Lançamento: Ensaio 102

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Ensaio 102 (foto: Luíza Gueiros)

Já se encontra disponível o primeiro exemplar impresso de 2019 da revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação. O número 102 conta com os seguintes artigos, disponíveis também na página da Ensaio no SciELO: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620190001&lng=pt&nrm=iso

EDITORIAL:

·  A Escola e seus Desafios na Contemporaneidade
Ivenicki, Ana
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=pt )

ARTIGOS:

·  Conflitos em escolas públicas em Portugal: análise de um programa de governo
Martins, Ângela MariaAlves, Mariana Gaio
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt )

·  Dos castigos escolares à construção de sujeitos de direito: contribuições de políticas de direitos humanos para uma cultura da paz nas instituições educativas
Carvalho, Maria Elizete GuimarãesMorais, Grinaura Medeiros deCarvalho, Bruna Katherine Guimarães
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100024&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt )

·  O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa em ação: revisão de literatura
Alferes, Marcia AparecidaMainardes, Jefferson
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100047&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt )

·  Um modelo de formação orientada ao pessoal de licenciaturas do perfil técnico para as indústrias de alta tecnologia
Saveleva, Nataliya Nikolaevna
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100069&lng=pt&nrm=iso&tlng=en )

·  A experimentação pedagógica territorial e a democratização do sistema educacional. Lições do Plano Experimental de Educação Rural de San Carlos (1944–1947)
Rubio, GracielaOsandón, LuisQuinteros, Francisca
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100088&lng=pt&nrm=iso&tlng=es )

·  Rede regionais para acreditação e avaliação da qualidade da educação superior
Santos, Margareth Guerra dosLeite, Denise
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100108&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt )

·  Modelos para a integração pedagógica de tecnologias de informação e comunicação: uma revisão da literatura.
Sosa, Olga GonzálezManzuoli, Cristina Hennig
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100129&lng=pt&nrm=iso&tlng=en )

·  Taxas longitudinais de retenção e evasão: uma metodologia para estudo da trajetória dos estudantes na educação superior
Lima Junior, PauloBisinoto, CynthiaMelo, Nilce Santos deRabelo, Mauro
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100157&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt )

·  Professores: quem são, onde trabalham, quanto ganham
Hirata, GuilhermeOliveira, João Batista Araujo eMereb, Talita de Moraes
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100179&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt )

·  “Escola sem Partido” para quem?
Capaverde, Caroline BastosLessa, Bruno de SouzaLopes, Fernando Dias
(DISPONÍVEL EM: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362019000100204&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt )

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PRESS RELEASE |Violências nas escolas: o labirinto tem saída?

violencia

Adriana Lira
Professora adjunta do Centro Universitário UDF,
Doutora em Educação pela Universidade Católica
de Brasília, Brasília, DF, Brasil

Candido Alberto Gomes
Doutor em Educação pela Universidade
da Califórnia, Los Angeles,
Professor Catedrático da Universidade
Portucalense Infante D. Henrique,
Porto, Portugal

A pesquisa intitulada “Violências escolares: que aprendemos para a formação de professores”, publicada na Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em educação (v. 26, n. 100), revelou que professores e alunos são ao mesmo tempo autores e vítimas das violências. Os professores contribuem igualmente para o clima escolar desfavorável ao adotarem metodologias monológicas, em que mais frequentemente usam a exposição oral contínua e trabalhos mecânicos, como cópias do quadro de giz (CUSHMAN; ROGERS, 2008). Com isso, adultos e alunos se sentem mal, cada grupo reagindo com seus meios. Entretanto, um pequeno grupo de professores não tem dificuldades em suas aulas por seguirem uma metodologia dialógica, diversificada e se aproximarem afetivamente dos discentes, isto é, tratam-nos como pessoas (FREIRE, 1987).

Portanto, a maioria está despreparada para trabalhar com alunos socialmente desfavorecidos, num contexto social de violência, afetam a sua saúde e deixam de buscar soluções (GOMES; PALAZZO, 2017). Daí a formação docente precisa manter elos mais fortes entre teorias e práticas, além de renovar valores e metodologias. Há soluções de aplicação difícil, embora simples e de custo menos elevado, capazes de reduzir a violência e aumentar o interesse de todos pela escola. Este é um contraponto a pesquisas que tendem a ver educadores e educandos como vítimas ou agressores, enquanto os primeiros também concorrem involuntariamente para o mal-estar.

A pesquisa naturalística focaliza uma escola de adolescentes (6º ao 9º ano), considerada pobre e violenta, por meio de imersão durante o ano letivo de 2016. A análise documental, as entrevistas semiestruturadas com educadores e educandos e os grupos focais (ao todo, tiveram 89 estudantes participantes), a observação de aulas (total de 80 horas de observação sistemática) e do ambiente em geral retratam relações tumultuadas e autoritárias, num estabelecimento cinza e gradeado à semelhança de um presídio. Por mais que a administração se mantivesse em guarda contra eventuais agressões dos estudantes, a segurança era porosa e faltavam recursos materiais.

Os adolescentes captam as expectativas negativas dos professores e se revoltam contra normas em parte desnecessárias. Por sua vez, os professores com frequência reagem aos seus alunos sem maturidade. A comparação entre os professores que tinham paz na sala de aula e os seus colegas mostra que de fato há saídas para o labirinto.

Referências

CUSHMAN, K.; ROGERS, L. Fires in the middle school bathroom. New York: The New Press, 2008.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio: Paz e Terra, 1987.

GOMES, C. A and PALAZZO, J. Teaching career’s attraction and rejection factors: analysis of students and graduates perceptions in teacher education programs. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, n.94 , pp.90-113. ISSN 0104-4036. [viewed 11 October 2018]. DOI: 10.1590/s0104-40362017000100004. Available from: http://ref.scielo.org/rs3wtm

Para ler o artigo, acesse

LIRA, A. and GOMES, C. A. Violence in schools: what are the lessons for teacher education?. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2018, vol.26, n.100, pp.759-779. ISSN 0104-4036. [viewed 11 October 2018]. DOI: 10.1590/s0104-40362018002601574. Available from: http://ref.scielo.org/3gqrq3

Link externo

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

LIRA, A. and GOMES, C. A. Violências nas escolas: o labirinto tem saída? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed 10 December 2018]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/10/18/violencias-nas-escolas-o-labirinto-tem-saida/

FONTE:

Blog SciELO Humanas
http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/10/18/violencias-nas-escolas-o-labirinto-tem-saida/

PRESS RELEASE |“Democratizando o acesso ao ensino superior: classificação brasileira de cor/raça no debate sobre a ação afirmativa”

superando-preconceitos

Que contribuições a classificação de cor ou raça da população utilizada pelo IBGE pode trazer ao debate sobre Ação Afirmativa no Brasil?

Moema De Poli Teixeira
Doutora em Antropologia pelo Museu Nacional (UFRJ),
Assessora do Departamento Acadêmico da Fundação Cesgranrio,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil

O artigo com o título “Democratizando o acesso ao ensino superior: classificação brasileira de cor/raça no debate sobre a ação afirmativa” (TEIXEIRA, 2018) publicado na Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 26, n. 100) tem como objetivo refletir sobre a contribuição que a experiência do IBGE em levantamentos sobre a cor ou raça da população brasileira pode oferecer ao desenho de políticas de ação afirmativa no país. Partindo do princípio de que as estatísticas públicas são fundamentais para a construção das melhores evidências para a formulação de políticas públicas, o artigo apresenta e discute as classificações de cor ou raça utilizadas pelo IBGE nos Censos Brasileiros desde 1872, incluindo os resultados de pesquisas que testaram a designação como resposta aberta em 1976, 1998 e 2008.

Desde os anos 40, diversos cientistas sociais têm se debruçado sobre esses dados na análise das relações raciais na sociedade brasileira (AZEVEDO, 1955; FERNANDES, 1978; PINTO, 1952). Estudando as classificações utilizadas pelo IBGE entre 1872 e 1960, Costa (1974) revela que houve diversidade de critérios assim como de categorias ao longo do tempo, o que torna a principal questão dos levantamentos, saber como as pessoas se identificam racialmente e em se classificando, que critérios utilizam.

Por outro lado, os estudos sobre identidade racial revelam uma multiplicidade de termos e categorias, que podem variar de acordo com a cultura local (SHERIFF, 2002; TEIXEIRA, 1986). Em princípio, esses estudos qualitativos informam que se pode distinguir ao menos cinco níveis de classificação: a visão de um indivíduo sobre si mesmo; a visão de um indivíduo sobre alguém próximo; a visão de um indivíduo sobre uma pessoa desconhecida (feita apenas através da aparência); a visão de como um indivíduo é percebido socialmente e a descrição de como um indivíduo quer ser percebido em determinado contexto (TEIXEIRA; BELTRÃO, 2008).

O presente trabalho conclui que o debate sobre o tema precisa partir do reconhecimento das duas dimensões que norteiam as classificações raciais no Brasil: uma estrutural e outra cultural. A primeira dimensão se refere ao reconhecimento da contribuição que os levantamentos oficiais deram no passado e continuam a oferecer para o desvelamento/caracterização dos níveis de desigualdade racial persistentes no país. A segunda dimensão reconhece que as identidades étnicas e raciais, que são a base real sobre a qual os dados são construídos, precisam ser vistas como fenômenos culturais suscetíveis de mudança, o que mostra a necessidade de contínua reflexão no sentido de tentar captar, através de pesquisas, o significado dessas transformações.

O debate sobre a ação afirmativa não pode desqualificar nenhuma dessas abordagens, a fim de que um maior conhecimento dos mecanismos que regem as relações raciais no Brasil possa contribuir para o enfrentamento das desigualdades que engendram.

Referências

AZEVEDO, T. As elites de cor: um estudo de ascensão social. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955. (Brasiliana, v. 282).

COSTA, T. C. N. A. O princípio classificatório ‘cor’, sua complexidade e implicações para um estudo censitário. Revista Brasileira de Geografia, v. 36, n. 3, p. 91-106, jul./set. 1974. ISSN: 0034723x [viewed 13 August 2018]. Available from: https://rbg.ibge.gov.br/index.php/rbg

FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática, 1978.

PINTO, L. A. C. O negro no Rio de Janeiro: relações de raças numa sociedade em mudança. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1952.

SHERIFF, R. E. Como os senhores chamavam os escravos: discursos sobre cor, raça e racismo num morro carioca. In: MAGGIE, I.; REZENDE, C. B. (Org.). Raça como retórica: a construção da diferença. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 213-243.

TEIXEIRA M. P. A questão da cor nas relações e representações de um grupo de baixa renda. Estudos Afro-Asiáticos, v. 14, p. 85-97, 1987.  ISSN: 0101-546X [viewed 13 August 2018].

TEIXEIRA, M. P.; BELTRÃO, K. I. O eu e o outro: a alteridade próxima na declaração de cor no quesito aberto da PME 98. Rio de Janeiro: ENCE; IBGE, 2008. (Textos para discussão; n. 24).

Para ler o artigo, acesse

TEIXEIRA, M. D. P. Democratizing the access to college education: Brazilian race/color classification in affirmative action’s debate. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2018, vol.26, n.100, pp.595-618. ISSN 0104-4036. [viewed 8 October 2018]. DOI: 10.1590/s0104-40362018002601768. Available from: http://ref.scielo.org/9v36kp

FONTE:

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/10/08/que-contribuicoes-a-classificacao-de-cor-ou-raca-da-populacao-utilizada-pelo-ibge-pode-trazer-ao-debate-sobre-acao-afirmativa-no-brasil/

X Conversa com o autor “Multiculturalismo e formação de professores: dimensões, possibilidades e desafios na contemporaneidade”

 

O multiculturalismo é aqui entendido como um conjunto de respostas à diversidade cultural e desafio a preconceitos, no campo educacional. Defende e desenvolve três argumentos centrais, a saber: o multiculturalismo não deve ser tratado como um adendo ao currículo ou perspectiva reduzida a projetos extracurriculares; é relevante considerar modos pelos quais a construção curricular poderia articular a perspectiva multicultural aos diferentes campos de saber e disciplinas que constituem o currículo de formação de professores; é, a partir da visão de articulação do currículo e da pesquisa, concebida pelo olhar do multiculturalismo, que acreditamos que a formação inicial e continuada de professores pode ser incrementada, em uma visão transformadora.

Lançamento da Ensaio 100 – Fundação Cesgranrio

Ensaio: avaliação e políticas Públicas em Educação

Educação e Pesquisa

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362018000300505&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

 

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No dia 21 de agosto de 2018 foi lançada a revista Ensaio de número 100.

A revista Ensaio, especializada na divulgação de pesquisas e estudos
no âmbito educacional, publicou agora em agosto a edição especial de
número 100. São 30 artigos que abordam evasão escolar, formação de
docentes, violência nas escolas, gestão universitária entre outros
temas sobre a realidade educacional.
Além do material produzido pelos colaboradores brasileiros, foram
publicados artigos de especialistas de Moçambique, Portugal, Equador,
Chile e Espanha. Um artigo de coautoria entre Estados Unidos e
Cazaquistão.
A revista Ensaio é publicada pela Fundação Cesgranrio desde 1993.
São quatro edições por ano com tiragem de 1.500 exemplares cada. A
publicação é gratuita e distribuída em universidades públicas e
particulares de todo o Brasil.

Em junho do ano passado, a Ensaio recebeu pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes) a classificação
A1 na área de Educação, classificação correspondente ao quadriênio 2013-2016. O A1
é o mais alto conceito de qualificação atribuído a periódicos
científicos brasileiros, apenas 4% das revistas da área de Educação foram qualificadas neste estrato.

O lançamento oficial da revista foi na Presidência da Fundação Cesgranrio e contou com a presença de autoridades, reitores, professores de Programas de Pós-Graduação das Universidades do Rio de Janeiro, pesquisadores, alunos e funcionários da instituição.

Para acessar a revista clique em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0104-403620180003&lng=en&nrm=iso

 

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Equipe Ensaio

 

Ensaio no Blog do Scielo

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/

O artigo com o título “A influência do gênero nas salas de aulas de ciências: um estudo com docentes e estudantes de 9.º ano” (OLIVEIRA, REIS, TINOCA, 2018), publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 26, n. 99), apresenta um estudo que pretende dar a conhecer, considerando o gênero, quais as estratégias de aprendizagem preferidas por estudantes e quais as estratégias de ensino desenvolvidas por docentes de ciências.

Embora moços e moças refiram gostar de se empenhar para ter o melhor trabalho, elas parecem preferir um ambiente de trabalho colaborativo, enquanto eles se aproximam da preferência por um ambiente mais competitivo. Simultaneamente, elas procuram, mais do que eles, corresponder ao que é esperado pelas(os) docentes em relação ao papel da(o) estudante. Estas diferenças poderão não resultar de diferenças biológicas entre os sexos, mas dos papéis tradicionais de gênero em que somos socializadas(os). No entanto, tendo em conta que as(os) docentes procuram promover, com frequência, o trabalho colaborativo e ser pouco frequente atribuírem recompensas pela conclusão de uma tarefa, poderemos encontrar uma vantagem para as moças já que elas manifestam preferência por um ambiente mais colaborativo e menos competitivo.

Contudo, os resultados sugerem que não existem muitas diferenças entre gêneros, não se podendo afirmar que as práticas docentes favorecem mais claramente um gênero do que o outro. Assim, na maioria das situações analisadas, registra-se um distanciamento entre as práticas docentes e as preferências manifestadas por moças e moços, aproximando-se as opções docentes de um ensino onde a(o) aluna(o) tem um papel mais passivo e as de estudantes de um ensino onde têm um papel mais ativo.

Tendo em conta os resultados, os autores concluem que se afigura fundamental olhar para as práticas docentes que, continuando distantes das práticas defendidas pela pesquisa em didática das ciências, poderão estar a interferir de forma negativa na aprendizagem, prejudicando quer moços quer moças, afastando-os de percursos nas ciências. Consideram que as(os) docentes são uma peça essencial para, com a sua ação, ajudar a promover, nas(os) estudantes, o interesse por um conteúdo ou o gosto pela aprendizagem em geral (Hidi; Renninger; Krapp, 2004). “As(Os) docentes são os primeiros agentes de mudança na escola, mas têm de contar não só com os condicionalismos exteriores que vão encontrando, mas também com a sua própria história como alunas(os), a maioria produto de um ensino transmissivo”. A sua história condiciona de forma poderosa a prática pedagógica, e esses modelos tornam-se mais significativos na planificação das suas lições do que os modelos das atuais teorias instrucionais (Windschitl, 2002).

Os dados do estudo foram recolhidos numa amostra de 523 estudantes, 289 alunas e 234 alunos, que frequentavam o 9.º ano de escolaridade, e 77 docentes de ciências que lecionavam o mesmo ano de escolaridade, 63 professoras e 14 professores. Para o efeito construíram-se dois questionários, um para docentes e outro para estudantes, com uma estrutura similar para que pudessem ser posteriormente analisados em conjunto.

O estudo apresentado integra uma investigação mais vasta realizada no âmbito de um Doutorado em Educação (da autoria da primeira autora deste artigo), integrado no Programa Doutoral em Didática das Ciências do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, onde se pretende construir conhecimento sobre os estereótipos que docentes e estudantes possuem acerca da influência do gênero na aprendizagem das ciências e sobre o eventual impacto que estes podem ter, para ambos os gêneros, no processo de ensino, no processo de aprendizagem, e na opção por carreiras científicas.

Leia o Press Release completo em:

http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/20/sobre-a-influencia-do-genero-no-ensino-e-na-aprendizagem-das-ciencias/foto 99