Lançamento da Ensaio 100 – Fundação Cesgranrio

Ensaio: avaliação e políticas Públicas em Educação

Educação e Pesquisa

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362018000300505&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

 

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No dia 21 de agosto de 2018 foi lançada a revista Ensaio de número 100.

A revista Ensaio, especializada na divulgação de pesquisas e estudos
no âmbito educacional, publicou agora em agosto a edição especial de
número 100. São 30 artigos que abordam evasão escolar, formação de
docentes, violência nas escolas, gestão universitária entre outros
temas sobre a realidade educacional.
Além do material produzido pelos colaboradores brasileiros, foram
publicados artigos de especialistas de Moçambique, Portugal, Equador,
Chile e Espanha. Um artigo de coautoria entre Estados Unidos e
Cazaquistão.
A revista Ensaio é publicada pela Fundação Cesgranrio desde 1993.
São quatro edições por ano com tiragem de 1.500 exemplares cada. A
publicação é gratuita e distribuída em universidades públicas e
particulares de todo o Brasil.

Em junho do ano passado, a Ensaio recebeu pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes) a classificação
A1 na área de Educação, classificação correspondente ao quadriênio 2013-2016. O A1
é o mais alto conceito de qualificação atribuído a periódicos
científicos brasileiros, apenas 4% das revistas da área de Educação foram qualificadas neste estrato.

O lançamento oficial da revista foi na Presidência da Fundação Cesgranrio e contou com a presença de autoridades, reitores, professores de Programas de Pós-Graduação das Universidades do Rio de Janeiro, pesquisadores, alunos e funcionários da instituição.

Para acessar a revista clique em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620180003&lng=en&nrm=iso

 

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Equipe Ensaio

 

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Ensaio no Blog do Scielo

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/

O artigo com o título “A influência do gênero nas salas de aulas de ciências: um estudo com docentes e estudantes de 9.º ano” (OLIVEIRA, REIS, TINOCA, 2018), publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 26, n. 99), apresenta um estudo que pretende dar a conhecer, considerando o gênero, quais as estratégias de aprendizagem preferidas por estudantes e quais as estratégias de ensino desenvolvidas por docentes de ciências.

Embora moços e moças refiram gostar de se empenhar para ter o melhor trabalho, elas parecem preferir um ambiente de trabalho colaborativo, enquanto eles se aproximam da preferência por um ambiente mais competitivo. Simultaneamente, elas procuram, mais do que eles, corresponder ao que é esperado pelas(os) docentes em relação ao papel da(o) estudante. Estas diferenças poderão não resultar de diferenças biológicas entre os sexos, mas dos papéis tradicionais de gênero em que somos socializadas(os). No entanto, tendo em conta que as(os) docentes procuram promover, com frequência, o trabalho colaborativo e ser pouco frequente atribuírem recompensas pela conclusão de uma tarefa, poderemos encontrar uma vantagem para as moças já que elas manifestam preferência por um ambiente mais colaborativo e menos competitivo.

Contudo, os resultados sugerem que não existem muitas diferenças entre gêneros, não se podendo afirmar que as práticas docentes favorecem mais claramente um gênero do que o outro. Assim, na maioria das situações analisadas, registra-se um distanciamento entre as práticas docentes e as preferências manifestadas por moças e moços, aproximando-se as opções docentes de um ensino onde a(o) aluna(o) tem um papel mais passivo e as de estudantes de um ensino onde têm um papel mais ativo.

Tendo em conta os resultados, os autores concluem que se afigura fundamental olhar para as práticas docentes que, continuando distantes das práticas defendidas pela pesquisa em didática das ciências, poderão estar a interferir de forma negativa na aprendizagem, prejudicando quer moços quer moças, afastando-os de percursos nas ciências. Consideram que as(os) docentes são uma peça essencial para, com a sua ação, ajudar a promover, nas(os) estudantes, o interesse por um conteúdo ou o gosto pela aprendizagem em geral (Hidi; Renninger; Krapp, 2004). “As(Os) docentes são os primeiros agentes de mudança na escola, mas têm de contar não só com os condicionalismos exteriores que vão encontrando, mas também com a sua própria história como alunas(os), a maioria produto de um ensino transmissivo”. A sua história condiciona de forma poderosa a prática pedagógica, e esses modelos tornam-se mais significativos na planificação das suas lições do que os modelos das atuais teorias instrucionais (Windschitl, 2002).

Os dados do estudo foram recolhidos numa amostra de 523 estudantes, 289 alunas e 234 alunos, que frequentavam o 9.º ano de escolaridade, e 77 docentes de ciências que lecionavam o mesmo ano de escolaridade, 63 professoras e 14 professores. Para o efeito construíram-se dois questionários, um para docentes e outro para estudantes, com uma estrutura similar para que pudessem ser posteriormente analisados em conjunto.

O estudo apresentado integra uma investigação mais vasta realizada no âmbito de um Doutorado em Educação (da autoria da primeira autora deste artigo), integrado no Programa Doutoral em Didática das Ciências do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, onde se pretende construir conhecimento sobre os estereótipos que docentes e estudantes possuem acerca da influência do gênero na aprendizagem das ciências e sobre o eventual impacto que estes podem ter, para ambos os gêneros, no processo de ensino, no processo de aprendizagem, e na opção por carreiras científicas.

Leia o Press Release completo em:

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/foto 99

Lançamento: Ensaio 100

É com um imenso prazer que apresentamos a centésima edição da revista Ensaio. Esta é uma edição especial comemorativa, que contempla 30 artigos de autores nacionais e internacionais.

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Todos os artigos já se encontram disponíveis na página da Ensaio no SciELO.

Acesse:  http://www.scielo.br/ensaio

 

V CONAVE 2018 _ 03 a 05 de dezembro de 2018 Bauru -SP

 

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Estão abertas as inscrições para o V CONAVE 2018. Nesta edição o tema “Da Educação Básica à Educação Superior: Avaliação, formação de professores e o direito à Educação” direciona o debate para promoção da:

  • discussão sobre as possíveis articulações entre a avaliação da Educação Superior, a Avaliação da Educação Básica, a formação de professores e o direito à Educação;
  • discussão sobre os resultados das avalições de Cursos de Graduação e de Programas de Pós-Graduação e as suas contribuições e impactos para a melhoria/transformação da qualidade da Educação Básica e de políticas de formação de professores;
  • divulgação e análise dos resultados das avaliações em larga escala e institucionais;
  • divulgação de pesquisas e de grupos de pesquisas sobre avaliação da Educação Superior e avaliação da Educação Básica.

O evento será realizado em Bauru/SP no período de . Os eixos temáticos são:

  • E1. Avaliação em Educação Infantil
  • E21. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Matemática
  • E22. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Linguagem
  • E23. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Ciências da Natureza
  • E24. Avaliação em Ensino Fundamental e Médio: Outras Áreas
  • E3. Avaliação em Ensino Superior
  • E4. Avaliação de Sistema e Gestão Educacional

 

Temos a honra de convidá-lo(a) para participar desta edição, submetendo trabalhos nas modalidades Relato de Experiência ou Comunicação Ciêntifica. O sistema de cadastro, inscrição e submissão de trabalhos está disponível em: (http://www.conave-unesp.com.br/cnv/main/)

 

Este é um congresso com com revisão cega, por pares.
Para mais informações, acesse: http://www.conave-unesp.com.br/
Datas Importantes:
– Prazo de Submissão: 07 de Outubro, 2018.
– Prazo de Inscrição: 15 de Outubro, 2018.
– Evento: 03 a 05 de Dezembro, 2018.

Escola sem partido para quem?

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http://www.anped.org.br/news/entrevista-com-fernando-de-araujo-penna-escola-sem-partido-serie-conquistas-em-risco

Num contexto de conquistas em risco (seja por cortes em investimentos e programas, seja por ofensivas conservadoras no congresso e sociedade, investidas de empresários e fundações), como analisar a proposição de uma “Escola sem Partido”? De onde surge isso e qual seu impacto nas discussões sobre a escola pública?

A proposição de uma “escola sem partido” não é nova. O movimento com este nome foi criado em 2004, mas ganha força justamente neste contexto das ofensivas conservadoras. O primeiro projeto de lei que propunha a criação do “programa escola sem partido” em uma rede de ensino foi fruto de uma parceria entre o criador do movimento, Miguel Nagib, e o deputado estadual Flávio Bolsonaro. A localização da família Bolsonaro dentro do espectro de posicionamentos políticos é bem conhecida – uma evidência disso foi a presença de um homem fantasiado de Adolf Hitler para defender a proposição de uma “escola sem partido” em uma audiência pública proposta para discutir este tema na Câmara dos Vereadores do município do Rio de Janeiro.  Este projeto de lei se beneficia da falsa dicotomia imposta pelo próprio nome do movimento, entre uma escola com ou sem partido. É importante reafirmar que o que está em jogo quando falamos do “programa escola sem partido” é um projeto de escola na qual esta é destituída de todo o seu caráter educacional, pois, segundo o movimento em questão, professor não é educador.

Dentro deste contexto de conquistas em risco, o movimento escola sem partido incorporou outras pautas conservadoras que incialmente não faziam parte das suas bandeiras. Foi o caso do combate covarde contra a discussão de questão de gênero nas escolas. O termo “ideologia de gênero” vem sendo usado como uma forma política de manipulação do medo com base em informações falsas e distorções grotescas das práticas que acontecem nas escolas. O caso do estado de Alagoas pode ser ilustrativo deste processo. Lá, como em outros estados e municípios do Brasil, os debates sobre os planos de educação ganharam grande publicidade, mas, neste estado, a polêmica foi intensa por conta de um material falso intencionalmente divulgado como sendo de autoria do MEC, que continha imagens sugestivas e estímulo a práticas sexuais. O Ministério Público investiga o caso, mas o estrago já havia sido feito na opinião pública e diferentes grupos pressionaram pela remoção do termo “gênero” dos planos estaduais e municipais de educação. Foi convocada uma audiência pública para discutir o tema em Alagoas e o debatedor convidado foi justamente o advogado Miguel Nagib, que aproveitou a visita ao estado para persuadir um deputado a apresentar o projeto de lei “escola sem partido”, que lá ainda recebeu o nome ainda mais enganador de “Escola Livre”. No final das contas, tanto a retirada do termo “gênero” do plano estadual de educação quanto o projeto de lei “escola sem partido” foram aprovados naquele estado.

Esta proliferação de projetos que propõem o “programa escola sem partido” não surpreende, porque, no contexto de ofensiva conservadora, basta aos vereadores e deputados entrarem no site da organização onde existem dois anteprojetos de lei municipal e estadual. Existe um projeto tramitando em âmbito nacional, nove outros em diferentes estados e no distrito federal, além de inúmeros municípios. O projeto já foi aprovado no estado de Alagoas (o governador vetou o projeto e seu veto vem sendo discutido na Assembleia Legislativa) e nos municípios de Picuí-PB, Santa Cruz do Monte Castelo-SC e Campo Grande-MS.

O caso mais recente foi o do Projeto de Lei nº 8.242/16, de autoria do vereador Paulo Siufi, que foi protocolado pelo seu propositor, segundo o site da câmara municipal de Campo Grande, no dia 28/03/2016. No dia 29/03 foi enviado para receber o parecer da Procuradoria Municipal, que deu seu parecer “pela tramitação” no dia 31/03 e NO MESMO DIA ele já foi votado em urgência sem nem estar na pauta! E aprovado! Dois vereadores apenas foram contrários e questionaram porque o projeto estava sendo votado em urgência. Para completar o circo de arbitrariedades, o parecer da Procuradoria Municipal indicava que deveriam ser acolhidos os pareceres das Comissões de “Legislação, Justiça e Redação Final” e “Educação e Desporto”. Não há nenhuma referência aos pareceres destas comissões e nem houve tempo hábil para que elas tivessem sido consultadas! É gravíssimo! O projeto tenta silenciar os professores e é aprovado excluindo a participação da sociedade no debate!

O impacto da aprovação destes projetos para as discussões sobre a escola pública seria imenso. O projeto se propõe a combater a “doutrinação ideológica”, mas nem sequer define o que seria isso e apenas insiste na defesa da “neutralidade”. Mas quem define o que é “neutro” e o que é “ideológico”? Na ausência de uma definição no projeto de lei, vale a pena verificar o que diz o site da organização sobre o tema. Ao clicar no item “flagrando o doutrinador”, percebemos que o professor é representado como um criminoso dissimulado que corrompe os jovens inocentes e passivos. “Você pode estar sendo vítima de doutrinação ideológica quando seu professor se desvia frequentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional”. Dissociações como estas, entre a matéria objeto da disciplina e o mundo fora da escola e entre educação e instrução, são uma ameaça a qualquer projeto de uma escola mais progressista. O PL 867/2015 propõe que seja vedada, em sala de aula, “a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes”. Como fica o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, por exemplo? O retrocesso seria enorme.

Não precisamos, no entanto, esperar a aprovação dos projetos escola sem partido para pensar o impacto das propostas deste movimento. Ao se aproveitar da grande polarização que vivemos no cenário político nacional, a perseguição de professores que se manifestam politicamente não para de crescer. Começam a surgir vários relatos de professores que perderam os seus empregos por se posicionar sobre temas polêmicos nas redes sociais e, portanto, fora do ambiente escolar. Os dois casos mais notórios foram o do professor Paulo Ramos demitido por suas declarações em redes sociais e por discutir violência e multiculturalismo nas suas aulas de sociologia e da professora de história que pediu sua demissão do Colégio Jesuíta Medianeira de Curitiba por estar sendo perseguida pelos pais devido a seu posicionamento contra o impeachment nas suas redes sociais. Estes são apenas os casos que ganharam notoriedade, mas certamente existem muitos outros. O movimento escola sem partido estimula este comportamento, ao representar os professores como corruptores da juventude e defender que os professores não têm liberdade de expressão no exercício da sua atividade profissional.

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Deus e o Diabo na terra da Edição brasileira | por José Luís Bizelli (Unesp) Coordenador Nacional do FEPAE

Se Kronecker tem razão e Deus criou os números, certamente o Diabo criou a estatística e com ela índices. O que quero dizer é que embora índices nos digam muitas coisas, nem sempre nos dizem o que lhes estamos perguntando. O Fator de Impacto pode ter auxiliado a compra das revistas mais usadas quando administradores de uma biblioteca, com parcos recursos financeiros, tiveram que escolher quais coleções de periódicos comprar. Transformar, porém, Fator de Impacto em medidor universal da produção científica é perguntar-lhe algo que ele não pode responder.

Talvez o pecado original que desencadeou a expulsão dos índices do paraíso da confiabilidade tenha sido o fato da humanidade tentar – ou ter a tentação de – representar qualidade através de números estratificáveis. Aperfeiçoamos o controle sobre números, somos capazes de entrecruzá-los de formas impensáveis ou inumeráveis imergindo em um fabuloso Big Data cada vez mais completo e complexo de informações. No entanto, qualquer índice de citação poderia revelar a qualidade de um artigo perdido no mundo dos dados? Não, provavelmente apenas a leitura atenta por pares, dentro de uma comunidade científica específica, poderia fazê-lo.

Não existe vacina ao fato de que o conhecimento está sujeito a saberes e rigores particulares a cada comunidade científica. Sobreviveriam nossas Teses de Doutorado à avaliação forjada dentro do Big Data, pautada em parâmetros globais de cientificidade? Bastaria aceite de revista com Fator de Impacto alto para que ela fosse considerada aprovada, sem a anuência explícita de uma comunidade universitária?

É claro que a ideia de especificidade de ciências não resiste à questão administrativa que estava presente no bureau dos administradores da biblioteca: qual a métrica para atender à distribuição de recursos – nem sempre tão parcos – solicitados por projetos científicos de diferentes comunidades?; ou mesmo, como justificar investimentos realizados – públicos ou privados – sem medir, a posteriori, seus impactos, facilitando procedimentos de accountability, sem os quais poderíamos ser interpretados como socialmente irresponsáveis, corporativistas, regionalistas, provincianos?

Para agravar o debate, hoje, tudo está na rede: a Ciência, as ciências, as métricas científicas, os patrocinadores, as empresas que consomem ciência, as empresas que vivem das métricas científicas, os veículos que difundem os conhecimentos, os cientistas e os cidadãos da aldeia global. Ou seja, hoje, permite-se a ilusão de uma visibilidade global. Ilusão porque os parâmetros com os quais vemos não são globais; não são passíveis de definição colaborativa; não estão disponíveis à reelaboração dos cientistas; estão sujeitos ao mercado a partir de preços fixados. Estamos diante de uma película em preto e branco que pode ser vista em cores segundo padrões estabelecidos por uma companhia de tintas. Diga-se de passagem, a tinta é produzida por abnegados coloristas que retiram seus insumos da natureza – física ou social – e desenvolvem seus produtos não recebendo nada por seu trabalho, a não ser o fato de ter suas tintas reconhecidas na película.

Medidores, avaliação e periódicos

Se esse é o mundo mensurável da ciência, como nos comportamos? Afinal, diga como você me mede que eu te digo como me comporto. Ou seja, se o padrão requerido para uma revista estar bem situada nos índices de produção científica for conter dez artigos por número, dos quais dois escritos em cirílico, dois em mandarim e o restante em qualquer língua desde que não seja inglês, que editor não sairia a buscar artigos em cirílico e em mandarim, vetando trabalhos escritos em inglês?

Todos queremos, honestamente, ter o trabalho produzido por nossas revistas bem avaliado e reconhecido pelo mundo acadêmico, porque revistas científicas – brasileiras ou não – têm peso importante na avaliação da produção de pesquisadores, principalmente daqueles que estão vinculados ao Sistema Nacional de Pós-Graduação. Todos queremos ter um lugar de destaque no Qualis, que por princípio deveria chamar-se Quantis, já que mede cada vez mais procedimentos estatísticos, situação frente a índices dentro de um universo percentual pré-definido, e menos conteúdos.

Ao entrarmos no mundo das avaliações concretas das revistas científicas a partir dos parâmetros que utilizamos na Educação, portanto, é preciso reconhecer que há avanços significativos no documento que a ANPED encaminha à coordenação de nossa área: buscar romper o circuito da competitividade; pensar a avaliação como instrumento formativo e processual; fortalecer os processos avaliativos e as equipes de avaliadores; equilibrar melhor os itens de avaliação; dar visibilidade ao processo de avaliação dando publicidade às fichas de avaliação; dar rigor e agilidade à elaboração do Qualis Periódicos e Livros; garantir a avaliação de início de período, salvo situação extrema; criar uma base de resumos e citações públicas com todos os periódicos brasileiros que permitisse gerar métricas de impacto das publicações; valorizar o trabalho de equipes editoriais e de pareceristas; definir os rumos da internacionalização, discutindo as tendências que se estabelecem no eixo Sul-Sul.

Para continuarmos avançando enquanto editores de periódicos de Educação, parece-me que seja necessário dar ênfase nos dois últimos pontos e questionar fortemente a questão das travas estatísticas dos extratos de avaliação, como forma de substituir a competição pela cooperação.

E o futuro

Tendo chegado do Primeiro Congresso Ibero-Americano de Revistas Científicas, que aconteceu na Cidade do México, de 02 a 04 de maio, na UNAM, poderia dizer que duas diretivas estão no horizonte. Uma de curtíssimo prazo vai ao encontro da produção de um índice mais próximo da Iberoamérica e que deve ser anunciada até o final de 2018. A outra, mais complicada, deve constituir-se como opção para nosso futuro de médio prazo – cinco anos – e propõe que os autores assumam as rédeas da divulgação inicial de seus textos. Em um grande mercado preprint, o papel das revistas científicas seria apenas avaliar e chancelar a publicação. Ou seja, não nos faltam desafios para pensar o futuro.

José Luís Bizelli

Coordenador Nacional do FEPAE

Editor da Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação

Professor da UNESP

 

FONTE: Anped – http://www.anped.org.br/news/deus-e-o-diabo-na-terra-da-edicao-brasileira-por-jose-luis-bizelli-unesp-coordenador-nacional