Press Release – Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares

Maria Celeste Reis Fernandes de Souza
Docente do Programa Pós-Graduação
Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território
Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE,
Governador Valadares, MG, Brasil

 

O estudo realizado pela profa. Dra. Maria Celeste Reis Fernandes de Souza, e concluído em 2015, tem como cenário a Escola em Tempo Integral (ETI), implantada em um município de médio porte para todas as crianças e todos os adolescentes matriculados em uma jornada diária de 8 horas de atividades escolares. Os resultados apresentam uma novidade no debate sobre a ampliação da jornada escolar no cenário brasileiro que é a valorização, por parte dos estudantes, na ETI, das aprendizagens decorrentes das disciplinas escolares, as quais esses sujeitos valoram e atribuem diferentes sentidos. Nos resultados, publicados pelo periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, volume 25, número 95 de 2017, a pesquisa “Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo”, aborda os desejos expressos pelos (as) estudantes de poderem, no tempo integral, aprenderem mais sobre História, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa…  Ao mesmo tempo, o peso conferido por eles e elas a essas aprendizagens expõe tensões no tempo integral entre a racionalidade de matriz cartesiana e a corporeidade.

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FOTO: Arquivo Google

O referencial teórico e metodológico que subsidiou o estudo são as contribuições de Bernard Charlot (2009) sobre a relação com o saber. O material empírico analisado foi produzido por meio do balanço de saber e consistiu na elaboração de um texto sobre a experiência de cada sujeito na ETI.  Os balanços de saber foram lidos como um texto único, e considerou-se que eles trazem um discurso do (a) estudante sobre suas experiências no tempo integral. A análise concentrou nas aprendizagens dos (das) estudantes na ETI, e o que gostariam de aprender no tempo a mais que permanecem na escola.

Os resultados do estudo provocam a reflexão sobre o que se deseja ensinar no tempo integral, “o que se espera que os (as) estudantes aprendam e o acesso ao conhecimento que nomeamos científico (conteúdos de saber, normas, habilidades, encadeamento de determinados conhecimentos, resoluções de problemas, modos de raciocínio, análises textuais, aplicações (ou não) no cotidiano…). O tempo integral é mais uma oportunidade de tratar da especificidade do conhecimento escolar para que ela não fique escamoteada pela discussão, importante, do acesso a outros saberes, espaços e tempos, presente na discussão sobre a ampliação da jornada escolar”.  A temática do tempo integral é o objeto de reflexão deste artigo que apresenta resultados de uma pesquisa, cujo objetivo foi compreender as relações que estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental estabelecem com saber e a Escola em Tempo Integral. A pesquisa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – e foi realizada durante estágio de pós-doutorado realizado pela autora sob a supervisão de Bernard Charlot.

 

Referência

CHARLOT, B. A Relação com o saber nos meios populares. Uma investigação nos liceus profissionais de subúrbio. Porto: Livpsic, 2009.

Para ler o artigo, acesse

SOUZA, M. C. R. F. Aprendizagens e tempo integral: entre a efetividade e o desejo. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, n.95, pp.414-439. [viewed 2 August 2017]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/s0104-40362017002500483. Available from: http://ref.scielo.org/sq74kw

Link externo

Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielobr/ensaio

FONTE

SOUZA, M. C. R. F. de Aprendizagens na escola em tempo integral: o peso das aprendizagens escolares [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed 11 August 2017]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/08/11/aprendizagens-na-escola-em-tempo-integral-o-peso-das-aprendizagens-escolares/

 

Uma questão de prioridade

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Foto: Arquivo Google

Convidamos todos a ler o artigo  do professor Paulo Alcântara Gomes, no qual evidencia a importância da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento dos países. Infelizmente, o Brasil não está levando isso em consideração ao deixar de investir em pesquisa, ao cortar bolsas e ao deixar uma universidade como a UERJ fechar as portas.

 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou no final do ano de 2016 o Relatório intitulado “Science, Technology and Innovation Outlook”, que analisa e projeta para os próximos anos os efeitos das megatendências sobre as políticas cientificas e de inovação nacionais, sobre a cooperação internacional e sobre a formação de quadros técnicos e científicos para atender às necessidades e demandas do crescimento sustentável das nações.

O que são as megatendências?

São as mudanças econômicas, sociais, ambientais, políticas e tecnológicas que geram profundas transformações, influenciando a longo prazo, as atividades humanas, os processos de desenvolvimento e a qualidade de vida.

Dentre elas se destacam o crescimento demográfico, o envelhecimento das populações, a globalização, o aquecimento global, a crescente influência das tecnologias de informação e comunicação, a bioengenharia e as neurociências. Estas megatendências irão modelar as agendas da pesquisa e desenvolvimento e das futuras inovações.

É interessante destacá-las, enfatizando suas relações com a Ciência, a Tecnologia e a Inovação (C,T&I), pois o avanço destas poderá influenciar na dinâmica daquelas e, dessa forma, alterar os índices de geração de emprego e renda, ampliar os efeitos da globalização, reduzir os níveis de poluição e criar pressões sem precedentes sobre os recursos naturais.

Provavelmente, ciência, tecnologia e inovação ocuparão mais espaços por todo o planeta, em decorrência do crescimento das economias emergentes, da crescente atuação global de muitas empresas multinacionais e do fracionamento do conjunto de atividades desempenhadas pelas organizações, fruto da especialização cada vez maior.

A produção e a disseminação de novos conhecimentos crescerão e aumentará a demanda por quadros técnicos e científicos mais preparados. A maior mobilidade internacional poderá diminuir a escassez de mão de obra qualificada nos países receptores.

O relatório destaca que, na década passada, 15% dos trabalhadores em C,T&I na Europa eram imigrantes. Nos Estados Unidos este percentual chegava a 22%. Ao mesmo tempo, a robótica e a inteligência artificial contribuirão fortemente para aliviar a escassez de mão de obra e, mais uma vez, C,T&I serão determinantes.

Angus Deaton, em seu livro “A Grande Saída”, menciona que uma menina nascida hoje, nos Estados Unidos, tem 50% de chances de chegar aos 100 anos de vida. Em 1910, sua bisavó, tinha a expectativa de vida de 54 anos.

O envelhecimento populacional deverá aumentar o número de pessoas com mais de 60 anos dos atuais 900 milhões para 1,4 bilhão em 2030. Robótica e neurociências, por exemplo, produzirão inovações capazes de apoiar fortemente o aumento da expectativa de vida. A população mundial deverá passar dos 7,4 bilhões atuais para 8,5 bilhões em 2030, com pressões sem precedentes por recursos naturais, alimentos e energia, que exigirão novos esforços em ciência e tecnologia.

Se as tendências se mantiverem, a demanda por água crescerá 50% até 2050. A exploração indiscriminada dos aquíferos e o aumento do nível de poluição das águas exigirão novas e melhores tecnologias, com a introdução de novas práticas agrícolas.

As estimativas da Agência Internacional de Energia indicam um aumento de 37%, até 2040, na demanda por energia, o que implicará o emprego de fontes renováveis de energia e mudanças estruturantes na matriz energética mundial.

O Acordo de Paris estabeleceu como meta um aquecimento máximo de 2ºC até 2050, o que exigirá uma forte redução da emissão de gases. Os desafios das mudanças climáticas e da degradação ambiental deverão se tornar dominantes nas agendas de pesquisa, incrementando a cooperação internacional.

Evidentemente, ciência e tecnologia passaram a ser consideradas prioridades no desenvolvimento das nações mas, infelizmente, nosso país insiste em vê-las como pouco relevantes.

 

Paulo Alcantara Gomes

FONTE: O Globo – Blog do Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2017/08/uma-questao-de-prioridade.html

 

Universidades apostam em Ensino a Distância

Matéria d’O Globo sobre Ensino a Distância, temática relevante para quem pesquisa ou trabalha no Ensino Superior. Dia 15 de agosto, na Fundação Cesgranrio, a revista Ensaio fará sua 8ª Conversa com o autor sobre esta temática. As inscrições podem ser feitas através do e-mail: ensaioeventos@cesgranrio.org.br

O artigo publicado na Ensaio sobre o tema pode ser lido em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362017000300743&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

MATÉRIA D’O GLOBO:

Com custo menor, modalidade atrai 33% dos estudantes

RIO – A modalidade de ensino à distância (EAD) desponta como locomotiva para puxar a expansão da oferta de vagas e do número de alunos matriculados no ensino superior no Brasil. O Ministério da Educação regulamentou a modalidade em maio do ano passado, facilitando a abertura de novos polos de EAD, num esforço para cumprir metas do Plano Nacional de Educação. Para as instituições de ensino privadas, o segmento cresce a taxas superiores às registradas pelo ensino presencial — em matrículas e tíquete médio — enquanto consome menos investimento.

O número de matrículas de alunos no ensino superior chegou a 4,24 milhões em 2015, dado mais recente, sendo 1,39 milhão em cursos de graduação à distância, ou 32,8%, segundo dados Inep. Deste segundo grupo, 1,27 milhão estão em cursos de EAD de instituições privadas, diz a consultoria Hoper Educação.

O grupo Estácio, por exemplo, planeja abrir 131 novos polos somente no segundo semestre. A aposta de peso da Estácio no EAD vem na sequência da reprovação da compra da universidade carioca pela Kroton Educacional, no fim de junho, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Desde que os grupos anunciaram a fusão, em agosto de 2016, especialistas apontavam a forte sobreposição que haveria em ensino à distância. A venda da operação de EAD da Estácio chegou a ser cogitada, caso o negócio fosse adiante. Não foi.

— O ensino à distância é o grande vetor de crescimento. No segundo trimestre, tivemos uma expansão de quase 1% no número total de alunos porque a base do EAD cresceu em 10%, enquanto nos cursos presenciais, encolheu. Com a nova regulamentação, a expansão fica mais ágil. Em um mês, já temos 131 novos polos cadastrados para serem abertos neste segundo semestre — explica Pedro Thompson, presidente da Estácio.

CURSOS TÊM MAIOR EVASÃO

Os polos são as bases com estrutura de apoio para os cursos à distância, com espaços como biblioteca e laboratórios. Com o decreto publicado em maio, os novos polos passam a ser criados diretamente pelas instituições, seguindo limites de quantidade de acordo com o indicadores de qualidade definidos pelo MEC. Existe também a opção de que esses polos sejam abertos com um parceiro, uma escola ou uma empresa, por exemplo. E instituições que não mantêm cursos presenciais poderão se cadastrar para oferecer EAD.

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De acordo com o Censo da Educação Superior de 2015, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), são 1.473 cursos superiores à distância no país, com um crescimento de 10% ao ano, desde 2010. Atualmente, são mais de 1,3 milhão de estudantes matriculados na modalidade, com expansão de 50% entre 2010 e 2015.

O grupo Estácio encerrou o trimestre passado com 343,3 mil alunos em cursos presenciais e 115,9 mil nos oferecidos à distância.

— Cada novo polo da Estácio atrai em média 300 alunos na primeira captação. O EAD é hoje “disruptivo” para o contexto da educação. Com investimento reduzido — diz Thompson.

Paulo Presse, coordenador de Estudos de Mercado da consultoria Hoper Educação, destaca que os centros de ensino mais maduros saem na frente nessa corrida:

— A regulamentação libera a abertura de novos polos por centros de ensino, que passam a poder ampliar a oferta de vagas de acordo com o que é mais eficiente para eles. A categoria que já conta com um número de novos polos autorizados de acordo com o conceito institucional tem mais agilidade.

A medida do MEC também impulsionou os planos de crescimento da paranaense Unicesumar, que em 2016 já tinha 80% de seus 81,5 mil alunos no EAD. Com 150 polos em mais de 20 estados, trabalha para dobrar esse número até o fim do ano, investindo R$ 40 milhões.

“Antes da portaria, chegava a demorar quatro anos para abrir um polo e, agora, em cinco meses serão abertos 150. (A medida) Beneficiou aqueles que, como nós, já estavam preparados e possuíam estrutura adequada para um plano tão audacioso”, explicou, por e-mail, William de Matos Silva, pró-reitor de EAD da Unicesumar. A meta é chegar a 90 mil alunos este ano e cem mil em 2018, com 500 polos.

Há turbulências no caminho de expansão do EAD. Um dos percalços é a alta taxa de evasão dos cursos. Nos centros de ensino superior privados, considerando o número de matrículas ativas por ano, bate 27,2% na modalidade à distância, contra 19,3% no presencial.

— É um aluno mais propenso a deixar o curso. Nesse sentido, as instituições de ensino mais maduras têm melhores condições de reduzir a evasão — diz Presse.

DISCUSSÃO SOBRE QUALIDADE

Reitora do EAD Laureate, que reúne cursos à distância de 12 diferentes centros de ensino, como Anhembi Morumbi e FMU, Josiane Tonelotto sublinha que os cursos à distância apresentam crescimento mais robusto em novas matrículas, frente aos presenciais. Reconhece, porém, que a taxa de evasão também é mais alta.

— Há estudantes que desistem porque não conseguem utilizar a plataforma de estudos, outros temem ficar isolados de outros alunos no processo de aprendizado. Sem esquecer que há estudantes que têm a falsa ideia de que um curso à distância é mais rápido e mais fácil que o presencial, mas isso não é verdade. Exige dedicação e comprometimento. Tentamos mitigar esses fatores — diz Josiane.

A qualidade do ensino e dos profissionais formados em cursos de graduação e pós-graduação à distância é outro ponto-chave na discussão sobre a expansão do EAD. O diploma profissional não indica se o aluno fez curso presencial ou à distância.

— O Censo da Educação de 2015 já permite comparar o desempenho de cursos presenciais e à distância pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Encontramos uma relativa melhora de desempenho para EAD, principalmente na faixa de Conceito Enade 4 (numa escala de 1 a 5), em que o EAD supera o presencial — aponta Paulo Presse. — No futuro, será mais uma questão de regulamentação, de cursos que combinam presencial e EAD. As instituições de ensino superior podem fazer 20% do curso presencial à distância. Isso ajuda na melhor gestão dos recursos.
FONTE: O Globo
https://oglobo.globo.com/economia/negocios/universidades-apostam-em-ensino-distancia-21674755

 

Diversidade e excelência

Ao defender seus processos seletivos, universidades de elite dos EUA dizem, com base em evidências, que a diversidade beneficia todos

Na semana passada, Harvard, a mais prestigiosa universidade do mundo, anunciou que pela primeira vez em seus 380 anos de história receberá uma geração de calouros em que os estudantes brancos não serão maioria. Latinos, negros, asiáticos e representantes de outras minorias que ingressam agora no ano letivo da instituição representam 51% do total. A novidade coincidiu com a divulgação, dias antes, de uma reportagem no “New York Times” que revelava, com base num documento obtido pelo jornal, que o Departamento de Justiça americano estaria se preparando para processar universidades que adotassem critérios de ação afirmativa supostamente discriminatórios contra candidatos brancos. O governo desmentiu haver essa intenção, mas o fato foi suficiente para que Harvard e outras instituições saíssem em defesa de seus processos seletivos.

As universidades americanas não adotam cotas (a Suprema Corte daquele país julgou esse mecanismo inconstitucional), mas a declaração de raça pode ser levada em conta como um dos elementos do processo seletivo. Vale lembrar que lá, diferentemente do que ocorre no Brasil, a nota dos alunos em testes não é o único critério utilizado na hora de avaliar candidatos.

Ainda que políticas de ações afirmativas tenham também o objetivo de corrigir injustiças históricas, o principal argumento de Harvard para defender seu modelo foi que a diversidade era um valor essencial na formação de todos os seus alunos. “Para tornarem-se líderes em nossa sociedade diversa, estudantes precisam ter a habilidade de trabalhar com diferentes pessoas, de diferentes origens, experiências de vida e perspectivas”, afirmou a porta-voz da instituição, Rachael Dane, ao jornal “Boston Globe”. Outra instituição de excelência, o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets) usou o mesmo argumento: “Um corpo estudantil diversificado é crucial para a missão educacional do MIT”, disse o também porta-voz Kimberly Allen.

Para críticos das ações afirmativas, essas declarações podem parecer apenas uma tentativa dessas instituições de elite de parecerem politicamente corretas. Porém, no mesmo dia em que o “New York Times” publicou sua reportagem, a Associação Americana de Pesquisas Educacionais divulgou uma nota destacando que “era importante reafirmar o que um conjunto esmagador de evidências científicas apontam sobre o valor da diversidade estudantil”. Segundo a associação, que é responsável pela publicação de sete revistas científicas com revisão entre pares (ou seja, artigos só são publicados após análise de especialistas no assunto), “a evidência empírica demonstra fortemente que políticas raciais neutras são insuficientes para promover a diversidade e que um corpo de estudantes diversificado leva a importantes benefícios educacionais, que permanecem mesmo depois que o aluno se forma e ingressa no mercado de trabalho.”

Para sustentar esses argumentos, a associação listou referências de dezenas de estudos acadêmicos que refutam a existência de efeitos colaterais das ações afirmativas (como a criação de um estigma entre seus beneficiados) e comprovam alguns de seus benefícios. Além de contribuir para uma sociedade mais tolerante e menos desigual, “um corpo estudantil diversificado promove melhorias em habilidades cognitivas dos alunos, como o pensamento crítico e a resolução de problemas, porque estudantes expostos a indivíduos com trajetórias distintas (e portanto com ideias diferentes) são mais desafiados em seus raciocínios, levando a um maior desenvolvimento cognitivo”.

Para quem quiser checar as referências citadas, no blog da coluna há um link para a nota da Aera, com todos os estudos listados.

FONTE: O Globo
https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/diversidade-excelencia-21671251

 

A UERJ paga o pato

Na crise econômica, todos sofrem os efeitos da austeridade. Quando os recursos são parcos, a sua disposição é uma questão de escolha. O Executivo estadual escolheu por condenar a Uerj. O desmonte de uma das maiores instituições de ensino e pesquisa do Brasil é uma opção desumana, que cobrará um alto preço em termos civilizatórios.

Não existe desenvolvimento econômico e da consciência de um povo sem um forte arcabouço científico e educacional. Sem isso, o que há é atraso e retrocesso. Barbárie.

A Uerj é um pilar. Um ícone de excelência. É a quinta melhor universidade do país, e a primeira a adotar um sistema de cotas para o acesso. Além disso, é pioneira na interiorização do ensino superior, levando-o ao interior do estado, como é o caso da Faculdade de Tecnologia, em Resende, e da Febef, em Caxias.

Essa excelência é facilmente constatada. Doze Ministros que passaram pelo STF são egressos da Uerj, sendo dois integrantes da composição atual: Luís Roberto Barroso e Luiz Fux. Entre seus professores, há personalidades do gabarito do constituinte Afonso Arinos e do ex-governador Nilo Batista.

A outrora pujante universidade agoniza em meio à maior crise econômica e política vivida pelo Estado do Rio. Devido aos sucessivos desmandos governamentais, está abandonada. Servidores não recebem, elevadores não funcionam, terceirizados não são pagos, e o lixo se alastra pelos corredores.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto, referência no tratamento de diversas doenças, está largado à própria sorte. Uma situação de caos e abandono, que nada remonta aos tempos gloriosos da Uerj, verdadeiro patrimônio do estado e do Brasil.

Os reflexos do descaso se evidenciam pelo número de inscritos no último vestibular. Neste ano, o número de examinandos foi 50% menor do que o do ano passado. Destes, mais de 10% não compareceram às provas. Ser aluno da Uerj, sonho tão almejado por milhares de jovens em outros tempos, não mais se encontra entre os principais objetivos da nossa juventude.

Esse é o triste retrato. Os danos à intelectualidade e à formação do conhecimento científico para o estado e para o país são incomensuráveis. Esse movimento de desmonte da universidade só gerará mais abandono, mais migração de brilhantes mentes que compõem o seu quadro acadêmico; e a intelectualidade e excelência, marcas outrora de uma imponente e conceituada instituição, se esvaem com o sangue de uma ferida que, inexoravelmente, levará a Uerj a óbito.

Dentro dessa perspectiva, a defesa da universidade é uma necessidade que se impõe, pois a condenação do Estado do Rio de Janeiro a uma era de mediocridade intelectual e ignorância só interessa àqueles que se utilizam da falta de conhecimento para fins eleitorais. Não se pode permitir uma nova idade das trevas para as gerações futuras.

A defesa da Uerj é a defesa do futuro em que governantes mais capacitados moral, política e tecnicamente não deixem que os erros de ontem, que levaram à situação de hoje, se repitam amanhã.

 

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Em primeiro plano o campus da UERJ. No alto a esquerda o estádio Mário Filho, o Maracanã, 12/03/1976 (Foto: Agência O Globo) 

 

FONTE: O Globo – Blog do Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2017/08/uerj-paga-o-pato.html

EDUCAÇÃO NO CAMPO

EDUCAÇÃO NO CAMPO
Curso da UnB:
Inscrições abertas para uma Licenciatura em Educação do Campo, uma grande brecha na universidade que os movimentos sociais camponeses conquistaram com muita luta. É um curso para formar sujeitos do campo como professores para atuarem em suas comunidades.
Esse curso está com vestibular aberto na UnB até o fim do mês. São 140 vagas exclusivas para quem comprovar vínculo com o campo ou comunidades tradicionaiS. Fora isso o curso tem toda uma organização própria (chama alternância) que permite que eles estudem sem abandonar seus territórios.
Pouca gente tenta esse vestibular especial pq nem fica sabendo ou nem cogita que tenha condições de entrar em uma Universidade Federal, mas esse curso é justamente uma conquista popular pensada para os povos do campo.
Aqui tem o edital e as informações para inscrição:

http://www.cespe.unb.br/vestibular/VESTDIST_18_1_EDUCAMPO/

 

fonte da imagem: http://www.dsvc.com.br/2014/04/programa-nacional-de-educacao-no-campo/

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O acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais? O PROUCA

Adda Daniela Lima Figueiredo Echalar, docente PPGECM da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil

Joana Peixoto, docente PPGECM-IFG e PPGE-PUC Goiás, Goiânia, GO, Brasil

Pesquisa intitulada “Programa Um Computador por Aluno: o acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais”, publicada na Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 25, n. 95), foi realizada para compreensão do processo lógico-histórico da implementação do PROUCA no Brasil por meio de análise documental e entrevistas com 55 profissionais das nove escolas contempladas com o Programa em Goiás.

Foram identificados três elementos vitais a este percurso, que serão melhor apresentados nos parágrafos subsequentes: 1. Há uma debilidade inerente à conceituação de inclusão/exclusão digital. 2. A abordagem instrumental é alicerce do processo formativo docente. 3. É a lógica econômica que determina a concepção e a forma de implementação desse Programa.

O exame do processo de implantação do PROUCA em Goiás e no Brasil permitiu explorar a noção de inclusão digital compreendendo-a como uma inclusão excludente que resulta na apologia a utopia digital, logo que privilegia o acesso à informação em detrimento de uma política social (ECHALAR, 2015). Esse processo é inerente ao capitalismo e à política neoliberal, pois trata-se de um projeto de remodelação social, que se apoia no ideal de um homem digital e autônomo, mas também flexível e reificado que atenderia ao mercado de trabalho.

No que tange a base instrumental no processo formativo docente, percebe-se que ele é fragmentado, hierárquico e imputa ao docente um modo de pensar e agir baseado nas leis do mercado e do capital, que se fundamenta muito mais na lógica do resultado e na reprodução de normas e leis do que no desenvolvimento intelectual autônomo.

Como base para o processo supracitado temos as diretrizes para inserção das tecnologias de informação e comunicação no ambiente escolar dos organizamos multilaterais, como o Banco Mundial, a Unesco e a OCDE que ratificam a aquisição de equipamentos tecnológicas para as escolas como fator importante na parceria Estado e organismo.

As pesquisadoras no bojo do contexto apresentado salientam que é por meio da resistência a essa forma precária de inclusão e de processo formativo que podemos buscar a superação de uma sociedade tão injusta e desigual para a emancipação dos sujeitos.

Referência

ECHALAR, A. D. L. F. Formação docente para a inclusão digital via ambiente escolar: o PROUCA em questão. 147 f. 2015. Tese (Doutorado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2015.

Para ler o artigo, acesse

ECHALAR, A. D. L. F. and PEIXOTO, J. Programa Um Computador por Aluno: o acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2017, vol.25, n.95, pp.393-413. [viewed 26 July 2017]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/s0104-40362017002501155. Available from: http://ref.scielo.org/f8fvm4.

Links externos

KADJÓT – Grupo Interinstitucional de estudos e investigações sobre as relações entre as tecnologias e a educação: https://sites.google.com/site/grupokadjotgoiania

Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio 

FONTE: SciELO
http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/08/03/o-acesso-as-tecnologias-digitais-como-estrategia-para-a-reducao-das-desigualdades-sociais-o-prouca/