XI Colóquio”Desafios da Filosofia personalista para a Educação 4.0″

 

 

XI Colóquio em Ensaio

09/10/19

Desafios da Filosofia Personalista para a Educação 4.0

 

A centralidade da pessoa é a questão fundamental da Educação. A Filosofia que surge na antiguidade clássica grega faz essa descoberta, rompendo com o tipo de especulação até então existente em outras civilizações. Em qualquer época ou sociedade, a pessoa é preciosa e deve ser respeitada em sua dignidade. Na modernidade, a Filosofia Personalista se fortalece como linha filosófica, notadamente constituída por filósofos provenientes das discussões da Fenomenologia. O pensamento expresso na Filosofia Personalista ganha maior ênfase no final do século XX e nesse nosso século.

O mundo das tecnologias inimagináveis, as quais nos permitem o que parecia impossível até em sonhos, é a realidade de hoje na qual a pessoa vive. A Filosofia Personalista se apresenta como a principal referência que permite a reflexão crítica para a vivência responsável e livre nesse ambiente. São desafios da Filosofia Personalista a aproximação de cada ser humano aos meios inovadores sem que haja perda de sua essência e a manutenção dos valores morais relevantes.

 

Retratos da Escola

BNCC.jpgV. 13, n. 25 (2019)

A BNCC e a formação de professores: concepções,tensões, atores e estratégias

DOI: http://dx.doi.org/10.22420/rde.v13i25

Sumário

Sumário PDF

 

Retratos da Escola: compromisso com a educação pública PDF
7-10

Entrevistas

A BNCC e a formação de professores: os atores e os atos de resistência PDF
13-30

Dossiê BNCC e formação de professores: concepções, tensões, atores e estratégias

BNCC e formação de professores: concepções, tensões, atores e estratégias
Márcia Angela da Silva Aguiar, Luiz Fernandes Dourado
PDF
33-37

 

Fazendo a Base virar realidade: competências e o germe da comparação
Elizabeth Fernandes Macedo
PDF
39-58

 

Itinerários formativos na BNCC do Ensino Médio: identificações docentes e projetos de vida juvenis
Alice Casimiro Lopes
PDF
59-75

 

A BNCC da Educação Infantil e suas contradições: regulação versus autonomia
Ivone Garcia Barbosa, Telma Aparecida Teles Martins Silveira, Marcos Antônio Soares
PDF
77-90

 

A BNCC e o “novo” Ensino Médio: reformas arrogantes, indolentes e malévolas
Maria Luiza Süssekind
PDF
91-107

 

Educação com qualidade: um debate para além de atual
Emina Santos, Vivian de Lima Cabral
PDF
109-122

 

Impertinências entre trabalho, formação docente e o referencial de competências
Monica Ribeiro da Silva
PDF
123-135

 

BNCC e BNC da formação de professores: repensando a formação por competências
Ângela Cristina Alves Albino, Andréia Ferreira da Silva
PDF
137-153

 

O discurso curricular da proposta para BNC da formação de professores da educação básica
Isabel Maria Sabino de Farias
PDF
155-168

 

BNCC e privatização da Educação Infantil: impactos na formação de professores
Roselane de Fátima Campos, Zenilde Durli, Rosânia Campos
PDF
170-185

 

BNCC, AGENDA GLOBAL E FORMAÇÃO DOCENTE
Álvaro Moreira Hypólito
PDF
187-201

 

Base Nacional Comum Curricular: os discursos sobre a docência
Nathália Fernandes Egito Rocha, Maria Zuleide da Costa Pereira
PDF
203-217

Espaço Aberto

A Educação Integral na Região Sul do Brasil
Rosa Maria Bortolotti de Camargo, Rosane Carneiro Sarturi, Mônica de Souza Trevisan
PDF
219-237

 

Educação ambiental nos livros didáticos nos anos iniciais do Ensino Fundamental
Kely Cristina Enisweler, Sandra Jouris Dias, Elocir Aparecida Corrêa Pires, Vilmar Malacarne
PDF
239-258

 

A Lei do Piso e a jornada: o trabalho docente nos estados
Márcia Aparecida Jacomini, Juca Gil, Edimária Carvalho de Castro
PDF
259-273

 

Contratação de docentes na EJA no município do Rio de Janeiro
Carla da Mota Souza
PDF
275-288

Relato de Experiência

Proposta de ensino na Física: o lançamento de foguete
Hercília Alves Pereira Carvalho, Felipe Endo Arruda Nitsche, Shalimar Calegari Zanatta
PDF
291-304


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Ensaio 104

Educação e Sociedade

20190710_145425.jpgEnsaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação

versão impressa ISSN 0104-4036versão On-line ISSN 1809-4465

Ensaio: aval.pol.públ.Educ. vol.27 no.104 Rio de Janeiro julho/setembro 2019  Epub 10-Jul-2019

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620190003&lng=pt&nrm=iso

http://dx.doi.org/10.1590/s0104-40362019002701041

EDITORIAL

Educação e Sociedade

Érika Diasa  
http://orcid.org/0000-0002-5608-646X

Fátima Cunha Ferreira Pintob  
http://orcid.org/0000-0002-4461-8414

a Fundação Cesgranrio, Rio de Janeiro, RJ, Brasil – Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Brasília, DF, Brasil.

bFundação Cesgranrio, Rio de Janeiro, RJ – Academia Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, RJ – Academia Fluminense de Letras, Niterói, RJ, Brasil.

 

 

 

A educação é, desde a sua gênese, objetivos e funções, um fenômeno social, estando relacionada ao contexto político, econômico, científico e cultural de uma determinada sociedade. O ato de educar é um processo constante na história de todas as sociedades, não é o mesmo em todos os tempos e lugares, e é, em sua essência, um processo social. Além disso, educação e sociedade se correlacionam porque a primeira exerce forte influência nas transformações ocorridas no âmago da segunda.

A partir dessa concepção, pode-se deduzir que, embora a educação seja um processo constante na história de todas as sociedades, o processo educativo não é o mesmo em todos os tempos e em todos os lugares, e se acha vinculado ao projeto de cidadania e de sociedade que se quer ver emergir por meio desse mesmo processo.

A educação é, portanto, um processo social que se enquadra numa certa concepção de mundo, concepção esta que estabelece os fins a serem atingidos pelo processo educativo em concordância com as ideias dominantes numa dada sociedade. A educação não pode ser entendida de maneira fragmentada, ou como uma abstração válida para qualquer tempo e lugar, mas, sim, como uma prática social, situada historicamente, numa determinada realidade.

Posto isso, o número 104 da revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação apresenta aos seus leitores uma variada gama de artigos que discutem temas e objetos, os quais envolvem o fenômeno educativo e o meio social onde esse fenômeno ocorre.

As pesquisas e os ensaios aqui publicados abordam a qualidade de ensino, a inovação tecnológica, a educação ambiental, a identidade social, as políticas de ação afirmativa, o racismo e também a educação parental.

Partimos do pressuposto de que a educação exerce forte influência nas transformações da sociedade. A nosso ver, a educação reforça a capacidade crítica do indivíduo e atesta o grau de desenvolvimento de uma sociedade. Quanto mais desenvolvida ela for, mais facilmente se compreenderá o papel da educação. Também é lícito referir que, em virtude de uma maior capacidade de análise que os seus cidadãos têm, maior será a transmissão do conhecimento, maior o nível do debate e da consciência com os deveres e as responsabilidades na defesa e na promoção dos direitos humanos e sociais (PINTO; DIAS, 2018).

Neste número, contamos com artigos oriundos da Europa e da África, além das pesquisas de variadas regiões do Brasil. Os artigos abordam diferentes temáticas, temáticas estas que perpassam pelo Ensino Superior, pelo Ensino Fundamental e Médio, pelas tecnologias da informação e da comunicação, utilizadas por alunos e professores, pela qualidade de ensino em centros educativos, pela educação ambiental, pelo desempenho dos institutos federais no Brasil e pelas inovações no ensino secundário na Rússia.

Sempre foi importante para a revista Ensaio publicar artigos sobre pesquisas, vivências e experiências de outros espaços educacionais – fora das nossas fronteiras –, para que as realidades dos outros contribuíssem para uma melhor percepção da nossa sociedade e para uma melhor compreensão do nosso contexto educacional.

Assim, escolhemos iniciar o número 104 com uma pesquisa da África do Sul, intitulada “Unboxing ‘born-frees’: Freedom to choose identities”. Trata-se de uma investigação que analisou como estudantes “nascidos livres”, isto é, vinte anos após o fim do apartheid, compreendiam suas identidades. A pesquisa mostrou que alguns alunos expressavam otimismo pela liberdade, mas outros se sentiam constrangidos pela herança persistente do regime de segregação racial. O artigo se correlaciona com a obra de Paulo Freire, quando, na primeira edição, em 1996, no livro intitulado “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática Educativa”, fez uma reflexão acerca da educação, do preconceito e da democracia. Para Paulo Freire, a rejeição de qualquer forma de discriminação faz parte do que é certo. “A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia” (FREIRE, 2011, p. 17). A pesquisa demonstra que parte dos alunos, que não viveu o regime separatista, e que vive atualmente num país democrático, convive com os legados físicos deste mesmo regime – como a segregação geográfica – demonstrando que esses alunos sul-africanos não são tão diferentes de outros que precisaram resistir à implementação do regime e falharam. Ivo e Ivanio Dickmann, ao analisarem a obra de Freire, referem que para o autor ninguém tem liberdade para ser livre, há uma luta permanente pela liberdade justamente porque não a tem (Dickmann, Dickmann, p. 28). O texto segue a mesma linha de pensamento no que tange à compreensão do aluno sobre ser livre.

Da região Sudeste do Brasil, recebemos o artigo “Como o acesso à educação desmonta o mito da democracia racial”, demonstra como este mito já não pode mais ser sustentado, quando tantos dados mostram a exclusão do negro nos níveis mais altos de ensino, nos postos mais altos das organizações, ou mesmo sua predominância no sistema penitenciário do país. As relações raciais no Brasil são sim discriminatórias. A negação do racismo apenas perpetua as injustiças sociais em relação aos negros no país. A educação e as políticas públicas passam a ser peça fundamental para a diminuição das desigualdades sociais, econômicas e regionais, indispensáveis para um verdadeiro Estado de direito democrático e social. Nesse sentido, as políticas afirmativas adquirem relevância, tendo em vista a ideia de igualdade de oportunidades e de sua respectiva concepção de mérito, não se mostrar suficiente para a redução da desigualdade. A Educação, mais uma vez, surge como ferramenta de transformação social (BORDIEU, 1987). A educação modifica a realidade social.

Ainda no âmbito do Ensino Superior, publicamos uma pesquisa oriunda da região Centro-Oeste do Brasil, intitulada “Jovens universitários em silêncio no mundo das informações: casos de liberação”, que investigou estratégias de superação da lógica de violência, exclusão e silêncio, aos quais estão submetidos os jovens universitários. A investigação concluiu que os momentos de superação destes indivíduos, que entram nas universidades muito jovens, são potenciais estratégias educacionais transformadoras, que levam do discurso à prática, da opressão à esperança.

Da Espanha chega-nos um artigo intitulado “ Las Educadoras y Educadores Sociales ante la Sociedad, red”, com os resultados de uma investigação sobre o grau de competência digital autopercebida pelos futuros Educadores Sociais, a fim de identificar o quê os educadores conhecem, se sabem manejar as ferramentas tecnológicas, qual a atitude que os educadores têm em relação às TICs, objetivando compreender o desenvolvimento profissional dos educadores e educadoras numa sociedade digital, cada vez mais em rede.

Do Rio Grande do Sul, apresentamos os resultados de uma pesquisa intitulada “Percursos escolares de estudantes do ensino médio de escolas públicas do município de São Leopoldo, RS: desempenho escolar, perfil e características”. A pesquisa analisou os percursos escolares de estudantes do ensino médio, por meio da identificação de perfis que interferem nas desigualdades escolares, especialmente de fluxo escolar, levando à aprovação, à reprovação e ao abandono escolar. Por meio de um estudo quantitativo, a pesquisa identificou evidências que permitem afirmar que as diferenças de perfis associadas às características dos estudantes de escolas públicas relacionam-se com a produção de desigualdades educacionais e sinalizam, além disso, situações de vulnerabilidades sociais que se reproduzem nos espaços escolares. O estudo notou que, nas escolas públicas pesquisadas, há diferenças singulares entre os estudantes do ensino médio diurno e noturno.

De um contexto educacional diferente do nosso, oriundo da Espanha, publicamos um artigo intitulado “Procesos de mejora en los centros educativos: ejemplificación de tres campos de análisis e innovación docente”. Pesquisadores de Madri fizeram um estudo relevante no âmbito do ensino fundamental, cujos resultados contribuem para o debate pedagógico internacional. Por meio de uma pesquisa bibliográfica, analisaram a questão da qualidade do ensino em centros educativos na Espanha. Concluíram que, para que a tão almejada eficácia escolar seja alcançada, é preciso levar em conta o contexto socioeconômico das famílias, o momento histórico, a realidade política, os processos culturais, o professor, as características dos alunos, entre outros fatores. Para os pesquisadores, as medidas para melhorar a qualidade do ensino devem ser combinadas, a partir de aspectos econômicos, políticos e socioeducativos, de forma clara. Em segundo lugar, é preciso favorecer as escolas que são permeáveis à participação real das famílias, flexívies e abertas à mudança e melhoria dos currículos e da didática. E, por último, deve ser promovida uma formação inicial e permante de professores de qualidade, permitindo-lhes compreender a magnitude existente entre o social, a aprendizagem e a emoção. Professores que compreendam a importância de gerar processos educativos integrais, baseados na interdependência entre o cognitivo e o emocional, entre o analítico e o criativo, entre o intelectual e o lúdico.

Da Rússia, chega-nos um texto que reflete sobre a resistência de professores a inovação tecnológica e mostra ao leitor como essa inovação é relevante para a modernização e melhoria da qualidade do ensino secundário naquele país. O artigo intitula-se “Major factors of teachers” resistance to innovations” e a abordagem ampla da pesquisa permitiu identificar fatores sociais, psicológicos e profissionais que predeterminavam a resistência dos professores às mudanças. O estudo conclui que a modernização no treinamento dos professores, uma contínua formação, contribuiu significativamente para acelerar o processo e aumentar a eficiência pedagógica.

Da Universidade Católica de Brasília, publicamos o artigo intitulado “O uso de indicadores para avaliação qualitativa de projetos educativos socioambientais: a gestão participativa no ambiente escolar”. O artigo discutiu os novos paradigmas educacionais, voltados para o desenvolvimento sustentável, a fim de se construir um novo modelo de escola, a partir da interação mais eficaz de todos os envolvidos no processo educacional – alunos, família e sociedade. Os autores concluem que é imperativo trabalhar também a interdisciplinaridade junto com o planejamento e o desenvolvimento dos sistemas educativos. No entendimento dos autores, seria preciso que os formuladores e executores de políticas públicas em educação tivessem consciência de uma nova concepção de educação que incluísse uma visão mais ampla do planeta, cujos recursos, fundamentais para a vida precisavam ser administrados com ética e responsabilidade coletiva.

Do Nordeste, apresentamos o artigo intitulado “O que mudou no desempenho educacional dos Institutos Federais do Brasil?”. A pesquisa investigou os diferentes níveis de proficiência obtidos por esses institutos no Enem e concluiu que o desempenho foi positivo quando os institutos foram avaliados como redes de ensino, bem como, quando foram avaliados em contextos que preservavam as características individuais de suas unidades.

Na seção Página Aberta, publicamos um artigo oriundo de Portugal, intitulado “O valor das práticas de educação parental: visão dos profissionais”. Pesquisa na qual os autores procuraram demonstrar a relevância da educação parental num contexto de redução de disponibilidade do apoio comunitário e da família tradicional, antes alargada. Procuraram entender como esses profissionais são um apoio às famílias e apresentam-se como uma valiosa medida de auxílio às competências parentais que têm as necessidades de pais e filhos no centro das suas atuações. A amostra do estudo foi constituída por 180 profissionais, que atualmente trabalham em Portugal, na área da educação parental. Os resultados mostraram que a formação em nível avançado se tornou uma componente relevante na valorização das práticas de educação parental por parte dos profissionais, o que implica atualmente a necessidade de uma resposta das instituições de ensino superior com cursos de formação profissional para tal área.

As pesquisas que ora publicamos, com uma grande variedade temática, demonstram que a educação continua a ser uma ferramenta para a transformação das mais distintas sociedades. A leitura dos artigos, oriundos do Brasil, Espanha, Portugal e Rússia, fará o leitor refletir sobre a formação de professores, o investimento em inovação tecnológica, o respeito às diferenças, a luta contra o preconceito, a relevância dos profissionais da educação – sejam eles professor, pesquisador ou profissional da educação parental -, e sobre a qualidade de ensino que queremos nas nossas escolas e universidades. Concordamos com Ana Ivenicki quando refere que,

A ressignificação das políticas na vida das escolas e em outras instituições educacionais passa a ser percebida como aquela em que os potenciais de todos são incentivados, focalizando os atores educacionais como protagonistas de um movimento que desafie preconceitos, assédios e quaisquer formas de violência, racismos, sexismos, bullying e outros abusos, de modo a que se contribua para a formação de identidades comprometidas com direitos humanos, com a pluralidade e com valores democráticos de cidadania. (IVENICKI, 2019, p. 2)

A continuação de políticas públicas voltadas a escolas, grupos vulneráveis, no Brasil e fora do Brasil, é necessária e precisa tornar-se realidade na pluralidade institucional, em nível micro e macro, a fim de que a educação possa cumprir o seu papel de agente transformador da sociedade.

REFERÊNCIAS

BORDIEU, P. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 1987. [ Links ]

DICKMANN, Ivo; DICKMANN, Ivanio. Primeiras palavras em Paulo Freire. 3ª ed., Chapecó: Editora Livrologia, 2019. [ Links ]

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed., São Paulo: Paz e Terra, 2011. [ Links ]

IVENICKI, A. A escola e seus desafios na contemporaneidade. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro , v. 27, n. 102, p. 1-8, mar. 2019 . https://doi.org/10.1590/s0104-40362018002700001 [ Links ]

PINTO, F. C. F.; DIAS, E. Educação e pesquisa. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro , v. 26, n. 100, p. 505-8, jul. 2018 . https://doi.org/10.1590/s0104-40362018002610001 [ Links ]

Informação das autoras

Érika Dias: Doutora em História Moderna pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). Editora da revista Ensaio: avaliação e políticas públicas em Educação; pesquisadora correspondente do Centro de História de Humanidades da UNL e consultora da Unesco Brasil no âmbito do Projeto Resgate Barão do Rio Branco. Contato: erikadias@cesgranrio.org.br

Fátima Cunha Ferreira Pinto: Doutora em Filosofia, com Pós-Doutorado pela Universidad Nacional de Educación a Distância. Editora da revista Ensaio: avaliação e políticas públicas em Educação; assessora Especial da Presidência e dos Projetos Especiais da Fundação Cesgranrio; membro da Academia Brasileira de Educação (ABE) e da Academia Fluminense de Letras (AFL). Contato: fatimacunha@cesgranrio.org.br

Como acontecem as mudanças nos livros de alfabetização do PNLD e quais usos os professores fazem desse recurso em sala de aula?

Eliana Borges Correia de Albuquerque, Professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE, Brasil

Andrea Tereza Brito Ferreira, Professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE, Brasil

O artigo “Programa nacional de livro didático (PNLD): mudanças nos livros de alfabetização e os usos que os professores fazem desse recurso em sala de aula”, publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 27, n. 103), revelou que esse programa vem se apresentando, até as últimas edições, como uma política de grande contribuição para a democratização do acesso ao conhecimento a milhares de alunos, assim como para a melhoria do trabalho pedagógico dos professores (experientes e novatos) que atuam nas diversas redes públicas de ensino. Com base na análise dos dados dessa pesquisa, realizada em 2013,  foi identificado mudanças significativas nos critérios de avaliação dos livros didáticos de alfabetização, o que indica que, desde 2007, tais critérios estão baseados em uma concepção de escrita como sistema notacional (e não como código) e na importância de se considerar a relação entre alfabetização e letramento, com vistas a garantir que os alunos se apropriem da escrita alfabética por meio de atividades lúdicas e reflexivas, ao mesmo tempo em que são inseridos em práticas de leitura e produção de textos diversos.

Diante das inovações teóricas no campo da alfabetização e da própria institucionalização do Programa Nacional do Livro Didático – PNLD, os livros didáticos de alfabetização têm passado por alterações. Pesquisas (CASTANHEIRA; EVANGELISTA, 2002; SILVA, 2005) apontaram, no entanto, que, mesmo com as mudanças, muitos professores apresentavam dificuldades no uso dos livros recomendados pelo referido Programa, e alegavam, como justificativa, que eles apresentavam textos longos e não ajudavam no processo de alfabetização. Por meio da análise de resenhas publicadas nos Guias do PNLD 2007, 2010 e 2013, referentes a três coleções aprovadas, observamos que houve mudanças nas propostas relacionadas à apropriação da escrita alfabética, principalmente entre os PNLD 2010 e 2013, com a presença de atividades mais reflexivas, que exploravam a relação entre pauta sonora e escrita. Tais mudanças parecem relacionar-se, por um lado, com as mudanças nos critérios de avaliação (presentes nas fichas de avaliação) e, por outro, com as críticas presentes nas resenhas que servem, de certa forma, de orientações para a revisão das propostas submetidas a edições seguintes do PNLD.

A análise de entrevistas realizadas com 24 professores do 1º ano do Ensino Fundamental de três redes públicas de ensino de Pernambuco revelou que o PNLD tem contribuído com a disponibilização de materiais que ajudam na organização das práticas de alfabetização dos professores, mas que vão além do livro didático e envolvem acervos de obras complementares (livros literários e para didáticos) e dicionários. Com isso, o livro didático deixou de ser o único ou principal material usado na prática dos professores e tem sido utilizado por meio de diferentes estratégias junto a outros materiais pedagógicos.

O PNLD, portanto, como vem se apresentando até as últimas edições, contribui para a melhoria do trabalho pedagógico dos professores (experientes e novatos) que atuam nas diversas redes públicas de ensino. Preocupado não só com a distribuição, mas com a avaliação dos livros didáticos disponibilizados para escolha dos professores, tem funcionado como indutor de mudanças e exercido um papel importante na melhoria desse material.

Referências

CASTANHEIRA, M. L. and EVANGELISTA, A. A. M. Processo de escolha, recebimento e uso de livros didáticos nas escolas públicas do País. In: ANPED, 25., 2002. Anais… , Caxambu, 2002. p. 114.

SILVA, C. S. R. Formas de uso dos novos livros de alfabetização: por que os professores preferem os métodos tradicionais? In: COSTA VAL, M. das G.; MARCUSCHI, B. (Org.). Livros didáticos de língua portuguesa: letramento e cidadania. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

Para ler o artigo, acesse

ALBUQUERQUE, E. B. C. and FERREIRA, A. T. B. Programa nacional de livro didático (PNLD): mudanças nos livros de alfabetização e os usos que os professores fazem desse recurso em sala de aula. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., v. 27, n. 103, p. 250-270, 2019. ISSN: 0104-4036 [viewed 15 May 2019]. DOI 10.1590/s0104-40362019002701617. Available from: http://ref.scielo.org/mm2dsw

Link externo

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

ALBUQUERQUE, E. B. C. and FERREIRA, A. T. B. Como acontecem as mudanças nos livros de alfabetização do PNLD e quais usos os professores fazem desse recurso em sala de aula? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2019 [viewed 24 June 2019]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2019/06/18/como-acontecem-as-mudancas-nos-livros-de-alfabetizacao-do-pnld-e-quais-usos-os-professores-fazem-desse-recurso-em-sala-de-aula/

Como acontecem as mudanças nos livros de alfabetização do PNLD e quais usos os professores fazem desse recurso em sala de aula?

 

PRESS RELEASE | Entre a democracia e o patrimonialismo: pesquisa discute a gestão da escola pública no Brasil

Ângelo Ricardo de Souza
Doutor em Educação pela PUC-SP,
Professor e Pesquisador do Núcleo de Políticas
Educacionais e do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Universidade Federal do Paraná,
Curitiba, PR, Brasil

O artigo “As condições de democratização da gestão da escola pública brasileira”, publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 27, n. 103), apresenta e discute elementos que a literatura tem indicado como aspectos que potencialmente contribuem para a constituição, organização e gestão democrática (GD) das escolas públicas, aproximando-se assim do cumprimento do disposto no artigo 206 da Constituição Federal (CF) de 1988 (SOUZA, 2009).

A análise lidou com os questionários aplicados aos diretores escolares por ocasião do SAEB de 2003 e a da Prova Brasil de 2015, comparando os resultados e a movimentação dos principais indicadores de GD ao longo deste período, e tomando uma metodologia de indicadores já testada na área (SOUZA et al., 2011).

O estudo indica que as regiões Norte e Nordeste ainda apresentam os piores indicadores e as regiões do centro-sul brasileiro, os melhores. Contudo, em geral, o Brasil tem crescido nas condições de democratização da gestão das escolas, em especial no que tange ao ambiente escolar democrático (SOUZA, 2019).

É certo que o princípio democrático que foi inserido na CF de 1988 para a gestão das escolas públicas hoje não encontra o mesmo contexto, mas a pesquisa mostra que as escolas avançaram na constituição de mecanismos mais coletivos para a sua gestão, contudo, subsumidos à centralização do poder e da política local à figura do diretor escolar, o qual, após um período em que as redes de ensino admitiram sua escolha por eleições diretas, vem sendo suprido para o cargo, por meio, dominantemente, de indicações políticas.

Por isto, as formas de provimento democráticas da direção escolar parecem perder força, uma vez que a ênfase recai sobre a utilização de modelos menos democráticos e que enfatizam a vinculação política e eleitoral do diretor escolar com o governo vigente, de forma a se tratar, ao que parece, de uma retomada de modelo patrimonialista da gestão pública no Brasil.

Referências

SOUZA, Â. R. de. Explorando e construindo um conceito de gestão escolar democrática. Educ. rev., v. 25, n. 3, p. 123-140, 2009. ISSN: 0102-4698 [viewed 9 May 2019]. DOI: 10.1590/S0102-46982009000300007. Available from: http://ref.scielo.org/3q7jz3

SOUZA, A. R., GOUVEIA, A. B. and SCHNEIDER, G. Índice de condições de qualidade educacional: metodologia e indícios. Est. Aval. Educ., v. 22, n. 48, p. 115-136, 2011. ISSN: 1984-932X [acessado 9 maio 2019]. DOI: 10.18222/eae224820111999. Available from: http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/eae/arquivos/1631/1631.pdf

Para ler o artigo, acesse

SOUZA, Â. R. de. As condições de democratização da gestão da escola pública brasileira. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., v. 27, n. 103,  p. 271-290, 2019. ISSN: 0104-4036 [viewed 9 May 2019]. DOI: 10.1590/s0104-40362018002601470. Available from: http://ref.scielo.org/7vbmhq

Acesse Ensaio no SciELO

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio

 

Fonte:
Entre a democracia e o patrimonialismo: pesquisa discute a gestão da escola pública no Brasil [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2019 [viewed 17 June 2019]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2019/06/12/entre-a-democracia-e-o-patrimonialismo-pesquisa-discute-a-gestao-da-escola-publica-no-brasil/

X Colóquio “A Educação na quarta revolução industrial”

Colóquios em Ensaio

Professor Paulo Alcântara Gomes – palestrante

Professor Rivo Gianini de Araújo – mediador

 

O X colóquio promovido pela revista Ensaio ocorreu na Fundação Cesgranrio no dia 15 de maio. O evento contou com um público formado por professores, pesquisadores, alunos e educadores. O professor Paulo Alcântara dissertou sobre como a Educação pode ser um agente modificador no século XXI, auxiliando empresas a lidar com os novos parâmetros resultantes da quarta revolução industrial: inovação, empreendedorismo e conhecimento.