Conheça os projetos do Centro Cultural Cesgranrio: uma conversa com Leandro Bellini

Leandro Bellini teve seus primeiros contatos acadêmicos com a cultura na faculdade de Turismo, na qual se formou no ano de 2001, em Minas Gerais. Hoje ele é pós graduado em Marketing e em Gestão e Produção Cultural com ênfase em Economia Criativa, ambos pela Fundação Getúlio Vargas. Após quase 10 anos trabalhando com Marketing e Turismo fora do Brasil, Bellini chegou à Fundação Cesgranrio em 2011 para ser Secretário de Cultura e um dos responsáveis pela criação do Centro Cultural Cesgranrio (CCC). Sob a premissa de que sem Cultura não existe Educação, os projetos do CCC são orientados por um Conselho de Cultura composto por grandes nomes das mais diversas áreas, como Ana Botafogo para a dança, Christiane Torloni, Jacqueline Laurence e Charles Fricks para o teatro, Myrian Daulsberg e Carol Murta Ribeiro para a música, entre tantos outros. O Conselho, que é presidido pelo próprio Presidente da Fundação Cesgranrio, Professor Carlos Alberto Serpa, também conta com a participação da Secretária de Cultura do Estado, Eva Doris, e do Secretário de Cultura do Município, Marcelo Calero. Atualmente, o CCC desenvolve 27 projetos simultâneos, sendo cerca de 70% voltado para as escolas. Divido em 5 núcleos:

  1. teatro;
  2. audiovisual;
  3. música e dança;
  4. literatura, artes plásticas e visuais;
  5. desenvolvimento sociocultural,

o CCC, em pouco tempo, já se tornou importante referência na cena cultural, não só carioca, mas também fluminense.

Um belo exemplo da importância do CCC para a sociedade fluminense é a Orquestra Sinfônica Cesgranrio (OSC), que estreou há cerca de dois meses no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Sempre buscando aliar cultura e educação, a OSC é uma orquestra-escola. Regida pelo jovem e renomado maestro Eder Paolozzi, seus membros são estudantes de música que tem a oportunidade de desfrutar do cotidiano e estrutura de uma orquestra profissional, antes mesmo de saírem dos bancos escolares. Papel importante também cumpre a OSC no que diz respeito à formação de plateia para a música clássica. Com uma agenda já repleta de compromissos, a OSC tem cumprido importante papel em levar a música clássica a um público pouco familiarizado com o estilo, bem como a espaços nem sempre utilizados para esse fim, como escolas públicas.

O projeto “Música nas Escolas” também tem contribuído de forma positiva para formar, cada vez mais cedo, a plateia fluminense para a música clássica. Foi no âmbito deste projeto que se deu a produção de quatro livros que contam a história da música clássica, privilegiando seus compositores e suas grandes obras. Os livros vêm acompanhados de um CD gravado pela OSC. Cabe ressaltar que este material será distribuído em todas as escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro e será combinado com um programa de capacitação dos professores para usarem plenamente todo o material

O CCC tem se destacado também na criação e distribuição de prêmios para a área da cultura. Em parceria com o Estado do Rio de Janeiro, o CCC concederá o pioneiro “Prêmio Rio de Literatura”.  Na ocasião, serão julgados ensaios e obras de ficção. O prêmio contempla livros publicados e também inéditos. As artes plásticas também merecem atenção do CCC, que prepara, ainda para o segundo semestre de 2015, a segunda edição do prêmio “Novos Talentos da Pintura”, e terá como tema as olimpíadas. Nas artes cênicas, o Prêmio Cesgranrio de Teatro vai apenas para sua terceira edição, mas já se transformou na premiação mais importante do país na área. Premiando os melhores espetáculos encenados na cidade do Rio de Janeiro, já é tradição do prêmio a homenagem a um grande nome dos palcos brasileiros. Depois de Glória Menezes, Tarcísio Meira, Milton Gonçalves e Ney Latorraca, chegou a vez de Nathália Timberg ser homenageada pelo importante prêmio em 2016.

Várias das iniciativas mencionadas até aqui fazem parte do que Leandro Bellini convencionou chamar de “inclusão cultural”, que conta ainda com o importante projeto “Teatro nas Escolas”. Desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação da cidade do Rio de Janeiro, o projeto consiste na encenação de uma peça em todas as escolas da rede pública carioca, tendo sempre como temática a principal efeméride do ano. Em 2015 os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, em 2016, as Olimpíadas. O ensino superior também tem sido contemplado com iniciativas desenvolvidas pelo CCC. Belo exemplo é o projeto de apoio ao teatro universitário, o apoio dado ao FESTU (Festival de Teatro Universitário) e o ELIPSE, um projeto que será lançado ainda em 2015 em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura. Trata-se de um programa de incentivo para produção de curtas universitários.

Também o núcleo de produção audiovisual vem realizando projetos de grande destaque, entre eles a produção de uma série educativa chamada de Anos Radicais, cujas gravações da terceira temporada terão início ainda em 2015. Trata-se de uma série que discute, através de excelente dramaturgia, a realidade de jovens estudantes, colocando em pauta discussões fundamentais e pertinentes ao dia a dia das escolas e desta fase da vida. A escolha da profissão, a definição de si mesmo, o papel do professor na era da internet, esses são alguns dos assuntos abordados pela série. Já o núcleo de desenvolvimento sociocultural produz anualmente, no Le Buffet, comemorações festivas por ocasião da Páscoa, das festividades juninas, do dia das crianças e do Natal. As festividades são abertas ao público, são gratuitas e atingem mais de 15.000 pessoas por ano. Este público têm oportunidade de desfrutar de peças teatrais, de intervenções musicais e de um parque de atrações temáticas.

Paralelamente a isso, Bellini destaca outros projetos com os quais o CCC cumpre também seu papel de oferecer serviços à comunidade: seja na forma das oficinas de atores, das oficinas de autores para séries, seja na forma da construção de um teatro para 300 pessoas no bairro do Rio Comprido, onde está localizada a sede da Fundação Cesgranrio. Bairro que tem recebido atenção especial tanto do CCC, especificamente, quanto da Fundação Cesgranrio como um todo. Não podemos deixar de mencionar a importante iniciativa desenvolvida pela Fundação em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro objetivando uma revitalização do tradicional bairro carioca, que no passado teve seus dias de glória mas que com o tempo foi se deteriorando. Neste caso, mais uma vez, educação e cultura, juntas, parecem ser o remédio. E, neste caso, não existe nenhuma contraindicação. Vida longa ao CCC!

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O projeto “Teatro nas Escolas”.

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O projeto “Teatro nas Escolas”

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Arraial Cesgranrio – 2015

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Orquestra Sinfônica Cesgranrio

Não existe educação sem cultura

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Alexandre Machafer, Professor Carlos Alberto Serpa e Décio Coimbra, autor da série Anos Radicais

Nascido em Niterói, Alexandre Machafer logo cedo se mudou para Campos. Aos 19 anos começou a cursar administração, caminho que seria natural para seguir à frente dos negócios da família. Mas Alexandre não estava plenamente feliz. Ao entrar em um teatro, porém, teve a certeza do que queria para sua vida. Queria a vida dos palcos. Queria ser ator. Não hesitou, então, em largar tudo para ir em busca do seu o objetivo. Destino? Rio de Janeiro. Engana-se, porém, quem acha que o caminho percorrido na Cidade Maravilhosa foi fácil. Dividindo-se entre atividades improváveis, como um curso para inspetor de solda, e “personal mobile” numa grande empresa de telefonia celular, Alexandre começou a fazer oficinas para atores. A experiência nas oficinas clareou ainda mais o seu horizonte: não queria exatamente ser ator. Queria a vida atrás das câmeras. Queria ser diretor.

Em breves palavras foi este o percurso de Alexandre Machafer até chegar à Fundação Cesgranrio. Subsecretário de Cultura e Coordenador do Núcleo Audiovisual, tem desenvolvido importante trabalho principalmente na área do audiovisual. Idealizou e dirigiu a 1ª Oficina de Atores Cesgranrio no ano de 2013 e hoje a oficina faz parte do calendário anual da Fundação Cesgranrio. Carro-chefe deste trabalho, a série “Anos Radicais” vem ao encontro do que hoje é um dos principais objetivos da Fundação Cesgranrio: proporcionar ambiência cultural aos jovens brasileiros, uma vez que não existe educação sem cultura.

De autoria de Décio Coimbra, a séria dirigida por Machafer aborda o universo adolescente, retratando as dores e as delícias dessa fase da vida. Lançada em grande estilo em abril desse ano, a primeira temporada é composta por quatro episódios de 25 minutos cada. Uma boa notícia é que outras temporadas virão por aí. Também na esteira do sucesso da primeira temporada de “Anos Radicais”, o Centro Cultural Cesgranrio promove, atualmente, uma oficina de autores que privilegia a capacitação de roteiristas para séries. Alguém duvida que será um sucesso? Vida longa ao Centro Cultural Cesgranrio!

Saiba mais sobre o Centro Cultural Cesgranrio

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