O mercado da competência linguística e o nível socioeconômico

Kaizô Iwakami Beltrão, Professor Titular da EBAPE/FGV e Chefe da Estatística do Departamento Acadêmico da Fundação Cesgranrio, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

A literatura está repleta de estudos que mostram que a competência linguística é um fator essencial para o sucesso na vida escolar, e mais tarde, para o sucesso na vida laboral. Grande parte do sucesso no manejo da língua oral e escrita é uma herança familiar. Mas, será que esta herança ainda é importante nos níveis mais altos de ensino?

Diferentemente do senso comum de uma escola equalizadora, Bourdieu e Passeron (1970) defenderam a tese de que a escola seria o principal locus para legitimar e perpetuar as diferenças de classe. Isso é reforçado pelos múltiplos testes de proficiência utilizados para monitoramento de políticas públicas, que privilegiam o uso da linguagem formal como parte dos instrumentos e, portanto, penalizam os participantes com menor domínio da língua. No mercado de trabalho, exames e entrevistas pessoais também privilegiam a linguagem formal.

O texto “Effects of social class on the use of written language: does it extend into Brazilian higher education?” publicado no v. 20 n 112 da na revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação procura responder a questão se há um efeito estatisticamente significativo de classe social no manejo da linguagem formal. Utilizando dados dos exames do Enade, foram ajustados modelos hierárquicos para as notas de desempenho linguístico (português), usando como covariáveis, indicadores da condição socioeconômica e autonomia financeira dos alunos e valores médios dessas variáveis para as áreas de conhecimento. O desempenho linguístico é desagregado em três aspectos: textual, ortográfico e vocabulário/morfossintático.

Imagem: Adobe Stock.

Classes sociais mais altas apresentaram maior proficiência no componente linguístico do Enade, mesmo controlando pela média do nível socioeconômico e da autonomia financeira dos alunos da área. O efeito classe social não é tão forte quanto em níveis educacionais mais baixos, mas universitários constituem um grupo social homogêneo que já passou por uma seleção (só 17,4% da população de 25 anos ou mais tem curso superior). Isso reforça a tese de Bourdieu (1966) de que por meio do capital social, cultural e econômico ainda prevalece o domínio das classes mais ricas sobre as classes mais populares, reforçando a desigualdade.

O comentário final é o óbvio: É importante implementar políticas com foco específico na eliminação destas desigualdades educacionais, em particular, nas competências ligadas ao manejo da linguagem formal. Disponibilizar educação para todos não pode ser suficiente, há que se disponibilizar educação de qualidade para todos.

Referências

BOURDIEU, P. L’école conservatrice: Les inégalités devant l’école et devant la culture. Revue française de sociologie [online]. 1996, vol.07, no.03, pp. 325-347 [viewed 26 July 2021]. Available from: https://www.persee.fr/doc/rfsoc_0035-2969_1966_num_7_3_2934

BOURDIEU, P. and PASSERON, J. C. La reproduction. Éléments d’une théorie du système d’enseignement. Paris: Minuit, 1970.

Relatório Formação Geral – Desempenho Linguístico Enade 2019 [online]. INEP. 2019 [viewed 26 July 2021]. Available from: https://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/relatorio_sintese/2019/Enade_2019_Relatorios_Sintese_Area_Formacao_Geral_-_Desempenho_Linguistico.pdf

Relatório Formação Geral – Desempenho Linguístico Enade 2018 [online]. INEP. 2019 [viewed 26 July 2021]. Available from: http://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/relatorio_sintese/2018/Formacao_Geral_Desempenho_Linguistico.pdf

Para ler o artigo, acesse

BELTRÃO, K. I., et al. Effects of social class on the use of written language: does it extend into Brazilian higher education? Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação [online]. 2021, vol.29, no.112, pp.618-6432019 [viewed 26 July 2021]. https://doi.org/10.1590/S0104-403620210002903156. Available from: http://ref.scielo.org/8n53nq

Links Externos

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio

Fórum termina com debates os preparativos para a Conferência Nacional de Educação

Fonte: Ministério da Educação

Foi encerrado nesta terça-feira, 20, o Fórum Nacional de Educação (FNE), que antecede as primeiras etapas da Conferência Nacional de Educação (Conae) agendada para 2018. Reunindo representantes da sociedade civil e do poder público, o evento promoveu debates sobre os temas da próxima edição da Conae: a consolidação do Sistema Nacional de Educação (SNE) e o Plano Nacional de Educação (PNE). Monitoramento, avaliação e proposição de políticas para a garantia do direito à educação de qualidade social, pública, gratuita e laica foram alguns dos temas discutidos.

A secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, abriu os trabalhos da conferência, lembrando que “a educação pública brasileira é o principal objetivo da luta da equipe do Ministério da Educação”. Ela defendeu um “diálogo franco, aberto e respeitoso”, de forma que prevaleçam “as diferenças e o pluralismo de ideias”.

Já o coordenador do FNE, Heleno Araújo, explicou que entre as definições que devem ser encaminhadas pelo Fórum está a criação de um documento de referência para orientar as conferências municipais previstas para março de 2017.

“Esse trabalho que nós discutimos aqui foi para organizar a atuação do FNE e tomar as providências necessárias para que até o final do ano o documento referência esteja pronto e em condições de iniciar a etapa municipal em março do ano que vem”, observou Heleno, ao explicar que o monitoramento do Plano Nacional de Educação e a organização da Conae são atribuições do FNE, realizadas a cada quatro anos.

Baixe o aplicativo do Enem e fique por dentro do exame

Fonte: Portal Brasil

Além de facilitar o contato com os participantes, a ferramenta auxilia a organização pessoal e o cumprimento de prazos

Os estudantes que estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) contam com aplicativo para acompanhar todas as informações sobre as etapas do teste. A ferramenta pode ser instalada nas plataformas Android, iOS e Windows Phone, em smartphones e tablets.

O aplicativo foi desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Além de facilitar o contato com os participantes, ele auxilia na organização pessoal e no cumprimento de prazos, com dados sobre a situação da inscrição, cronograma, locais de provas, cartão de confirmação, gabaritos e resultados das provas. Continue Lendo “Baixe o aplicativo do Enem e fique por dentro do exame”

Banco de avaliadores recebe inscrições até 31 de agosto

Fonte: Ministério da Educação

O Ministério da Educação reabriu, até 31 de agosto, as inscrições para o Banco de Avaliadores dos Programas Nacionais do Livro e da Leitura e de Conteúdos de Recursos Educacionais Digitais. O cadastro reúne profissionais habilitados a participar das equipes de avaliação pedagógica de obras didáticas, literárias, outros materiais de apoio à prática educacional dos programas do livro e da leitura e dos conteúdos de recursos educacionais digitais.

O Banco de Avaliadores será utilizado como base para a identificação de professores capacitados para apoio na elaboração de editais, participação em comissões ou atuação como recursista.  O cadastro será válido para todos os processos de avaliação no âmbito da Secretaria de Educação Básica (SEB) para o ano de 2016.

Podem se inscrever professores dos quadros das redes públicas de ensino, bem como professores das instituições de educação superior, com formação e experiência profissional nas áreas de educação infantil, língua portuguesa, língua estrangeira moderna (inglês e espanhol), arte, matemática, biologia, física, química, história, geografia, filosofia e sociologia.

Os profissionais interessados deverão fazer o cadastro na página do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec).

Mais informações podem ser encontradas na Portaria nº 51, de 16 de dezembro de 2015, e no edital de chamada pública nº 13/2016.

MEC lança programa de TV e site para preparar candidatos para o Enem

Fonte: O Globo

‘Hora do Enem’ trará vídeos com conteúdos para o Exame e resolução de exercícios

BRASÍLIA E RIO — O ministro Aloizio Mercadante e a presidente Dilma Rousseff lançaram, nesta terça-feira, o portal “Hora do Enem”, um espaço interativo na internet voltado para alunos da última série do ensino médio. Na página, eles terão planos individualizados de estudo, vídeos com aulas, dicas de como se preparar para o exame e quatro simulados até o final do ano. O primeiro será aplicado em 30 de abril. O Ministério da Educação também lançou um programa com o mesmo nome, que será exibido na TV Escola.

O portal poderá ser acessado pelos cerca de 2,2 milhões de alunos das redes pública e privada que estão na reta final do ensino médio. As aulas ficarão disponíveis em uma plataforma batizada de Mecflix, numa alusão ao canal de filmes e séries online, Netflix, com estreia prevista para 30 de abril. A cada simulado feito por meio da página na internet, o estudante terá acesso à própria pontuação e à nota de corte do curso desejado para, dessa forma, gerenciar melhor os estudos.

– Ele poderá construir uma estratégia sobre qual curso quer entrar em função do desempenho nos simulados – explicou Mercadante. Continue Lendo “MEC lança programa de TV e site para preparar candidatos para o Enem”

Governo vai criar novo exame de certificação de ensino médio

Fonte: O Globo

Avaliação acontecerá em junho, e não substitui o Enem, informou ministério

Brasília — O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta terça-feira a criação de um novo exame para fornecer a certificação de conclusão do ensino médio. Segundo o ministro Aloízio Mercadante, a avaliação, que será “mais leve” que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), atenderá, principalmente, a alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A prova, que não terá validade para o ingresso em universidades públicos, acontecerá em junho, mas a data exata ainda não foi divulgada.

— Esse exame vai motivar muito os alunos do EJA, será um exame mais adequado para eles. O Enem é muito pesado para quem está apenas se certificando— afirmou o ministro.

Mercadante deixou claro que o Enem, principal porta de entrada no ensino superior do país, continuará sendo realizado anualmente. Como se sabe, o Enem é aplicado durante dois dias, durante os quais os estudantes têm que resolver 180 questões de múltipla escolha e fazer uma redação. As datas da prova deste ano ainda não foram divulgadas.

Ao realizar o Enem, os estudantes buscam a certificação da conclusão do ensino médio, mas, principalmente, vagas em universidades públicas. O novo exame oferecerá somente a certificação.

Evasão do ensino médio

O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa na qual o ministério divulgou dados do Censo da Educação Básica de 2015. Também no evento, o governo informou que vai lançar, no início de abril, um programa de busca ativa por 1,6 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos que deixaram a escola. De acordo com Aloizio Mercadante, a proposta é formar uma força tarefa com os governos estaduais para localizar esses jovens e incentivá-los a voltar às salas de aula. O projeto incluiria ainda equipes de saúde da família e assistência social.

Dados do Censo Escolar devem ser preenchidos até 1º de abril

Fonte: Ministério da Educação

Diretores e responsáveis por instituições de ensino, públicas e particulares, de educação básica têm até 1º de abril próximo para coletar informações sobre rendimento escolar (aprovação, reprovação e abandono). Esta é a segunda etapa do Censo Escolar de 2015, iniciada na segunda-feira, 15.

Os dados estarão disponíveis para conferência dos gestores estaduais e municipais de educação em 15 de abril, no sistema on-line Educacenso do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). As escolas terão 15 dias para conferir ou corrigir as informações, caso seja necessário. O preenchimento das informações é de responsabilidade dos diretores e dirigentes das escolas públicas.

A partir das informações coletadas pelo Censo é possível formular, implementar, monitorar e avaliar políticas públicas de educação. Com base nos dados, são executados os programas governamentais na área. Além disso, o levantamento serve de subsídio para análises e estudos sobre as características da educação básica pública e particular no Brasil.

O Censo Escolar é um levantamento de dados estatístico-educacionais de âmbito nacional, realizado todos os anos. Coordenado pelo Inep, é produzido com a colaboração das secretarias estaduais e municipais de educação e com a participação de todas as escolas públicas e particulares do país.

Em 2014, o Censo registrou 49,8 milhões de matrículas na educação básica brasileira e 188.673 escolas — 79% públicas e 21% particulares.

Os diretores e responsáveis por instituições de ensino devem preencher os dados na página do Educacenso na internet. Mais informações na Portaria do Inep nº 43, de 27 de janeiro de 2016.

Fies 2016 não vai privilegiar Norte e Nordeste e sim locais de baixo IDH

Fonte: O Estado de S. Paulo

O setor de educação traçou, em reunião com o Ministério da Educação na sexta-feira (4), novos critérios para distribuição de vagas do programa de financiamento Fies em 2016. O Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior) informou que, entre as alterações, está o fim da regra que privilegia cursos nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) passa a ser utilizado para privilegiar regiões carentes.

De acordo com o Semesp, o MEC não vai mais usar como critério a macrorregião, mas sim as microrregiões que têm os piores indicadores de IDH. Também será levado em conta no cálculo da distribuição de vagas por curso e instituição de ensino o número de alunos de cada microrregião que realizou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e a demanda por Fies em cada localidade.

Em um vídeo destinado a orientar os proprietários de universidades, o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, afirmou que o uso do Enem como critério visa levar em conta o potencial de alunos que cada região tem para ingressar no ensino superior.

Diferente do processo do Fies no segundo semestre de 2015, o MEC não vai mais levar em conta o histórico das instituições de ensino no preenchimento de vagas no Fies. Esse foi um critério questionado pelo setor sob acusações de que houve “reserva de mercado” para grandes grupos que já tinham um número alto de vagas no Fies nos últimos anos.

Capelato afirmou que continua valendo o uso do critério de cursos em áreas prioritárias. Cursos de saúde, pedagogia e engenharias serão privilegiados, mas, em 2016, o MEC irá introduzir ainda um peso maior para cursos vistos como mais estratégicos, caso da medicina.

O Semesp informou ainda que o MEC reforçou nas conversas que não pretende adotar em 2016 o limite para reajuste nas mensalidades do Fies usado em 2015. A expectativa é de que cerca de 300 mil novas vagas no programa sejam ofertadas no próximo ano.

MEC vai lançar Sisu para preencher 150 mil vagas remanescentes

Fonte: UOL

O Ministério da Educação (MEC) vai lançar um Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para preencher 150 mil vagas remanescentes – 100 mil delas só em universidades federais. A decisão se deu após análise do Censo da Educação Superior 2014, divulgado nesta sexta-feira, 4, apontar um número expressivo de vagas ociosas.

O ministro Aloizio Mercadante informou que, a partir do ano que vem, os repasses do MEC às universidades não serão mais em função do número de vagas, mas sim do total de matrículas efetivadas. “Por isso estamos confiantes na adesão voluntária em massa das instituições. Quanto mais vagas ocupadas, maiores serão suas receitas.”

Atualmente, disse ele, as vagas remanescentes são ocupadas de forma descentralizada, por iniciativas das próprias instituições. A nova plataforma deve entrar no ar depois do Sisu “clássico”, previsto para janeiro. Há a possibilidade de que seja somente após os resultados do ProUni e do Fies.

No dia 17, o MEC vai se reunir com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para definir os critérios da seleção. Além da nota no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), deve ser levado em conta ao desempenho acadêmico do candidato e avaliação do curso no qual ele está matriculado – para os casos de alunos que queiram migrar da rede privada para a pública, por exemplo. A região original do candidato também poderá ser um critério de admissão. Por fim, se ainda sobrar lugar, a ideia é abrir o sistema a pessoas já graduadas, que estejam buscando um segundo diploma.

De acordo com o Censo da Educação Superior, há 114 mil vagas remanescentes na rede federal, 36 mil na rede estadual e 26 mil na municipal. Todas as instituições públicas poderão se credenciar para disponibilizar suas vagas no novo Sisu.