas aprendizagens dos (das) estudantes na ETI, e o que gostariam de aprender no tempo a mais que permanecem na escola.

Os resultados do estudo provocam a reflexão sobre o que se deseja ensinar no tempo integral, “o que se espera que os (as) estudantes aprendam e o acesso ao conhecimento que nomeamos científico (conteúdos de saber, normas, habilidades, encadeamento de determinados conhecimentos, resoluções de problemas, modos de raciocínio, análises textuais, aplicações (ou não) no cotidiano…). O tempo integral é mais uma oportunidade de tratar da especificidade do conhecimento escolar para que ela não fique escamoteada pela discussão, importante, do acesso a outros saberes, espaços e tempos, presente na discussão sobre a ampliação da jornada escolar”.  A temática do tempo integral é o objeto de reflexão deste artigo que apresenta resultados de uma pesquisa, cujo objetivo foi compreender as relações que estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental estabelecem com saber e a Escola em Tempo Integral. A pesquisa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – e foi realizada durante estágio de pós-doutorado realizado pela autora sob a supervisão de Bernard Charlot.

 

Referência

CHARLOT, B. A Relação com o saber nos meios populares. Uma investigação nos liceus profissionais de subúrbio. Porto: Livpsic, 2009.

Para ler o artigo, acesse

SOUZA, M. C. R. F. Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, n.95, pp.414-439. [viewed 2 August 2017]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/s0104-40362017002500483. Available from: http://ref.scielo.org/sq74kw

Link externo

Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielobr/ensaio

FONTE

SOUZA, M. C. R. F. de Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed 11 August 2017]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/08/11/aprendizagens-na-escola-em-tempo-integral-o-peso-das-aprendizagens-escolares/

 

O acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais? O PROUCA

Adda Daniela Lima Figueiredo Echalar, docente PPGECM da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil

Joana Peixoto, docente PPGECM-IFG e PPGE-PUC Goiás, Goiânia, GO, Brasil

Pesquisa intitulada “Programa Um Computador por Aluno: o acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais”, publicada na Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 25, n. 95), foi realizada para compreensão do processo lógico-histórico da implementação do PROUCA no Brasil por meio de análise documental e entrevistas com 55 profissionais das nove escolas contempladas com o Programa em Goiás.

Foram identificados três elementos vitais a este percurso, que serão melhor apresentados nos parágrafos subsequentes: 1. Há uma debilidade inerente à conceituação de inclusão/exclusão digital. 2. A abordagem instrumental é alicerce do processo formativo docente. 3. É a lógica econômica que determina a concepção e a forma de implementação desse Programa.

O exame do processo de implantação do PROUCA em Goiás e no Brasil permitiu explorar a noção de inclusão digital compreendendo-a como uma inclusão excludente que resulta na apologia a utopia digital, logo que privilegia o acesso à informação em detrimento de uma política social (ECHALAR, 2015). Esse processo é inerente ao capitalismo e à política neoliberal, pois trata-se de um projeto de remodelação social, que se apoia no ideal de um homem digital e autônomo, mas também flexível e reificado que atenderia ao mercado de trabalho.

No que tange a base instrumental no processo formativo docente, percebe-se que ele é fragmentado, hierárquico e imputa ao docente um modo de pensar e agir baseado nas leis do mercado e do capital, que se fundamenta muito mais na lógica do resultado e na reprodução de normas e leis do que no desenvolvimento intelectual autônomo.

Como base para o processo supracitado temos as diretrizes para inserção das tecnologias de informação e comunicação no ambiente escolar dos organizamos multilaterais, como o Banco Mundial, a Unesco e a OCDE que ratificam a aquisição de equipamentos tecnológicas para as escolas como fator importante na parceria Estado e organismo.

As pesquisadoras no bojo do contexto apresentado salientam que é por meio da resistência a essa forma precária de inclusão e de processo formativo que podemos buscar a superação de uma sociedade tão injusta e desigual para a emancipação dos sujeitos.

Referência

ECHALAR, A. D. L. F. Formação docente para a inclusão digital via ambiente escolar: o PROUCA em questão. 147 f. 2015. Tese (Doutorado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2015.

Para ler o artigo, acesse

ECHALAR, A. D. L. F. and PEIXOTO, J. Programa Um Computador por Aluno: o acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, n.95, pp.393-413. [viewed 26 July 2017]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/s0104-40362017002501155. Available from: http://ref.scielo.org/f8fvm4.

Links externos

KADJÓT – Grupo Interinstitucional de estudos e investigações sobre as relações entre as tecnologias e a educação: https://sites.google.com/site/grupokadjotgoiania

Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio 

FONTE: SciELO
http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/08/03/o-acesso-as-tecnologias-digitais-como-estrategia-para-a-reducao-das-desigualdades-sociais-o-prouca/

 

Press Release – Fatores socioeconômicos (ainda) influenciam fortemente a eficiência educacional

Maria Cristina Gramani,
Professora associada d
o Insper
Instituto de Ensino e Pesquisa,
São Paulo, SP, Brasil

 

A educação não pode ser vista como um pilar isolado, fatores socioeconômicos, como saneamento básico, renda, entre outros, possuem uma influência tão ou até mais forte sobre a educação do que fatores diretamente ligados a ela, tais como escolas e professores. O estudo “Análise dos determinantes de eficiência educacional do estado do Ceará” publicado no volume 25, número 95 de 2017 da Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, desenvolvido pela pesquisadora Maria Cristina Gramani do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, identificou os determinantes de eficiência educacional dos municípios do Estado do Ceará, que vem mostrando melhoras expressivas no seu desempenho escolar, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental (LIMA, 2012). A pesquisadora destaca como resultados principais, que os municípios benchmarkings estão aglomerados geograficamente em três clusters, justamente onde se situam os campi do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, e também, que as variáveis — gasto per capita, nível de educação das mães e renda per capita são as que mais impulsionam a eficiência destes municípiosPor outro lado, a pesquisadora conclui que o número de escolas com acesso a esgoto sanitário e o baixo número de professores com Licenciatura na área em que atuam, são os determinantes de ineficiência dos municípios cearenses, ou seja, estas podem ser consideradas as variáveis com maior potencial para melhorias.

É importante notar também que, mesmo dentre os municípios considerados benchmarking, a média de escolas com acesso a esgoto sanitário é bastante baixa, de 19,8%.

Nesse estudo, a pesquisadora propõe um modelo de eficiência educacional e, usando a metodologia Data Envelopment Analysis, 172 municípios cearenses são analisados (HU; ZHANG; LIANG, 2009). Neste modelo, que inova por incluir além de variáveis educacionais, também fatores socioeconômicos. Foram utilizadas oito variáveis: um input, o gasto per capita e sete outputs relacionados a professores, qualidade da educação e fatores socioeconômicos que influenciam diretamente a educação (como renda, educação materna e acesso a esgoto sanitário).

Diversas melhorias no país vêm surgindo por meio de ações governamentais ou, até mesmo, por meio de ações isoladas de municípios, nesse sentido, o estudo de boas práticas escolares pode auxiliar na identificação de fatores que impulsionam o desempenho educacional (CALDERÓN; RAQUEL; CABRAL, 2015).

Dessa forma, a pesquisadora explora nesse artigo a educação pública no Estado do Ceará, que embora tenha a peculiaridade de ter conseguido avanços nos seus resultados nos últimos anos, ainda possui municípios com fatores socioeconômicos significativamente carentes.

Para ler os artigos acesse

CALDERÓN, A. I., RAQUEL, B. M. G.; CABRAL, E. S. O Prêmio Escola nota 10: meritocracia e cooperação para a melhoria do desempenho escolar. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2015, vol. 23, n. 87, pp.517-540, ISSN 0104-4036 [viewed 18 July 2017]. DOI: 10.1590/S0104-40362015000100021. Available from: http://ref.scielo.org/cmqydf

GRAMANI, M. C. Análise dos determinantes de eficiência educacional do estado do Ceará. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol. 25, n. 95, pp.507-526, ISSN 0104-4036 [viewed 20 May 2017]. DOI: 10.1590/s0104-40362017002500811. Available from: http://ref.scielo.org/wbvp89

HU, Y.; ZHANG, Z.; LIANG, W. Efficiency of primary schools in Beijing, China: an evaluation by data envelopment analysis. International Journal of Educational Management [online]. 2009, vol.23, n.1, pp.34-50. ISSN  0951-354X [viewed 18 July 2017]. DOI: 10.1108/09513540910926411. Available from: https://goo.gl/awZD98

LIMA, A. Ciclo de avaliação da educação básica do Ceará: principais resultados. Est. Aval. Educ. [online], 2012, vol.23, n.53, pp.38-58. ISSN 0103-6831 [viewed 18 July 2017]. Available from: https://goo.gl/6QG2Wb

Link externo

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: http://www.scielo.br/ensaio/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

GRAMANI, M. C. Fatores socioeconômicos (ainda) influenciam fortemente a eficiência educacional [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed 21 July 2017]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/07/21/fatores-socioeconomicos-ainda-influenciam-fortemente-a-eficiencia-educacional/

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/07/21/fatores-socioeconomicos-ainda-influenciam-fortemente-a-eficiencia-educacional/

FONTE: SciELO em Perspectiva – Humanas
http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/07/21/fatores-socioeconomicos-ainda-influenciam-fortemente-a-eficiencia-educacional/

 

Press Release – Darcy Ribeiro e UnB: intelectuais, projeto e missão

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ADELIA MIGLIEVICH-RIBEIRO
miglievich@gmail.com
Vitória, Espírito Santo, Brasil

A história da UnB, concepção original, lutas pela implantação e o golpe
sofrido em 1964, tendo seu campus invadido por tropas militares,
vem somar ao debate sobre os intelectuais públicos brasileiros
dos anos 1950 e 1960, a geração de Darcy Ribeiro, apostando
na reflexão sobre “universidade necessária” hoje.

 

Adelia Miglievich-Ribeiro, pesquisadora produtividade CNPq, docente dos PPGs de Ciências Sociais e de Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apresenta no âmbito do projeto Intelectuais Andarilhos na América Latina: o Brasil no exílio antecedentes que levaram ao Golpe civil-militar de 1964, interrompendo a construção da utopia de um Brasil soberano.

 

A memória da Universidade de Brasília (UnB) que compunha o plano educacional para a nova capital é relembrada assim como a luta de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro pela educação pública socialmente referenciada. Darcy Ribeiro, mentor da UnB, apoiado pela SBPC e engajados intelectuais brasileiros, enfrenta as campus_unb“forças do atraso” e propõe um modelo universitário em diálogo com a educação básica e as demandas sociais, ao mesmo tempo, a investir no desenvolvimento científico nacional e autônomo, dentro de uma estrutura original em que as ciências dialogam entre si bem como o saber e o fazer. O projeto, brusca e violentamente interrompido pelo golpe de 1964 é revisitado pela pesquisadora que defende a importância da cumulatividade do pensamento crítico na América Latina.

Os resultados da pesquisa histórico-documental e sociológica que toma como referência teórica, dentre outros, Karl Mannheim, é publicado ineditamente na Ensaio.

 

Para ler o artigo na íntegra, acesse: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362017005006101&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Press Release: O acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais? O PROUCA

Adda Daniela Lima Figueiredo Echalar, docente PPGECM-UFG. Goiânia, Goiás, Brasil. docenciaonline2012@gmail.com

Joana Peixoto, docente PPGECM-IFG e PPGE-PUC Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil. joanagynn@gmail.com

O Programa Um Computador por Aluno (Prouca) – política pública para a inclusão digital via ambiente escolar, renova a utopia técnica de que a sociedade evolui qualitativamente com a aquisição de TIC. Problemas e deficiências na infraestrutura para a sua implantação, na gestão de seus processos e na formação dos professores não se constituem aspectos pontuais, mas estruturantes deste Programa, que é alinhado as orientações internacionais de cunho neoliberal.

A pesquisa realizada para compreensão do processo lógico-histórico da implementação do PROUCA no Brasil foi realizada por meio de análise documental e entrevistas com 55 profissionais das nove escolas contempladas com o Programa em Goiás.

Foram identificados três elementos vitais a este percurso, que serão melhor apresentados nos parágrafos subsequentes: 1. Há uma debilidade inerente à conceituação de inclusão/exclusão digital. 2. A abordagem instrumental é alicerce do processo formativo docente. 3. É a lógica econômica que determina a concepção e a forma de implementação desse Programa.

O exame do processo de implantação do PROUCA em Goiás e no Brasil permitiu explorar a noção de inclusão digital compreendendo-a como uma inclusão excludente que resulta na apologia a utopia digital, logo que privilegia o acesso à informação em detrimento de uma política social. Esse processo é inerente ao capitalismo e à política neoliberal, pois trata-se de um projeto de remodelação social, que se apoia no ideal de um homem digital e autônomo, mas também flexível e reificado que atenderia ao mercado de trabalho.

No que tange a base instrumental no processo formativo docente, percebe-se que ele é fragmentado, hierárquico e imputa ao docente um modo de pensar e agir baseado nas leis do mercado e do capital, que se fundamenta muito mais na lógica do resultado e na reprodução de normas e leis do que no desenvolvimento intelectual autônomo.

Como base para o processo supracitado temos as diretrizes para inserção das tecnologias de informação e comunicação no ambiente escolar dos organizamos multilaterais, como o Banco Mundial, a Unesco e a OCDE que ratificam a aquisição de equipamentos tecnológicas para as escolas como fator importante na parceria Estado e organismo.

As pesquisadoras no bojo do contexto apresentado salientam que é por meio da resistência a essa forma precária de inclusão e de processo formativo que podemos buscar a superação de uma sociedade tão injusta e desigual para a emancipação dos sujeitos.

KADJÓT – Grupo Interinstitucional de estudos e investigações sobre as relações entre as tecnologias e a educação (https://sites.google.com/site/grupokadjotgoiania/)

Acesse o artigo aqui

PRESS RELEASE: APRENDIZAGENS NA ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL: O PESO DAS APRENDIZAGENS ESCOLARES

Maria Celeste Reis Fernandes de Souza

Docente do Programa Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território – Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE

Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil

celeste.br@gmail.com

O estudo realizado pela Prof.ª Dr.ª Maria Celeste Reis Fernandes de Souza, e concluído em 2015, tem como cenário a Escola em Tempo Integral (ETI), implantada em um município de médio porte para todas as crianças e todos os adolescentes matriculados em uma jornada diária de 8 horas de atividades escolares. Os resultados apresentam uma novidade no debate sobre a ampliação da jornada escolar no cenário brasileiro que é a valorização, por parte dos estudantes, na ETI, das aprendizagens decorrentes das disciplinas escolares, as quais esses sujeitos valoram e atribuem diferentes sentidos. Nos resultados, publicados pela revista Ensaio, pode se conferir o artigo na integra e os desejos expressos pelos (as) estudantes de poderem, no tempo integral, aprenderem mais sobre História, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa…  Ao mesmo tempo, o peso conferido por eles e elas a essas aprendizagens expõe tensões no tempo integral entre a racionalidade de matriz cartesiana e a corporeidade.

O referencial teórico e metodológico que subsidiou o estudo são as contribuições de Bernard Charlot sobre a relação com o saber. O material empírico analisado foi produzido por meio do balanço de saber e consistiu na elaboração de um texto sobre a experiência de cada sujeito na ETI.  Os balanços de saber foram lidos como um texto único, e considerou-se que eles trazem um discurso do (a) estudante sobre suas experiências no tempo integral. A análise concentrou nas aprendizagens dos (das) estudantes na ETI, e o que gostariam de aprender no tempo a mais que permanecem na escola.

Os resultados do estudo provocam a reflexão sobre o que se deseja ensinar no tempo integral, “o que se espera que os (as) estudantes aprendam e o acesso ao conhecimento que nomeamos científico (conteúdos de saber, normas, habilidades, encadeamento de determinados conhecimentos, resoluções de problemas, modos de raciocínio, análises textuais, aplicações (ou não) no cotidiano…). O tempo integral é mais uma oportunidade de tratar da especificidade do conhecimento escolar para que ela não fique escamoteada pela discussão, importante, do acesso a outros saberes, espaços e tempos, presente na discussão sobre a ampliação da jornada escolar”.  A temática do tempo integral é o objeto de reflexão deste artigo que apresenta resultados de uma pesquisa, cujo objetivo foi compreender as relações que estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental estabelecem com saber e a Escola em Tempo Integral. A pesquisa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – e foi realizada durante estágio de pós-doutorado realizado pela autora sob a supervisão de Bernard Charlot.

Press Release: Análise dos determinantes de eficiência educacional do estado do Ceará

Maria Cristina Gramani, Professora Associada do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. São Paulo, SP, Brasil.
mariacng@insper.edu.br

O Estado do Ceará vem apresentando melhorias significativas no setor da educação desde 2007, tendo já superado as metas de avaliação da educação estabelecidas pelo governo. Nesse sentido, este artigo busca identificar os determinantes de eficiência que levaram este Estado a melhorar seu desempenho educacional.

A educação não pode ser vista como um pilar isolado, fatores socioeconômicos, como saneamento básico, renda, entre outros, possuem uma influência tão ou até mais forte sobre a educação do que fatores diretamente ligados a ela, tais como escolas e professores. O estudo desenvolvido pela pesquisadora Maria Cristina Gramani do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, identificou os determinantes de eficiência educacional dos municípios do Estado do Ceará, que vem mostrando melhoras expressivas no seu desempenho escolar, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A pesquisadora destaca como resultados principais, que os municípios benchmarkings estão aglomerados geograficamente em três clusters, justamente onde se situam os campi do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, e também, que as variáveis gasto per capita, nível de educação das mães e renda per capita são as que mais impulsionam a eficiência destes municípios. Por outro lado, a pesquisadora conclui que o número de escolas com acesso a esgoto sanitário e o baixo número de professores com Licenciatura na área em que atuam, são os determinantes de ineficiência dos municípios cearenses, ou seja, estas podem ser consideradas as variáveis com maior potencial para melhorias.

É importante notar também que, mesmo dentre os municípios considerados benchmarking, a média de escolas com acesso a esgoto sanitário é bastante baixa, de 19,8%.

Nesse estudo, a pesquisadora propõe um modelo de eficiência educacional e, usando a metodologia Data Envelopment Analysis, 172 municípios cearenses são analisados. Neste modelo, que inova por incluir além de variáveis educacionais, também fatores socioeconômicos, foram utilizadas oito variáveis: um input, o gasto per capita e sete outputs relacionados a professores, qualidade da educação e fatores socioeconômicos que influenciam diretamente a educação (como renda, educação materna e acesso a esgoto sanitário).

Diversas melhorias no país vêm surgindo por meio de ações governamentais ou, até mesmo, por meio de ações isoladas de municípios, nesse sentido, o estudo de boas práticas escolares pode auxiliar na identificação de fatores que impulsionam o desempenho educacional.

 Dessa forma, a pesquisadora explora nesse artigo a educação pública no Estado do Ceará, que embora tenha a peculiaridade de ter conseguido avanços nos seus resultados nos últimos anos, ainda possui municípios com fatores socioeconômicos significativamente carentes.

Para ler o artigo na Ensaio, acesse: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104-40362017000200507&lng=en&nrm=iso&tlng=pt