Em que idade as crianças devem ser alfabetizadas?

Há pelo menos duas maneiras de responder a essa pergunta: observando as melhores práticas em outros países e ouvindo os cientistas que estudam o assunto.

A maioria dos leitores certamente espera que seus filhos sejam alfabetizados logo que entrarem para a escola, ou seja, no primeiro ano do Ensino Fundamental. Crianças que vivem em ambientes que estimulam a leitura e curtem uma boa conversa frequentemente se alfabetizam com pouca ajuda externa – muitas vezes antes de entrar para a escola. Mas a maioria das crianças precisa ser alfabetizada, isto é, aprender a ler e escrever. E, se fizer isso no momento certo, terá melhores condições de aproveitar o que os professores ensinam na escola.

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Ex-presidente Obama participa de um projeto de alfabetização – idade de alfabetizar muda de país para país, mas deve começar no primeiro ano escolar. (Saul Loeb/AFP)

Há pelo menos duas maneiras de responder a essa pergunta. Uma delas é observar as melhores práticas. Em todos os países desenvolvidos, a alfabetização começa no primeiro ano escolar – mas a idade das crianças entrarem na escola varia dos 5 anos, em países como a Inglaterra e os EUA, a 7 anos, em países como a Finlândia. A duração do processo de alfabetização depende de características da língua e das dificuldades que isso cria para o processo de alfabetizar, e varia de alguns meses, como na Itália e Finlândia, a dois ou mais anos, como na França ou países de língua inglesa. O que é comum entre eles? Alfabetizar é a missão mais importante do início da escolarização.

Outra maneira de responder a essa pergunta é perguntando aos cientistas – psicólogos, linguistas, psicolinguistas e, mais recentemente, os neurocientistas que estudam esses processos. Sabemos hoje que diferentes áreas do cérebro se desenvolvem em diferentes etapas da vida, e que há momentos mais favoráveis para aprender e desenvolver determinadas habilidades. A área do cérebro responsável pela linguagem e pelo processamento da forma visual das palavras se desenvolve de maneira especialmente acentuada entre os 3 e 6 anos de idade. Depois dessa idade, a aprendizagem é sempre possível, mas há um preço a pagar. Esse preço é especialmente alto para as crianças que apresentam dificuldades para aprender a ler – e, de modo muito especial, para as crianças portadoras de dislexia.

As autoridades responsáveis pela elaboração dos currículos no Brasil não levam em conta nem as evidências científicas nem as melhores práticas. Os maiores perdedores são as crianças que frequentam as escolas públicas – quem matricula os filhos na escola particular espera que isso ocorra na idade certa. Esta é uma das receitas mais eficazes para aumentar ainda mais as desigualdades sociais no País.

FONTE: Veja
Em que idade as crianças devem ser alfabetizadas?

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Autor: Revista Ensaio

A Revista "Ensaio", de nível internacional, constitui fonte de estudo e de pesquisa para todos os que se interessam pela área de avaliação e políticas públicas em educação. Publicação trimestral internacional, da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, com tiragem de 1.500 exemplares, de distribuição gratuita, Ensaio congrega, em seus Conselhos Editorial e Consultivo, educadores internacionais de notório saber, mestres e doutores nas áreas por ela abordadas, para melhor atender à sua especificidade. Avaliada no qualis CAPES como sendo A1 na área de Educação, a Ensaio é uma revista que discute a realidade da educação brasileira, além disso, prima pela amplicação do debate pois abre espaço para que pesquisadores estrangeiros publiquem estudos sobre a realidade educacional de seus países. Trata-se de um veículo de divulgação de pesquisas, levantamentos, estudos, discussões e outros trabalhos críticos no campo da educação, concentrando-se nas questões da avaliação educacional e das políticas públicas em Educação, enfatizando as experiências e perspectivas brasileiras. Ensaio é pluralista do ponto de vista das ideias e das escolas de pensamento, interdisciplinar do ponto de vista das preocupações e metodologias empregadas por seus colaboradores. A revista promove intercâmbio com países da América Latina, México, Espanha, Portugal e a Comunidade de Língua Portuguesa, mantendo também a publicação de artigos em Espanhol e em Inglês. Ensaio tem sido contemplada com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da CAPES/MEC, cumprindo os requisitos necessários para o recebimento de auxílio editoração. Recebeu conceito internacional "A1" na avaliação dos Periódicos Científicos em Educação realizada, em 2013, pelo Quallis/CNPq e é indexada no SciELO - Scientific Eletronic Library Online e na CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades (México, UNAM), BBE, DOAJ, Educ@, OEI, EDUBASE, LATINDEX, REDALYC, SIBE, SCOPUS. Buscando se modernizar e atender aos novos padrões das revistas acadêmicas de excelência, a partir de 2015 a revista Ensaio adotou o sistema de submissão de artigos totalmente online. Para acessar o sistema, os autores deverão se cadastrar no site da revista e escolher um login e senha. Com estes dados em mãos, poderão não só submeter os seus artigos, mas também acompanhar todo o processo de avaliação: http://revistas.cesgranrio.org.br/ A Ensaio também adotou o ahead of print. Esta modalidade agiliza a divulgação das pesquisas, aumentando o tempo de exposição dos artigos, beneficiando diretamente nossos leitores e autores. Os artigos publicados em AOP contam com DOI e ficam disponíveis tanto no nosso site, quanto no site do Scielo até serem destinados a um número específico. Informamos também que a Ensaio continua existindo nos dois formatos, o impresso e o online, e com a mesma periodicidade. A qualidade continua sendo importante para a Ensaio e as melhorias feitas visam contribuir para o objetivo maior do periódico: a ampliação do debate sobre a Educação em tempos difíceis.

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