Alunos combatem bullying e xenofobia

IMIGRANTES ESCOLA

Menina dá aulas de espanhol para colegas em escola pública de São Paulo; programa busca estreitar laços, ampliando as relações culturais

Aos 12 anos, Thaís López, filha de bolivianos, dá aulas de espanhol para 30 alunos na escola municipal Infante Dom Henrique, no Canindé, região central de São Paulo. A menina teve a ideia de ensinar o idioma que aprendeu em casa para se aproximar dos colegas e tentar acabar com os “grupinhos” que se formam de acordo com a descendência de cada um.

A proposta de Thaís foi bem recebida pelos colegas e o curso que ela oferece tem quase 70 outros alunos na lista de espera. Mas o interesse pela língua e a vontade dos brasileiros de se aproximar dos imigrantes só aconteceu depois que a escola decidiu fazer um trabalho com todos os estudantes para reduzir o preconceito.

“Apesar de ficar numa região com uma comunidade boliviana muito forte, a escola não tinha um projeto contra a discriminação. Os alunos estrangeiros eram muito estigmatizados, sofriam ameaças, eram xingados, chegavam até a pagar ‘pedágio’ ou coagidos a fazer coisas erradas para não apanharem”, conta Cláudio da Silva Neto, diretor da escola. Ele chegou à direção em 2011 e montou com alunos, professores e pais um novo projeto pedagógico para a unidade, que tinha muitos problemas com violência.

Uma das mudanças promovidas na escola foi a de valorizar a cultura dos estrangeiros e conscientizar professores e alunos sobre os motivos da migração e as condições que eles encontravam ao chegar no Brasil. “Das provocações que faziam sobre o trabalho escravo dos bolivianos e de que eles vinham para roubar emprego, os brasileiros passaram a entender a realidade daquelas famílias e começaram a ter admiração pelos estrangeiros e por terem outra cultura”, conta Cláudio.

Thaís também sentiu a mudança no comportamento do colégio e percebeu que eles passaram a ter curiosidade quando viam os bolivianos conversando em espanhol. “Com esses meses de aula, já dá até pra gente ter algumas conversas curtas em espanhol”, diz a menina que deseja ser advogada para ajudar outros imigrantes no país.

Formação. A escola do Canindé é uma das 43 da rede municipal que no ano passado tiveram professores que passaram por uma formação pela ONG Repórter Brasil para combater o trabalho escravo. “Nossa ideia era trabalhar na prevenção e evitar que esse tipo de condição de trabalho acontecesse. O que encontramos foram casos de xenofobia em algumas escolas e a dificuldade dos professores em lidar com eles por falta de preparo”, contou Natália Suzuki, coordenadora do projeto.

A escola, segundo Natália, é um dos pontos de maior conexão entre os imigrantes e a comunidade local. Por isso, um olhar cuidadoso para a criança pode indicar problemas que aquela família esteja passando. “O professor descobre que o aluno, que chegava sujo ou tinha dificuldade de aprendizado, não vinha de uma família relapsa, mas que vive em situação de pobreza ou de abuso.” Com o trabalho de valorização do migrante, Claudio conta que já teve casos de pais que pediram para que o filho fosse reprovado e ficasse mais um ano na escola – que só tem turmas até 0 9.º ano. “Era uma família síria que tinha medo da menina perder a confiança e o que aprendeu aqui por ter de ir para outro colégio.”

FONTE: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,alunos-combatem-bullying-e-xenofobia,70001873551

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Autor: Revista Ensaio

A Revista "Ensaio", de nível internacional, constitui fonte de estudo e de pesquisa para todos os que se interessam pela área de avaliação e políticas públicas em educação. Publicação trimestral internacional, da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, com tiragem de 1.500 exemplares, de distribuição gratuita, Ensaio congrega, em seus Conselhos Editorial e Consultivo, educadores internacionais de notório saber, mestres e doutores nas áreas por ela abordadas, para melhor atender à sua especificidade. Avaliada no qualis CAPES como sendo A1 na área de Educação, a Ensaio é uma revista que discute a realidade da educação brasileira, além disso, prima pela amplicação do debate pois abre espaço para que pesquisadores estrangeiros publiquem estudos sobre a realidade educacional de seus países. Trata-se de um veículo de divulgação de pesquisas, levantamentos, estudos, discussões e outros trabalhos críticos no campo da educação, concentrando-se nas questões da avaliação educacional e das políticas públicas em Educação, enfatizando as experiências e perspectivas brasileiras. Ensaio é pluralista do ponto de vista das ideias e das escolas de pensamento, interdisciplinar do ponto de vista das preocupações e metodologias empregadas por seus colaboradores. A revista promove intercâmbio com países da América Latina, México, Espanha, Portugal e a Comunidade de Língua Portuguesa, mantendo também a publicação de artigos em Espanhol e em Inglês. Ensaio tem sido contemplada com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da CAPES/MEC, cumprindo os requisitos necessários para o recebimento de auxílio editoração. Recebeu conceito internacional "A1" na avaliação dos Periódicos Científicos em Educação realizada, em 2013, pelo Quallis/CNPq e é indexada no SciELO - Scientific Eletronic Library Online e na CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades (México, UNAM), BBE, DOAJ, Educ@, OEI, EDUBASE, LATINDEX, REDALYC, SIBE, SCOPUS. Buscando se modernizar e atender aos novos padrões das revistas acadêmicas de excelência, a partir de 2015 a revista Ensaio adotou o sistema de submissão de artigos totalmente online. Para acessar o sistema, os autores deverão se cadastrar no site da revista e escolher um login e senha. Com estes dados em mãos, poderão não só submeter os seus artigos, mas também acompanhar todo o processo de avaliação: http://revistas.cesgranrio.org.br/ A Ensaio também adotou o ahead of print. Esta modalidade agiliza a divulgação das pesquisas, aumentando o tempo de exposição dos artigos, beneficiando diretamente nossos leitores e autores. Os artigos publicados em AOP contam com DOI e ficam disponíveis tanto no nosso site, quanto no site do Scielo até serem destinados a um número específico. Informamos também que a Ensaio continua existindo nos dois formatos, o impresso e o online, e com a mesma periodicidade. A qualidade continua sendo importante para a Ensaio e as melhorias feitas visam contribuir para o objetivo maior do periódico: a ampliação do debate sobre a Educação em tempos difíceis.

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