Universidades apostam em Ensino a Distância

Matéria d’O Globo sobre Ensino a Distância, temática relevante para quem pesquisa ou trabalha no Ensino Superior. Dia 15 de agosto, na Fundação Cesgranrio, a revista Ensaio fará sua 8ª Conversa com o autor sobre esta temática. As inscrições podem ser feitas através do e-mail: ensaioeventos@cesgranrio.org.br

O artigo publicado na Ensaio sobre o tema pode ser lido em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362017000300743&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

MATÉRIA D’O GLOBO:

Com custo menor, modalidade atrai 33% dos estudantes

RIO – A modalidade de ensino à distância (EAD) desponta como locomotiva para puxar a expansão da oferta de vagas e do número de alunos matriculados no ensino superior no Brasil. O Ministério da Educação regulamentou a modalidade em maio do ano passado, facilitando a abertura de novos polos de EAD, num esforço para cumprir metas do Plano Nacional de Educação. Para as instituições de ensino privadas, o segmento cresce a taxas superiores às registradas pelo ensino presencial — em matrículas e tíquete médio — enquanto consome menos investimento.

O número de matrículas de alunos no ensino superior chegou a 4,24 milhões em 2015, dado mais recente, sendo 1,39 milhão em cursos de graduação à distância, ou 32,8%, segundo dados Inep. Deste segundo grupo, 1,27 milhão estão em cursos de EAD de instituições privadas, diz a consultoria Hoper Educação.

O grupo Estácio, por exemplo, planeja abrir 131 novos polos somente no segundo semestre. A aposta de peso da Estácio no EAD vem na sequência da reprovação da compra da universidade carioca pela Kroton Educacional, no fim de junho, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Desde que os grupos anunciaram a fusão, em agosto de 2016, especialistas apontavam a forte sobreposição que haveria em ensino à distância. A venda da operação de EAD da Estácio chegou a ser cogitada, caso o negócio fosse adiante. Não foi.

— O ensino à distância é o grande vetor de crescimento. No segundo trimestre, tivemos uma expansão de quase 1% no número total de alunos porque a base do EAD cresceu em 10%, enquanto nos cursos presenciais, encolheu. Com a nova regulamentação, a expansão fica mais ágil. Em um mês, já temos 131 novos polos cadastrados para serem abertos neste segundo semestre — explica Pedro Thompson, presidente da Estácio.

CURSOS TÊM MAIOR EVASÃO

Os polos são as bases com estrutura de apoio para os cursos à distância, com espaços como biblioteca e laboratórios. Com o decreto publicado em maio, os novos polos passam a ser criados diretamente pelas instituições, seguindo limites de quantidade de acordo com o indicadores de qualidade definidos pelo MEC. Existe também a opção de que esses polos sejam abertos com um parceiro, uma escola ou uma empresa, por exemplo. E instituições que não mantêm cursos presenciais poderão se cadastrar para oferecer EAD.

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De acordo com o Censo da Educação Superior de 2015, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), são 1.473 cursos superiores à distância no país, com um crescimento de 10% ao ano, desde 2010. Atualmente, são mais de 1,3 milhão de estudantes matriculados na modalidade, com expansão de 50% entre 2010 e 2015.

O grupo Estácio encerrou o trimestre passado com 343,3 mil alunos em cursos presenciais e 115,9 mil nos oferecidos à distância.

— Cada novo polo da Estácio atrai em média 300 alunos na primeira captação. O EAD é hoje “disruptivo” para o contexto da educação. Com investimento reduzido — diz Thompson.

Paulo Presse, coordenador de Estudos de Mercado da consultoria Hoper Educação, destaca que os centros de ensino mais maduros saem na frente nessa corrida:

— A regulamentação libera a abertura de novos polos por centros de ensino, que passam a poder ampliar a oferta de vagas de acordo com o que é mais eficiente para eles. A categoria que já conta com um número de novos polos autorizados de acordo com o conceito institucional tem mais agilidade.

A medida do MEC também impulsionou os planos de crescimento da paranaense Unicesumar, que em 2016 já tinha 80% de seus 81,5 mil alunos no EAD. Com 150 polos em mais de 20 estados, trabalha para dobrar esse número até o fim do ano, investindo R$ 40 milhões.

“Antes da portaria, chegava a demorar quatro anos para abrir um polo e, agora, em cinco meses serão abertos 150. (A medida) Beneficiou aqueles que, como nós, já estavam preparados e possuíam estrutura adequada para um plano tão audacioso”, explicou, por e-mail, William de Matos Silva, pró-reitor de EAD da Unicesumar. A meta é chegar a 90 mil alunos este ano e cem mil em 2018, com 500 polos.

Há turbulências no caminho de expansão do EAD. Um dos percalços é a alta taxa de evasão dos cursos. Nos centros de ensino superior privados, considerando o número de matrículas ativas por ano, bate 27,2% na modalidade à distância, contra 19,3% no presencial.

— É um aluno mais propenso a deixar o curso. Nesse sentido, as instituições de ensino mais maduras têm melhores condições de reduzir a evasão — diz Presse.

DISCUSSÃO SOBRE QUALIDADE

Reitora do EAD Laureate, que reúne cursos à distância de 12 diferentes centros de ensino, como Anhembi Morumbi e FMU, Josiane Tonelotto sublinha que os cursos à distância apresentam crescimento mais robusto em novas matrículas, frente aos presenciais. Reconhece, porém, que a taxa de evasão também é mais alta.

— Há estudantes que desistem porque não conseguem utilizar a plataforma de estudos, outros temem ficar isolados de outros alunos no processo de aprendizado. Sem esquecer que há estudantes que têm a falsa ideia de que um curso à distância é mais rápido e mais fácil que o presencial, mas isso não é verdade. Exige dedicação e comprometimento. Tentamos mitigar esses fatores — diz Josiane.

A qualidade do ensino e dos profissionais formados em cursos de graduação e pós-graduação à distância é outro ponto-chave na discussão sobre a expansão do EAD. O diploma profissional não indica se o aluno fez curso presencial ou à distância.

— O Censo da Educação de 2015 já permite comparar o desempenho de cursos presenciais e à distância pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Encontramos uma relativa melhora de desempenho para EAD, principalmente na faixa de Conceito Enade 4 (numa escala de 1 a 5), em que o EAD supera o presencial — aponta Paulo Presse. — No futuro, será mais uma questão de regulamentação, de cursos que combinam presencial e EAD. As instituições de ensino superior podem fazer 20% do curso presencial à distância. Isso ajuda na melhor gestão dos recursos.
FONTE: O Globo
https://oglobo.globo.com/economia/negocios/universidades-apostam-em-ensino-distancia-21674755

 

Diversidade e excelência

Ao defender seus processos seletivos, universidades de elite dos EUA dizem, com base em evidências, que a diversidade beneficia todos

Na semana passada, Harvard, a mais prestigiosa universidade do mundo, anunciou que pela primeira vez em seus 380 anos de história receberá uma geração de calouros em que os estudantes brancos não serão maioria. Latinos, negros, asiáticos e representantes de outras minorias que ingressam agora no ano letivo da instituição representam 51% do total. A novidade coincidiu com a divulgação, dias antes, de uma reportagem no “New York Times” que revelava, com base num documento obtido pelo jornal, que o Departamento de Justiça americano estaria se preparando para processar universidades que adotassem critérios de ação afirmativa supostamente discriminatórios contra candidatos brancos. O governo desmentiu haver essa intenção, mas o fato foi suficiente para que Harvard e outras instituições saíssem em defesa de seus processos seletivos.

As universidades americanas não adotam cotas (a Suprema Corte daquele país julgou esse mecanismo inconstitucional), mas a declaração de raça pode ser levada em conta como um dos elementos do processo seletivo. Vale lembrar que lá, diferentemente do que ocorre no Brasil, a nota dos alunos em testes não é o único critério utilizado na hora de avaliar candidatos.

Ainda que políticas de ações afirmativas tenham também o objetivo de corrigir injustiças históricas, o principal argumento de Harvard para defender seu modelo foi que a diversidade era um valor essencial na formação de todos os seus alunos. “Para tornarem-se líderes em nossa sociedade diversa, estudantes precisam ter a habilidade de trabalhar com diferentes pessoas, de diferentes origens, experiências de vida e perspectivas”, afirmou a porta-voz da instituição, Rachael Dane, ao jornal “Boston Globe”. Outra instituição de excelência, o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets) usou o mesmo argumento: “Um corpo estudantil diversificado é crucial para a missão educacional do MIT”, disse o também porta-voz Kimberly Allen.

Para críticos das ações afirmativas, essas declarações podem parecer apenas uma tentativa dessas instituições de elite de parecerem politicamente corretas. Porém, no mesmo dia em que o “New York Times” publicou sua reportagem, a Associação Americana de Pesquisas Educacionais divulgou uma nota destacando que “era importante reafirmar o que um conjunto esmagador de evidências científicas apontam sobre o valor da diversidade estudantil”. Segundo a associação, que é responsável pela publicação de sete revistas científicas com revisão entre pares (ou seja, artigos só são publicados após análise de especialistas no assunto), “a evidência empírica demonstra fortemente que políticas raciais neutras são insuficientes para promover a diversidade e que um corpo de estudantes diversificado leva a importantes benefícios educacionais, que permanecem mesmo depois que o aluno se forma e ingressa no mercado de trabalho.”

Para sustentar esses argumentos, a associação listou referências de dezenas de estudos acadêmicos que refutam a existência de efeitos colaterais das ações afirmativas (como a criação de um estigma entre seus beneficiados) e comprovam alguns de seus benefícios. Além de contribuir para uma sociedade mais tolerante e menos desigual, “um corpo estudantil diversificado promove melhorias em habilidades cognitivas dos alunos, como o pensamento crítico e a resolução de problemas, porque estudantes expostos a indivíduos com trajetórias distintas (e portanto com ideias diferentes) são mais desafiados em seus raciocínios, levando a um maior desenvolvimento cognitivo”.

Para quem quiser checar as referências citadas, no blog da coluna há um link para a nota da Aera, com todos os estudos listados.

FONTE: O Globo
https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/diversidade-excelencia-21671251

 

A UERJ paga o pato

Na crise econômica, todos sofrem os efeitos da austeridade. Quando os recursos são parcos, a sua disposição é uma questão de escolha. O Executivo estadual escolheu por condenar a Uerj. O desmonte de uma das maiores instituições de ensino e pesquisa do Brasil é uma opção desumana, que cobrará um alto preço em termos civilizatórios.

Não existe desenvolvimento econômico e da consciência de um povo sem um forte arcabouço científico e educacional. Sem isso, o que há é atraso e retrocesso. Barbárie.

A Uerj é um pilar. Um ícone de excelência. É a quinta melhor universidade do país, e a primeira a adotar um sistema de cotas para o acesso. Além disso, é pioneira na interiorização do ensino superior, levando-o ao interior do estado, como é o caso da Faculdade de Tecnologia, em Resende, e da Febef, em Caxias.

Essa excelência é facilmente constatada. Doze Ministros que passaram pelo STF são egressos da Uerj, sendo dois integrantes da composição atual: Luís Roberto Barroso e Luiz Fux. Entre seus professores, há personalidades do gabarito do constituinte Afonso Arinos e do ex-governador Nilo Batista.

A outrora pujante universidade agoniza em meio à maior crise econômica e política vivida pelo Estado do Rio. Devido aos sucessivos desmandos governamentais, está abandonada. Servidores não recebem, elevadores não funcionam, terceirizados não são pagos, e o lixo se alastra pelos corredores.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto, referência no tratamento de diversas doenças, está largado à própria sorte. Uma situação de caos e abandono, que nada remonta aos tempos gloriosos da Uerj, verdadeiro patrimônio do estado e do Brasil.

Os reflexos do descaso se evidenciam pelo número de inscritos no último vestibular. Neste ano, o número de examinandos foi 50% menor do que o do ano passado. Destes, mais de 10% não compareceram às provas. Ser aluno da Uerj, sonho tão almejado por milhares de jovens em outros tempos, não mais se encontra entre os principais objetivos da nossa juventude.

Esse é o triste retrato. Os danos à intelectualidade e à formação do conhecimento científico para o estado e para o país são incomensuráveis. Esse movimento de desmonte da universidade só gerará mais abandono, mais migração de brilhantes mentes que compõem o seu quadro acadêmico; e a intelectualidade e excelência, marcas outrora de uma imponente e conceituada instituição, se esvaem com o sangue de uma ferida que, inexoravelmente, levará a Uerj a óbito.

Dentro dessa perspectiva, a defesa da universidade é uma necessidade que se impõe, pois a condenação do Estado do Rio de Janeiro a uma era de mediocridade intelectual e ignorância só interessa àqueles que se utilizam da falta de conhecimento para fins eleitorais. Não se pode permitir uma nova idade das trevas para as gerações futuras.

A defesa da Uerj é a defesa do futuro em que governantes mais capacitados moral, política e tecnicamente não deixem que os erros de ontem, que levaram à situação de hoje, se repitam amanhã.

 

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Em primeiro plano o campus da UERJ. No alto a esquerda o estádio Mário Filho, o Maracanã, 12/03/1976 (Foto: Agência O Globo) 

 

FONTE: O Globo – Blog do Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2017/08/uerj-paga-o-pato.html

EDUCAÇÃO NO CAMPO

EDUCAÇÃO NO CAMPO
Curso da UnB:
Inscrições abertas para uma Licenciatura em Educação do Campo, uma grande brecha na universidade que os movimentos sociais camponeses conquistaram com muita luta. É um curso para formar sujeitos do campo como professores para atuarem em suas comunidades.
Esse curso está com vestibular aberto na UnB até o fim do mês. São 140 vagas exclusivas para quem comprovar vínculo com o campo ou comunidades tradicionaiS. Fora isso o curso tem toda uma organização própria (chama alternância) que permite que eles estudem sem abandonar seus territórios.
Pouca gente tenta esse vestibular especial pq nem fica sabendo ou nem cogita que tenha condições de entrar em uma Universidade Federal, mas esse curso é justamente uma conquista popular pensada para os povos do campo.
Aqui tem o edital e as informações para inscrição:

http://www.cespe.unb.br/vestibular/VESTDIST_18_1_EDUCAMPO/

 

fonte da imagem: http://www.dsvc.com.br/2014/04/programa-nacional-de-educacao-no-campo/

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