“Bala perdida” na Ciência e Tecnologia

Ciência, tecnologia e educação são peças determinantes para o desenvolvimento de qualquer nação.

No Brasil elas surgiram muito tardiamente. Até meados do século passado, as contribuições de nossos cientistas resultaram do trabalho realizado em universidades e laboratórios estrangeiros ou, mais raramente, em nossos poucos laboratórios.

tecnologia

Inexistiam políticas nacionais de fomento à pesquisa e esta raramente era financiada.  A mais importante das agências era o Conselho Nacional de Pesquisas, o CNPq, que hoje mudou de nome, mas mantém a sigla.

Tal  situação perdurou até a década de 60, quando surgiram os primeiros programas de pós-graduação. Daí em diante, iniciou-se um notável processo de institucionalização da pesquisa, concretizada no aparecimento de programas de financiamento, liderados pelo BNDE, ainda sem o S, por meio do FUNTEC, e depois pela FINEP.

Sem dúvida, estes passos foram determinantes para a consolidação das atividades de ciência, tecnologia e inovação em nosso país. Foram elaborados Planos Nacionais de Desenvolvimento CientÍfico e Tecnológico, criada uma Secretaria de Tecnologia Industrial Básica e fortalecida a pós-graduação, por meio da CAPES e do CNPq.

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) foi criado em 1985. Ao longo desses 32 anos ocorreu expressiva expansão da rede de institutos de pesquisa e incentivou-se o desenvolvimento regional, com a criação das Fundações de Amparo à Pesquisa. Cresceu a nossa produção científica e o Brasil já responde por mais de 2,7% da produção global e de 60% da produção de toda a América Latina.

O desenvolvimento científico resulta de um trabalho cuidadoso, que envolve ações, por exemplo, no campo da iniciação científica e tecnológica, na definição de estratégias para a elaboração de dissertações e teses e no estabelecimento de linhas de investigação adequadas ao perfis institucionais.

Tais ações fundamentam os projetos de instalação dos programas de mestrado e doutorado e a realização de pesquisas capazes de assegurar a produção científica, a qualidade e a utilidade de cada uma.

Além disso, o MCT criou novas alternativas para a inovação, permitindo o aumento da competitividade das empresas. As relações universidade-empresa foram intensificadas e surgiram incubadoras e parques tecnológicos.

O grande poder de articulação com ministérios e empresas estatais contribuiu para o crescimento da Embrapa e da Petrobrás, esta última responsável pelo desenvolvimento da tecnologia “off-shore”. Contribuiu ainda para o fortalecimento da indústria aeronáutica, dentre outros inúmeros exemplos.

O MCT deu certo pela sua ação transversal aos outros ministérios e empresas, estatais e privadas, e teve a missão de promover a atividade científica nas universidades e institutos especializados, apoiar a inovação, a propriedade intelectual, a comercialização da tecnologia, e o aumento da competitividade nas empresas, fundamentais para a crescimento econômico e para o fortalecimento da indústria.

Em muitos países o Ministério da Ciência e Tecnologia tem o mesmo status  dos ministérios da economia e planejamento. O orçamento do MCT nunca foi dos maiores, mas jamais se viveu uma situação como a atual, com cortes e contingenciamentos substanciais.

No Brasil, quando foi anexado ao Ministério das Comunicações, ele perdeu força política e capacidade de lutar pela sustentabilidade dos projetos de grande relevância para o desenvolvimento nacional.

Qual foi o resultado?

Paralisação de projetos e perda de cientistas para outros países. O ajuste fiscal precisa ser concluído, mas não com  “tiros a esmo em todas as direções”, sem planejamento e sem definição das reais prioridades nacionais.

A continuar assim, a Ciência e a Tecnologia serão vítimas de uma dessas ‘balas perdidas” e os resultados serão muito ruins para o nosso desenvolvimento.

Paulo Alcantara Gomes
ex-reitor da UFRJ e
ex-presidente do SEBRAE/RJ

 

FONTE: O Globo – Blog do Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2017/08/bala-perdida-na-ciencia-e-tecnologia.html

 

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Autor: Revista Ensaio

A Revista "Ensaio", de nível internacional, constitui fonte de estudo e de pesquisa para todos os que se interessam pela área de avaliação e políticas públicas em educação. Publicação trimestral internacional, da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, com tiragem de 1.500 exemplares, de distribuição gratuita, Ensaio congrega, em seus Conselhos Editorial e Consultivo, educadores internacionais de notório saber, mestres e doutores nas áreas por ela abordadas, para melhor atender à sua especificidade. Avaliada no qualis CAPES como sendo A1 na área de Educação, a Ensaio é uma revista que discute a realidade da educação brasileira, além disso, prima pela amplicação do debate pois abre espaço para que pesquisadores estrangeiros publiquem estudos sobre a realidade educacional de seus países. Trata-se de um veículo de divulgação de pesquisas, levantamentos, estudos, discussões e outros trabalhos críticos no campo da educação, concentrando-se nas questões da avaliação educacional e das políticas públicas em Educação, enfatizando as experiências e perspectivas brasileiras. Ensaio é pluralista do ponto de vista das ideias e das escolas de pensamento, interdisciplinar do ponto de vista das preocupações e metodologias empregadas por seus colaboradores. A revista promove intercâmbio com países da América Latina, México, Espanha, Portugal e a Comunidade de Língua Portuguesa, mantendo também a publicação de artigos em Espanhol e em Inglês. Ensaio tem sido contemplada com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da CAPES/MEC, cumprindo os requisitos necessários para o recebimento de auxílio editoração. Recebeu conceito internacional "A1" na avaliação dos Periódicos Científicos em Educação realizada, em 2013, pelo Quallis/CNPq e é indexada no SciELO - Scientific Eletronic Library Online e na CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades (México, UNAM), BBE, DOAJ, Educ@, OEI, EDUBASE, LATINDEX, REDALYC, SIBE, SCOPUS. Buscando se modernizar e atender aos novos padrões das revistas acadêmicas de excelência, a partir de 2015 a revista Ensaio adotou o sistema de submissão de artigos totalmente online. Para acessar o sistema, os autores deverão se cadastrar no site da revista e escolher um login e senha. Com estes dados em mãos, poderão não só submeter os seus artigos, mas também acompanhar todo o processo de avaliação: http://revistas.cesgranrio.org.br/ A Ensaio também adotou o ahead of print. Esta modalidade agiliza a divulgação das pesquisas, aumentando o tempo de exposição dos artigos, beneficiando diretamente nossos leitores e autores. Os artigos publicados em AOP contam com DOI e ficam disponíveis tanto no nosso site, quanto no site do Scielo até serem destinados a um número específico. Informamos também que a Ensaio continua existindo nos dois formatos, o impresso e o online, e com a mesma periodicidade. A qualidade continua sendo importante para a Ensaio e as melhorias feitas visam contribuir para o objetivo maior do periódico: a ampliação do debate sobre a Educação em tempos difíceis.

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