Uma questão de prioridade

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Foto: Arquivo Google

Convidamos todos a ler o artigo  do professor Paulo Alcântara Gomes, no qual evidencia a importância da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento dos países. Infelizmente, o Brasil não está levando isso em consideração ao deixar de investir em pesquisa, ao cortar bolsas e ao deixar uma universidade como a UERJ fechar as portas.

 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou no final do ano de 2016 o Relatório intitulado “Science, Technology and Innovation Outlook”, que analisa e projeta para os próximos anos os efeitos das megatendências sobre as políticas cientificas e de inovação nacionais, sobre a cooperação internacional e sobre a formação de quadros técnicos e científicos para atender às necessidades e demandas do crescimento sustentável das nações.

O que são as megatendências?

São as mudanças econômicas, sociais, ambientais, políticas e tecnológicas que geram profundas transformações, influenciando a longo prazo, as atividades humanas, os processos de desenvolvimento e a qualidade de vida.

Dentre elas se destacam o crescimento demográfico, o envelhecimento das populações, a globalização, o aquecimento global, a crescente influência das tecnologias de informação e comunicação, a bioengenharia e as neurociências. Estas megatendências irão modelar as agendas da pesquisa e desenvolvimento e das futuras inovações.

É interessante destacá-las, enfatizando suas relações com a Ciência, a Tecnologia e a Inovação (C,T&I), pois o avanço destas poderá influenciar na dinâmica daquelas e, dessa forma, alterar os índices de geração de emprego e renda, ampliar os efeitos da globalização, reduzir os níveis de poluição e criar pressões sem precedentes sobre os recursos naturais.

Provavelmente, ciência, tecnologia e inovação ocuparão mais espaços por todo o planeta, em decorrência do crescimento das economias emergentes, da crescente atuação global de muitas empresas multinacionais e do fracionamento do conjunto de atividades desempenhadas pelas organizações, fruto da especialização cada vez maior.

A produção e a disseminação de novos conhecimentos crescerão e aumentará a demanda por quadros técnicos e científicos mais preparados. A maior mobilidade internacional poderá diminuir a escassez de mão de obra qualificada nos países receptores.

O relatório destaca que, na década passada, 15% dos trabalhadores em C,T&I na Europa eram imigrantes. Nos Estados Unidos este percentual chegava a 22%. Ao mesmo tempo, a robótica e a inteligência artificial contribuirão fortemente para aliviar a escassez de mão de obra e, mais uma vez, C,T&I serão determinantes.

Angus Deaton, em seu livro “A Grande Saída”, menciona que uma menina nascida hoje, nos Estados Unidos, tem 50% de chances de chegar aos 100 anos de vida. Em 1910, sua bisavó, tinha a expectativa de vida de 54 anos.

O envelhecimento populacional deverá aumentar o número de pessoas com mais de 60 anos dos atuais 900 milhões para 1,4 bilhão em 2030. Robótica e neurociências, por exemplo, produzirão inovações capazes de apoiar fortemente o aumento da expectativa de vida. A população mundial deverá passar dos 7,4 bilhões atuais para 8,5 bilhões em 2030, com pressões sem precedentes por recursos naturais, alimentos e energia, que exigirão novos esforços em ciência e tecnologia.

Se as tendências se mantiverem, a demanda por água crescerá 50% até 2050. A exploração indiscriminada dos aquíferos e o aumento do nível de poluição das águas exigirão novas e melhores tecnologias, com a introdução de novas práticas agrícolas.

As estimativas da Agência Internacional de Energia indicam um aumento de 37%, até 2040, na demanda por energia, o que implicará o emprego de fontes renováveis de energia e mudanças estruturantes na matriz energética mundial.

O Acordo de Paris estabeleceu como meta um aquecimento máximo de 2ºC até 2050, o que exigirá uma forte redução da emissão de gases. Os desafios das mudanças climáticas e da degradação ambiental deverão se tornar dominantes nas agendas de pesquisa, incrementando a cooperação internacional.

Evidentemente, ciência e tecnologia passaram a ser consideradas prioridades no desenvolvimento das nações mas, infelizmente, nosso país insiste em vê-las como pouco relevantes.

 

Paulo Alcantara Gomes

FONTE: O Globo – Blog do Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2017/08/uma-questao-de-prioridade.html