Como acontecem as mudanças nos livros de alfabetização do PNLD e quais usos os professores fazem desse recurso em sala de aula?

Eliana Borges Correia de Albuquerque, Professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE, Brasil

Andrea Tereza Brito Ferreira, Professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE, Brasil

O artigo “Programa nacional de livro didático (PNLD): mudanças nos livros de alfabetização e os usos que os professores fazem desse recurso em sala de aula”, publicado no periódico Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação (v. 27, n. 103), revelou que esse programa vem se apresentando, até as últimas edições, como uma política de grande contribuição para a democratização do acesso ao conhecimento a milhares de alunos, assim como para a melhoria do trabalho pedagógico dos professores (experientes e novatos) que atuam nas diversas redes públicas de ensino. Com base na análise dos dados dessa pesquisa, realizada em 2013,  foi identificado mudanças significativas nos critérios de avaliação dos livros didáticos de alfabetização, o que indica que, desde 2007, tais critérios estão baseados em uma concepção de escrita como sistema notacional (e não como código) e na importância de se considerar a relação entre alfabetização e letramento, com vistas a garantir que os alunos se apropriem da escrita alfabética por meio de atividades lúdicas e reflexivas, ao mesmo tempo em que são inseridos em práticas de leitura e produção de textos diversos.

Diante das inovações teóricas no campo da alfabetização e da própria institucionalização do Programa Nacional do Livro Didático – PNLD, os livros didáticos de alfabetização têm passado por alterações. Pesquisas (CASTANHEIRA; EVANGELISTA, 2002; SILVA, 2005) apontaram, no entanto, que, mesmo com as mudanças, muitos professores apresentavam dificuldades no uso dos livros recomendados pelo referido Programa, e alegavam, como justificativa, que eles apresentavam textos longos e não ajudavam no processo de alfabetização. Por meio da análise de resenhas publicadas nos Guias do PNLD 2007, 2010 e 2013, referentes a três coleções aprovadas, observamos que houve mudanças nas propostas relacionadas à apropriação da escrita alfabética, principalmente entre os PNLD 2010 e 2013, com a presença de atividades mais reflexivas, que exploravam a relação entre pauta sonora e escrita. Tais mudanças parecem relacionar-se, por um lado, com as mudanças nos critérios de avaliação (presentes nas fichas de avaliação) e, por outro, com as críticas presentes nas resenhas que servem, de certa forma, de orientações para a revisão das propostas submetidas a edições seguintes do PNLD.

A análise de entrevistas realizadas com 24 professores do 1º ano do Ensino Fundamental de três redes públicas de ensino de Pernambuco revelou que o PNLD tem contribuído com a disponibilização de materiais que ajudam na organização das práticas de alfabetização dos professores, mas que vão além do livro didático e envolvem acervos de obras complementares (livros literários e para didáticos) e dicionários. Com isso, o livro didático deixou de ser o único ou principal material usado na prática dos professores e tem sido utilizado por meio de diferentes estratégias junto a outros materiais pedagógicos.

O PNLD, portanto, como vem se apresentando até as últimas edições, contribui para a melhoria do trabalho pedagógico dos professores (experientes e novatos) que atuam nas diversas redes públicas de ensino. Preocupado não só com a distribuição, mas com a avaliação dos livros didáticos disponibilizados para escolha dos professores, tem funcionado como indutor de mudanças e exercido um papel importante na melhoria desse material.

Referências

CASTANHEIRA, M. L. and EVANGELISTA, A. A. M. Processo de escolha, recebimento e uso de livros didáticos nas escolas públicas do País. In: ANPED, 25., 2002. Anais… , Caxambu, 2002. p. 114.

SILVA, C. S. R. Formas de uso dos novos livros de alfabetização: por que os professores preferem os métodos tradicionais? In: COSTA VAL, M. das G.; MARCUSCHI, B. (Org.). Livros didáticos de língua portuguesa: letramento e cidadania. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

Para ler o artigo, acesse

ALBUQUERQUE, E. B. C. and FERREIRA, A. T. B. Programa nacional de livro didático (PNLD): mudanças nos livros de alfabetização e os usos que os professores fazem desse recurso em sala de aula. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., v. 27, n. 103, p. 250-270, 2019. ISSN: 0104-4036 [viewed 15 May 2019]. DOI 10.1590/s0104-40362019002701617. Available from: http://ref.scielo.org/mm2dsw

Link externo

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação – ENSAIO: www.scielo.br/ensaio

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

ALBUQUERQUE, E. B. C. and FERREIRA, A. T. B. Como acontecem as mudanças nos livros de alfabetização do PNLD e quais usos os professores fazem desse recurso em sala de aula? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2019 [viewed 24 June 2019]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2019/06/18/como-acontecem-as-mudancas-nos-livros-de-alfabetizacao-do-pnld-e-quais-usos-os-professores-fazem-desse-recurso-em-sala-de-aula/

Como acontecem as mudanças nos livros de alfabetização do PNLD e quais usos os professores fazem desse recurso em sala de aula?

 

Autor: Revista Ensaio

A Revista "Ensaio", de nível internacional, constitui fonte de estudo e de pesquisa para todos os que se interessam pela área de avaliação e políticas públicas em educação. Publicação trimestral internacional, da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, com tiragem de 1.500 exemplares, de distribuição gratuita, Ensaio congrega, em seus Conselhos Editorial e Consultivo, educadores internacionais de notório saber, mestres e doutores nas áreas por ela abordadas, para melhor atender à sua especificidade. Avaliada no qualis CAPES como sendo A1 na área de Educação, a Ensaio é uma revista que discute a realidade da educação brasileira, além disso, prima pela amplicação do debate pois abre espaço para que pesquisadores estrangeiros publiquem estudos sobre a realidade educacional de seus países. Trata-se de um veículo de divulgação de pesquisas, levantamentos, estudos, discussões e outros trabalhos críticos no campo da educação, concentrando-se nas questões da avaliação educacional e das políticas públicas em Educação, enfatizando as experiências e perspectivas brasileiras. Ensaio é pluralista do ponto de vista das ideias e das escolas de pensamento, interdisciplinar do ponto de vista das preocupações e metodologias empregadas por seus colaboradores. A revista promove intercâmbio com países da América Latina, México, Espanha, Portugal e a Comunidade de Língua Portuguesa, mantendo também a publicação de artigos em Espanhol e em Inglês. Ensaio tem sido contemplada com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da CAPES/MEC, cumprindo os requisitos necessários para o recebimento de auxílio editoração. Recebeu conceito internacional "A1" na avaliação dos Periódicos Científicos em Educação realizada, em 2013, pelo Quallis/CNPq e é indexada no SciELO - Scientific Eletronic Library Online e na CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades (México, UNAM), BBE, DOAJ, Educ@, OEI, EDUBASE, LATINDEX, REDALYC, SIBE, SCOPUS. Buscando se modernizar e atender aos novos padrões das revistas acadêmicas de excelência, a partir de 2015 a revista Ensaio adotou o sistema de submissão de artigos totalmente online. Para acessar o sistema, os autores deverão se cadastrar no site da revista e escolher um login e senha. Com estes dados em mãos, poderão não só submeter os seus artigos, mas também acompanhar todo o processo de avaliação: http://revistas.cesgranrio.org.br/ A Ensaio também adotou o ahead of print. Esta modalidade agiliza a divulgação das pesquisas, aumentando o tempo de exposição dos artigos, beneficiando diretamente nossos leitores e autores. Os artigos publicados em AOP contam com DOI e ficam disponíveis tanto no nosso site, quanto no site do Scielo até serem destinados a um número específico. Informamos também que a Ensaio continua existindo nos dois formatos, o impresso e o online, e com a mesma periodicidade. A qualidade continua sendo importante para a Ensaio e as melhorias feitas visam contribuir para o objetivo maior do periódico: a ampliação do debate sobre a Educação em tempos difíceis.

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