Ensaio no Blog do Scielo

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/

O artigo com o título “A influência do gênero nas salas de aulas de ciências: um estudo com docentes e estudantes de 9.º ano” (OLIVEIRA, REIS, TINOCA, 2018), publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 26, n. 99), apresenta um estudo que pretende dar a conhecer, considerando o gênero, quais as estratégias de aprendizagem preferidas por estudantes e quais as estratégias de ensino desenvolvidas por docentes de ciências.

Embora moços e moças refiram gostar de se empenhar para ter o melhor trabalho, elas parecem preferir um ambiente de trabalho colaborativo, enquanto eles se aproximam da preferência por um ambiente mais competitivo. Simultaneamente, elas procuram, mais do que eles, corresponder ao que é esperado pelas(os) docentes em relação ao papel da(o) estudante. Estas diferenças poderão não resultar de diferenças biológicas entre os sexos, mas dos papéis tradicionais de gênero em que somos socializadas(os). No entanto, tendo em conta que as(os) docentes procuram promover, com frequência, o trabalho colaborativo e ser pouco frequente atribuírem recompensas pela conclusão de uma tarefa, poderemos encontrar uma vantagem para as moças já que elas manifestam preferência por um ambiente mais colaborativo e menos competitivo.

Contudo, os resultados sugerem que não existem muitas diferenças entre gêneros, não se podendo afirmar que as práticas docentes favorecem mais claramente um gênero do que o outro. Assim, na maioria das situações analisadas, registra-se um distanciamento entre as práticas docentes e as preferências manifestadas por moças e moços, aproximando-se as opções docentes de um ensino onde a(o) aluna(o) tem um papel mais passivo e as de estudantes de um ensino onde têm um papel mais ativo.

Tendo em conta os resultados, os autores concluem que se afigura fundamental olhar para as práticas docentes que, continuando distantes das práticas defendidas pela pesquisa em didática das ciências, poderão estar a interferir de forma negativa na aprendizagem, prejudicando quer moços quer moças, afastando-os de percursos nas ciências. Consideram que as(os) docentes são uma peça essencial para, com a sua ação, ajudar a promover, nas(os) estudantes, o interesse por um conteúdo ou o gosto pela aprendizagem em geral (Hidi; Renninger; Krapp, 2004). “As(Os) docentes são os primeiros agentes de mudança na escola, mas têm de contar não só com os condicionalismos exteriores que vão encontrando, mas também com a sua própria história como alunas(os), a maioria produto de um ensino transmissivo”. A sua história condiciona de forma poderosa a prática pedagógica, e esses modelos tornam-se mais significativos na planificação das suas lições do que os modelos das atuais teorias instrucionais (Windschitl, 2002).

Os dados do estudo foram recolhidos numa amostra de 523 estudantes, 289 alunas e 234 alunos, que frequentavam o 9.º ano de escolaridade, e 77 docentes de ciências que lecionavam o mesmo ano de escolaridade, 63 professoras e 14 professores. Para o efeito construíram-se dois questionários, um para docentes e outro para estudantes, com uma estrutura similar para que pudessem ser posteriormente analisados em conjunto.

O estudo apresentado integra uma investigação mais vasta realizada no âmbito de um Doutorado em Educação (da autoria da primeira autora deste artigo), integrado no Programa Doutoral em Didática das Ciências do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, onde se pretende construir conhecimento sobre os estereótipos que docentes e estudantes possuem acerca da influência do gênero na aprendizagem das ciências e sobre o eventual impacto que estes podem ter, para ambos os gêneros, no processo de ensino, no processo de aprendizagem, e na opção por carreiras científicas.

Leia o Press Release completo em:

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/foto 99

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PRESS RELEASE | Bases normativas e condições político-institucionais da gestão democrática em sistemas municipais de ensino do estado do Piauí

logomarca Ensaio

 

 

 

 

Raimunda Maria da Cunha Ribeiro
Doutora em Educação e professora da
Universidade Estadual do Piauí,
Corrente, PI, Brasil

Elton Luiz Nardi
Doutor em Educação e professor do
Programa de Pós-Graduação em Educação
da Universidade do Oeste de Santa Catarina,
Joaçaba, SC. Brasil

 

Pesquisadores da Rede Mapa, da Universidade Estadual do Piauí e Universidade do Oeste de Santa Catarina, evidenciam que a maior parte dos municípios piauienses não conta com sistema de ensino e que, entre os que o institucionalizaram, o quadro geral de princípios e espaços e mecanismos de participação é díspar. Segundo artigo “Bases normativas e condições político-institucionais da gestão democrática em sistemas municipais de ensino do estado do Piauí” publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 26, n. 98), há diferenças acentuadas entre as mesorregiões geográficas do estado. Para os pesquisadores, o que está em causa é a disposição para fazer avançar as condições de reforço à participação direta e ativa do cidadão na política e gestão da educação pública (RIBEIRO; NARDI, 2018).

Pesquisadores
Reunião de trabalho de pesquisadores da Rede Mapa do Piauí e de Santa Catarina

Consoante o Parecer CEE/PI nº 54, de 03 de dezembro de 2004, o Conselho Estadual dá indicativos acerca do processo de implementação dos sistemas municipais e respectivos conselhos de educação. De acordo com o levantamento de elementos gerais que caracterizam a institucionalização dos sistemas municipais de ensino no Piauí, dos atuais 224 municípios, somente 38,84% contam com sistemas considerados autônomos pelo CEE/PI.

Os pesquisadores constataram que a presença dos temas da participação e da autonomia, no conjunto das bases normativas dos recentes sistemas municipais de ensino piauienses, indicia esforços por configurações convergentes com o princípio constitucional da gestão democrática do ensino público. Todavia, conforme evidenciam os dados, quando examinados os subconjuntos municipais representados por cada uma das quatro mesorregiões, esses mesmos temas são marcados por contrastes, seja em termos de fixação de princípios que os mobilizam e de garantia de espaços ou mecanismos institucionalizados para promovê-los, seja em termos de alinhamento entre princípios firmados e condições de materialização (ARROYO, 2008; GRACINDO, 2007).

De acordo com os pesquisadores, o cotidiano da prática educativa constitui forte aliado do aperfeiçoamento das diretrizes e das condições afeitas à perspectiva da gestão democrática no âmbito dos sistemas de ensino (RIBEIRO; NARDI, 2018; SOUZA; FARIA, 2004).

Referência

ARROYO, M. G. Gestão democrática: recuperar sua radicalidade política. In: CORREA, B. C.; GARCIA, T. O. (Org.). Políticas educacionais e organização do trabalho na escola. São Paulo: Xamã, 2008. p. 39-56.

GRACINDO, R. V. Gestão democrática nos sistemas e na escola. Brasília, DF: UnB, 2007.

Para ler os artigos, acesse

RIBEIRO, R. M. C. and NARDI, E. L. Bases normativas e condições político-institucionais da gestão democrática em sistemas municipais de ensino do estado do Piauí. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2018, vol.26, n.98, pp.7-31. ISSN 0104-4036. [viewed 6 March 2018]. DOI: 10.1590/s0104-40362018002601149. Available from: http://ref.scielo.org/6fxx4w

SOUZA, D. B. and FARIA, L. C. M. Reforma do estado, descentralização e municipalização do ensino no Brasil: a gestão política dos sistemas públicos de ensino pós-LDB 9.394/96. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2004, vol.12, n.45, pp.925-944. ISSN 0104-4036. [viewed 6 March 2018]. DOI: 10.1590/S0104-40362004000400002. Available from: http://ref.scielo.org/qzqk8h.

acesse a Ensaio no Scielo:

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio

 

Fonte:

RIBEIRO, R. M .C. and NARDI, E. L. Quais as bases normativas e as condições político-institucionais da gestão democrática em sistemas municipais de ensino? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed 15 March 2018]. Available from:
http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/03/14/quais-as-bases-normativas-e-as-condicoes-politico-institucionais-da-gestao-democratica-em-sistemas-municipais-de-ensino/

PRESS RELEASE | Contradições da valorização da “realidade” das escolas

logomarca Ensaio

 

 

 

Rodrigo Rosistolato
Professor da Faculdade de Educação da UFRJ
Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Ana Pires do Prado
Professora da Faculdade de Educação da UFRJ,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Leane Martins
Mestre em Educação e
Professora da Educação Básica,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil

 

O periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, da Fundação Cesgranrio, publicou estudo sobre a recepção de políticas públicas nacionais em contextos locais, realizado por pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ROSISTOLATO; PRADO; MARTINS, 2018). O artigo dialoga diretamente com o debate contemporâneo sobre avaliações em larga escala (BAUER; ALAVARSE; OLIVEIRA, 2015; GRAMANI, 2017).

Rodrigo Rosistolato e Ana Pires do Prado são antropólogos e integram a equipe do LaPOpE – Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais. Leane Martins escolheu o mesmo Laboratório para a realização de sua pesquisa de mestrado e foi orientada pelos dois antropólogos. A investigação foi financiada pela CAPES, pelo programa de pesquisa Observatório da Educação e tem relação com pesquisas anteriores realizadas pelos autores em parceria com Silvina Fernández (ROSISTOLATO; PRADO; FERNÁNDEZ, 2015).

O artigo “A “realidade” de cada escola e a recepção de políticas educacionais” analisa os processos de recepção da Prova Brasil e dos dados oriundos do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB em um município da região metropolitana do Rio de Janeiro. Os pesquisadores descobriram que as representações e as opiniões sobre as políticas públicas – apresentadas por gestores e sindicalistas – não são necessariamente sustentadas por conhecimento técnico com relação à própria política. Os entrevistados, no decorrer da investigação, apresentaram posicionamentos contrários às avaliações em larga escala – como a Prova Brasil – e defenderam seus argumentos afirmando que esse tipo de avaliação não considera a “realidade” de cada escola avaliada. A valorização da “realidade das escolas”, segundo os entrevistados, transformaria as avaliações externas, tornando-as menos injustas. Os autores do estudo, no entanto, argumentam que essa valorização, embora tenha uma conotação positiva relacionada ao reconhecimento das diferenças e da estratificação inerente aos sistemas educacionais, acaba por criar um cenário contraditório, em que parte dos estudantes matriculados em uma rede pública municipal de educação podem vir a ser sentenciados a uma educação reduzida porque seria mais “adequada” à sua “realidade”.

Os resultados apontam um conjunto de desafios para as políticas educacionais. O principal é a formação de gestores públicos para o entendimento e o uso efetivo dos dados produzidos por avaliações em larga escala. Considerando que as percepções e opiniões sobre qualquer política pública são independentes de conhecimento técnico relacionado à mesma, o primeiro passo desse processo de formação de gestores parece ser a relativização de visões e preconceitos sobre as ações do Estado para a organização dos sistemas educacionais brasileiros.

 

Referência

ROSISTOLATO, R.; PRADO, A. P. do and FERNÁNDEZ, S. J. Cobranças, estratégias e “jeitinhos”: avaliações em larga escala no Rio de Janeiro. Est. Aval. Educ., São Paulo, vol. 25, no. 59, p. 78-107, set./dez. 2014. ISSN: 0103-6831 [viewed 23 February 2018}. Available from: http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/eae/arquivos/1940/1940.pdf

Para ler os artigos, acesse

BAUER, A.; ALAVARSE, O. M. and OLIVEIRA, R. P. de. Avaliações em larga escala: uma sistematização do debate. Educ. Pesqui. [online]. 2015, vol.41, no.spe, pp.1367-1384, ISSN 1517-9702 [viewed 26 February 2018]. DOI: 10.1590/S1517-9702201508144607. Available from: http://ref.scielo.org/pwbytx

GRAMANI, M. C. Análise dos determinantes de eficiência educacional do estado do Ceará. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, no.95, pp.507-526, ISSN 0104-4036 [viewed 26 February 2018]. DOI: 10.1590/s0104-40362017002500811. Available from: http://ref.scielo.org/wbvp89

ROSISTOLATO, R.; PRADO, A. P. do and MARTINS, L. R. A “realidade” de cada escola e a recepção de políticas educacionais. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., vol. 26, no. 98, p. 112-132, 2018. ISSN: 0104-4036 [viewed 21 February 2018]. DOI: 10.1590/s0104-40362018002601074. Available from: http://ref.scielo.org/3dq7zz

Acesse a Ensaio no Scielo:

www.scielo.br/ensaio

 

FONTE: ROSISTOLATO, R., PRADO, A. P. and MARTINS, L. Contradições da valorização da “realidade” das escolas [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed 07 March 2018].
Available from:
http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/03/07/contradicoes-da-valorizacao-da-realidade-das-escolas/

Qual a trajetória do fomento à iniciação científica no país?

pibic

 

 

 

 

Título

Qual a trajetória do fomento à iniciação científica no país?
Por Adriano de Oliveira, Doutor em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Coordenador Pedagógico na Rede Municipal de Ensino de Florianópolis. Membro e pesquisador do Grupo TRACES/UFSC/CNPq.  Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: adriano.deoliveira2@gmail.com

Lucídio Bianchetti, Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Estágio Pós-doutoral na Universidade do Porto, Portugal. Professor Aposentado/Voluntário na Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSC. Coordenador do Grupo TRACES/UFSC/CNPq. Pesquisador 1B do CNPq.  Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: lucidio.bianchetti@pq.cnpq.br

 

Resumo Estudo analisa a trajetória da institucionalização da Iniciação Científica (IC) e da Iniciação Científica Júnior (ICJ) no país em geral e, particularmente, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nesta instituição (IES) a não utilização de todas as bolsas de ICJ disponibilizadas, na modalidade do Programa de IC – Ensino Médio (PIBIC-EM), aponta a tendência de refluxo do Programa, tornando questionável a materialização da metáfora do “círculo virtuoso”.
Conteúdo O artigo com o título “Iniciação Científica Júnior: desafios à

materialização de um círculo virtuoso” (OLIVEIRA, BIANCHETTI, 2018), publicada na Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 26, n. 98), foi realizada com o objetivo de analisar a trajetória da institucionalização da IC e da ICJ no país e, particularmente, na UFSC. Além disso, investigou-se a convergência das políticas de fomento à formação de professores/pesquisadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), direcionadas à Educação Básica (EB).

O artigo advém da pesquisa de doutorado de Oliveira e contempla um dos focos de pesquisa do Grupo de Estudo Trabalho e Conhecimento na Educação Superior (TRACES) da Universidade Federal de Santa Catarina.

O artigo estabeleceu interlocução com os estudos sobre ICJ (FERREIRA et al., 2010). Esta temática tem relação com pesquisa anterior realizada com a finalidade de analisar a política de fomento à pesquisa e formação de pesquisador do Governo FHC (OLIVEIRA, 2003).

Realizou-se a análise documental de leis, pareceres, decretos, indicadores de fomento e relatórios do CNPq e da IES onde foi realizada a pesquisa.

No estudo dos investimentos na formação inicial de pesquisadores foram identificados avanços e recuos dependendo das prioridades dos Governos, do contexto econômico, político e social do país e do crescimento do Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDTC). Um dos destaques ocorreu nos Governos Collor-Itamar (1990 – 1994) que elevou a IC à condição de um programa, com a criação do PIBIC. No Governo Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002) são estabelecidas políticas de caráter sistêmico, as quais são aprofundadas nos Governos Lula da Silva e Dilma Rousseff (2003 – 2016).

Em relação às razões para a criação da ICJ, em um ambiente de produtivismo acadêmico hegemônico, nas universidades e nos institutos de pesquisa, destaca-se a preocupação em descobrir talentos potenciais e incentivar os jovens a seguir a carreira acadêmico-científica a partir da Educação Básica (EB), aligeirando o ingresso dos estudantes na graduação e pós-graduação.

Para a aproximação entre a Educação Superior (ES) e a EB, foram relevantes a criação da Nova Capes, em 2007, com as bolsas (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), Programa Jovens Talentos para a Ciência (PJT-IC) e, por parte do CNPq, com as bolsas de ICJ, em 2003. Nesse sentido, há uma convergência das diretrizes do CNPq e da Capes, voltadas para essa articulação entre as escolas e as universidades.

A pesquisa empírica foi realizada em quatro dos cinco campi da UFSC, na cidade de Florianópolis (campus central), Araranguá, Curitibanos e Joinville. No período de 2010 a 2015 foram concedidas 262 bolsas do Pibic-EM, para 15 escolas públicas.

Por fim, com o excerto abaixo pensamos poder resumir o conteúdo do artigo:

“Em relação à ICJ, podemos dizer que há uma preparação do jovem para o mundo científico, apresentando elementos e potencial de um círculo virtuoso entre a universidade e as escolas. Porém, o PIBIC-EM na UFSC, ao contrário do PIBIC da graduação, corre o risco de extinção, haja vista a trajetória de diminuição constante das bolsas e da não utilização de todas as disponibilizadas” (OLIVEIRA; BIANCHETTI, 2018, p. 154).

E, aquilo que ocorre na particularidade da UFSC, pode ser observado também em relação à situação do financiamento destes programas em nível de país.

 

 

 

Referência(s) FERREIRA, Cristina. A. et al. (Org.). Juventude e iniciação científica: políticas públicas para o ensino médio. Rio de Janeiro: EPSJV, UFRJ, 2010.

 

OLIVEIRA, Adriano de. Política científica no Brasil: análise da política de fomento a pesquisa do CNPq. 2003. 137 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

 

OLIVEIRA, Adriano de; BIANCHETTI, Lucídio. Iniciação Científica Júnior: desafios à materialização de um círculo virtuoso. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., v. 26, n. 98, p. 133-162, 2018. ISSN: 0104-4036 [acessado 22 fevereiro 2018]. DOI: 10.1590/s0104-40362018002600952. Disponível em:  http://www.scielo.br/readcube/epdf.php?doi=10.1590/s010440362018002600952&pid=S0104-40362018000100133&pdf_path=ensaio/v26n98/1809-4465-ensaio-26-98-0133.pdf&lang=pt

Links TRACES – Grupo de Estudos: Trabalho e Conhecimento na Educação Superior: http://traces.ufsc.br/

Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio

iniciação cient

Desafios à atratividade, formação, retenção e avaliação de professores no Brasil

scielo

 

Pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo revisitam publicações nacionais e internacionais que discutem a qualidade dos docentes como cerne da qualidade de ensino e, consequentemente, propõem ações para a melhoria dessa qualidade em três dimensões: atratividade da carreira, formação e retenção de professores. A essas dimensões, os autores somam uma quarta: a avaliação dos docentes, e passam a sintetizar as principais ações que deveriam ser realizadas em cada um desses aspectos no Brasil.

Os autores partem do reconhecimento de que a profissão docente tem atraído uma camada da população com o menor background cultural e econômico e da constatação de que esse é um aspecto a ser equalizado a partir dos cursos de formação. Bauer, Cassettari e Oliveira afirmam que o aumento da atratividade da profissão docente está atrelado “ao aumento dos recursos financeiros alocados no magistério, ou seja, depende de uma consistente decisão de política pública” (p. 948) que busque a melhoria do salário, das condições de trabalho e da aposentadoria.

Em relação às políticas de formação, o estudo aponta que, apesar dos inegáveis avanços em termos de investimento financeiro, pelo governo federal e pelos estados subnacionais, na formação de docentes, a expansão dos cursos ainda é muito desigual no Brasil. Regiões como Norte e a Nordeste ainda enfrentam dificuldades em atender os requisitos mínimos de formação exigidos pela legislação vigente. Nas demais regiões, a expansão dos cursos de formação inicial se dá pelo setor privado, sendo necessário produzir estudos que permitam aquilatar a qualidade de tal formação.

Reter professores, segundo os autores, permanece um desafio. A abertura a formas de contratação precária e temporária de docentes, aliada a pouca atratividade da carreira nas redes públicas de ensino, são fatores apontados como dificultadores da retenção dos formados no magistério. Tais dados são reforçados por pesquisa de José Marcelino Pinto de Resende (2014), que aponta que o foco da política deve ser fazer com que os licenciandos que se formam permaneçam no magistério, já que a quantidade de egressos dos cursos de formação relacionados ao magistério tem sido suficiente. A retenção dos profissionais na carreira do magistério relaciona-se a fatores como o salário, mas também, e fortemente, às condições de trabalho dos professores. Uma das medidas apontadas no texto seria propor ações que permitissem os professores preencherem sua jornada de trabalho em apenas uma escola.

Sobre a dimensão da avaliação, os autores apontam que as iniciativas em voga no território nacional, ainda esparsas, pouco dialogam com as especificidades do trabalho docente, sendo pautadas por critérios presentes em avaliação de funcionários públicos de qualquer setor, tais como assiduidade, pontualidade, etc. Observam que práticas em voga no território nacional não constituem realmente estratégias de avaliação de docentes, mas sim políticas de bonificação, que pouco informam sobre a qualidade dos docentes.

Os dados analisados são provenientes de análise bibliográfica de estudos produzidos no Brasil e no exterior, cujos principais achados foram sistematizados pelos autores e organizados em subitens relativos a cada uma das dimensões analisadas.

Essa organização e mapeamento das principais tendências da literatura especializada permite propor uma agenda de pesquisas futuras para os interessados nas temáticas da atratividade, formação, retenção e avaliação de docentes.

Ver mais em:

 

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/01/17/desafios-a-atratividade-formacao-retencao-e-avaliacao-de-professores-no-brasil/

 

Artigo de :

Adriana Bauera 

Nathalia Cassettarib 

Romualdo Portela de Oliveiraa 

aUniversidade de São Paulo. São Paulo, São Paulo, Brasil.

bUniversidade de Brasília. Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Políticas docentes e qualidade da educação: uma revisão da literatura e indicações de política

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362017000400943&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

 

 

PRESS RELEASE – Pesquisadores refletem sobre heranças e limitações do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro

“Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro: heranças, marcos legais e limites políticos de um órgão do Estado”

Maria Celi Chaves Vasconcelos
Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ,
Programa de Pós-graduação em Educação.
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Nival Nunes Almeida
Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil – EGN/MB,
Programa de Pós-graduação em Estudos Marítimos – PPGEM/EGN.
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.
 

Leonardo Ferreira Peixoto
Universidade do Estado do Amazonas – UEA.
Manaus, Amazonas, Brasil.

Em 28 de abril de 1975 começava a trajetória do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro, órgão normativo e recursal do Sistema Estadual de Educação. Diante dos mais de 40 anos de existência da entidade e sua importância dentro do contexto histórico na construção de políticas públicas voltadas ao aperfeiçoamento do ensino fluminense, Maria Celi Chaves Vasconcelos, professora do programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ao lado dos também professores Nival Nunes Almeida, da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil, e Leonardo Ferreira Peixoto, da Universidade do Estado do Amazonas, produziu um artigo que trata sobre as heranças, marcos legais e limites políticos do CEE/RJ, criado logo após a fusão dos governos do estado da Guanabara e do Rio de Janeiro.

O artigo destaca a constante interferência política sofrida pelo Conselho, especialmente após os anos 2000, quando a instituição sofreu importantes perdas. Tanto de espaço físico quanto de material humano. Apesar de ter sido elevado a órgão oficial do Estado, a legislação ainda não oferece garantias aos membros do conselho. Muito menos autonomia completa, tanto na composição do colegiado, como em qualquer assunto que diga respeito ao órgão normativo da educação fluminense. Os pesquisadores concluem que a trajetória do colegiado é profundamente marcada pela descontinuidade de políticas específicas para este setor normativo, fazendo com que a condição de órgão de estado seja imperceptível no cotidiano e nas proposições que, hoje, regem a educação fluminense.

O trabalho, na íntegra, foi publicado na mais recente edição da Revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação [v. 25, n. 96 (2017)], da Fundação Cesgranrio, do Rio de Janeiro, e na plataforma eletrônica da Scielo (Scientific Electronic Library Online).

O artigo, na íntegra, está acessível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104-40362017000300701&lng=en&nrm=iso

 

FONTE: ABEC

https://www.abecbrasil.org.br/novo/2017/09/pesquisadores-refletem-sobre-herancas-e-limitacoes-do-conselho-estadual-do-rio-de-janeiro/

Igor Medeiros (4toques comunicação)
comunicacao@abecbrasil.org.br

Press Release – Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares

Maria Celeste Reis Fernandes de Souza
Docente do Programa Pós-Graduação
Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território
Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE,
Governador Valadares, MG, Brasil

 

O estudo realizado pela profa. Dra. Maria Celeste Reis Fernandes de Souza, e concluído em 2015, tem como cenário a Escola em Tempo Integral (ETI), implantada em um município de médio porte para todas as crianças e todos os adolescentes matriculados em uma jornada diária de 8 horas de atividades escolares. Os resultados apresentam uma novidade no debate sobre a ampliação da jornada escolar no cenário brasileiro que é a valorização, por parte dos estudantes, na ETI, das aprendizagens decorrentes das disciplinas escolares, as quais esses sujeitos valoram e atribuem diferentes sentidos. Nos resultados, publicados pelo periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, volume 25, número 95 de 2017, a pesquisa “Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo”, aborda os desejos expressos pelos (as) estudantes de poderem, no tempo integral, aprenderem mais sobre História, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa…  Ao mesmo tempo, o peso conferido por eles e elas a essas aprendizagens expõe tensões no tempo integral entre a racionalidade de matriz cartesiana e a corporeidade.

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FOTO: Arquivo Google

O referencial teórico e metodológico que subsidiou o estudo são as contribuições de Bernard Charlot (2009) sobre a relação com o saber. O material empírico analisado foi produzido por meio do balanço de saber e consistiu na elaboração de um texto sobre a experiência de cada sujeito na ETI.  Os balanços de saber foram lidos como um texto único, e considerou-se que eles trazem um discurso do (a) estudante sobre suas experiências no tempo integral. A análise concentrou nas aprendizagens dos (das) estudantes na ETI, e o que gostariam de aprender no tempo a mais que permanecem na escola.

Os resultados do estudo provocam a reflexão sobre o que se deseja ensinar no tempo integral, “o que se espera que os (as) estudantes aprendam e o acesso ao conhecimento que nomeamos científico (conteúdos de saber, normas, habilidades, encadeamento de determinados conhecimentos, resoluções de problemas, modos de raciocínio, análises textuais, aplicações (ou não) no cotidiano…). O tempo integral é mais uma oportunidade de tratar da especificidade do conhecimento escolar para que ela não fique escamoteada pela discussão, importante, do acesso a outros saberes, espaços e tempos, presente na discussão sobre a ampliação da jornada escolar”.  A temática do tempo integral é o objeto de reflexão deste artigo que apresenta resultados de uma pesquisa, cujo objetivo foi compreender as relações que estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental estabelecem com saber e a Escola em Tempo Integral. A pesquisa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – e foi realizada durante estágio de pós-doutorado realizado pela autora sob a supervisão de Bernard Charlot.

 

Referência

CHARLOT, B. A Relação com o saber nos meios populares. Uma investigação nos liceus profissionais de subúrbio. Porto: Livpsic, 2009.

Para ler o artigo, acesse

SOUZA, M. C. R. F. Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, n.95, pp.414-439. [viewed 2 August 2017]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/s0104-40362017002500483. Available from: http://ref.scielo.org/sq74kw

Link externo

Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielobr/ensaio

FONTE

SOUZA, M. C. R. F. de Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed 11 August 2017]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/08/11/aprendizagens-na-escola-em-tempo-integral-o-peso-das-aprendizagens-escolares/