O desafio do antiteatro no palco

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Ela. 
Carolina Pismel, Patrícia Elizardo e Elisabeth Monteiro atuam na peça.

Indicada aos prêmios Shell e Cesgranrio no primeiro semestre de 2017, ‘‘ELA’’ reestreia no Teatro Sesi trazendo a história de Clara e Isabel, que vivem um grande amor e fazem planos para as próximas etapas, incluindo a chegada de um filho. Em silêncio, uma doença rara se desenvolve, provocada pela degeneração progressiva de dois neurônios motores, um no cérebro e outro na medula espinhal. Após o diagnóstico da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Clara tem um futuro de sonhos interrompido.

À medida que a personagem perde a fala e os movimentos, a dramaturga Marcia Zanelatto e o diretor Paulo Verlings criam quase um antiteatro, ao retirar toda a expressão da personagem.

— O personagem é aquilo que diz e faz. No caso, ela perde essa capacidade. Isso me deu a oportunidade de fazer um entrelaçamento de dois tipos de linguagem. Eu me posicionei dentro da mente da personagem, onde tem memórias, e dentro disso, remorsos, além do que gostaria de ter vivido. Pude ficar no lugar poético da imaginação e no coloquial das lembranças — explica Marcia, que escreveu o texto a partir de pesquisas da comunidade médica e de relatos de parentes e amigos de pacientes com ELA, inclusive de sua própria família.

ONDE: Teatro Sesi Centro. Av. Graça Aranha 1, Centro (2563-4163).

QUANDO: Seg e ter, às 19h30m. Até 29 de agosto.

QUANTO: R$ 20.

CLASSIFICAÇÃO: 16 anos.

FONTE: O Globo
http://rioshow.oglobo.globo.com/teatro-e-danca/pecas/ela-18063.aspx

 

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Polêmicas educacionais partem de ‘gente que detesta a educação’, diz ex-ministro

EXCLUSIVO DIRETO DA FONTE
EX-MINISTRO RENATO JANINE RIBEIRO. (FOTO: DENISE ANDRADE / ESTADÃO)

Renato Janine Ribeiro, que comandou o MEC
por seis meses no governo Dilma, defende as cotas,
sustenta que a Escola sem Partido é que quer doutrinar
os alunos 
e alerta que hoje o estudo da língua portuguesa
minimiza o ‘certo’ e o ‘errado’

Os problemas da educação brasileira têm sido muito discutidos “por gente que detesta educação”, diz o ex-ministro e professor de Ética e Filosofia Política da USP Renato Janine Ribeiro. Chamado por Dilma Rousseff para o MEC em abril de 2015, lá ele passou seis meses agitados, até sair em setembro seguinte. Cotas, Base Curricular e Escola sem Partido foram alguns dos temas intensamente debatidos nesse período.

Uma das grandes polêmicas da Base Nacional comum Curricular, a que propunha enfatizar o ensino de história da África, minimizando a História do Brasil, foi um erro sim, admite, “mas foi mais um grande erro do que qualquer outra coisa”, disse ele à repórter Paula Reverbel. Sobre outro debate apimentado, o da Escola sem Partido, Janine provoca: “Os defensores (dessa tese) dizem que são contra a doutrinação, mas eles querem é moldar, doutrinar do jeito deles”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Escolas que farão Saeb têm até hoje para informar dados sobre matrícula inicial

As escolas que ainda não enviaram suas informações sobre matrícula inicial têm até hoje (31) para acessar o sistema Educacenso e realizar a declaração. Os dados os estabelecimentos de ensino, turmas, alunos e profissionais escolares em sala de aula, para o Censo Escolar, devem ser enviados até as 23h59 por todas as escolas participantes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017.

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Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo (FOTO: Shana Reis / Arquivo)

Segundo o Instituto Nacional e Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), contribuir para o Censo Escolar 2017 é uma das condições para participar dos instrumentos de avaliação do Saeb. A participação no Saeb é censitária para as escolas da rede pública e facultativa para as escolas de rede privada, que tiveram até 14 de julho para aderir.

Com os dados, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vai planejar a aplicação do Saeb, que será entre 23 de outubro e 3 de novembro. A média de desempenho dos estudantes nas provas e as taxas de aprovação vão compor o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017, que será divulgado no próximo ano.

A partir deste ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não será mais usado para a emissão do boletim por escola. Por isso, o Saeb servirá para que as escolas possam medir seu desempenho.

Fechamento no Educacenso

Após informarem os cadastros de escola e turma, realizarem os vínculos de alunos e profissionais escolares e conferirem as informações nos relatórios, todas as escolas devem fazer o fechamento no sistema Educacenso. A regra vale, inclusive, para as escolas paralisadas ou extintas em 2017. Escolas que preenchem seus dados em sistemas próprios para, posteriormente, migrar os dados para o Educacenso também devem fazer o fechamento do sistema, manualmente. A medida vale para escolas que importaram dados totalmente ou parcialmente.

O Inep ressalta, contudo, que todas as escolas, estejam elas abertas ou fechadas, terão seus dados preliminares publicados no Diário Oficial da União. Aquelas que não fizerem o fechamento até hoje (31) poderão realizar o procedimento no período de retificação.

Censo Escolar

O Censo Escolar é o principal instrumento de coleta de informações da educação básica. Coordenado pelo Inep, é realizado em regime de colaboração entre as secretarias estaduais e municipais de educação e com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país.

Ele abrange as diferentes etapas e modalidades da educação básica e profissional: ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional. A coleta de dados das escolas tem caráter declaratório e é dividida em duas etapas. A primeira consiste no preenchimento da matrícula inicial, com coleta de informações sobre os estabelecimentos de ensino, turmas, alunos e profissionais escolares em sala de aula. A segunda etapa ocorre com o preenchimento de informações sobre a situação do aluno e considera os dados sobre o movimento e rendimento escolar dos alunos, ao final do ano letivo.

As informações permitem uma melhor compreensão da situação educacional do país, servem de base para o repasse de recursos do governo federal e para o planejamento e divulgação das avaliações realizadas pelo Inep.

Mapa das Escolas

Mapa das Escolas do Censo Escolar 2017 está disponível no portal do Inep. A ferramenta apresenta o número de escolas em atividade constante no Censo Escolar deste ano, assim como aquelas que já realizaram o fechamento do censo.

FONTE: Agência Brasil
http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-07/escolas-que-farao-saeb-tem-ate-hoje-para-informar-dados-sobre-matricula

 

Estados receberão R$ 888 mi para educação básica na próxima segunda (31)

Valor corresponde à parcela da complementação da União ao Fundeb e estará disponível nas contas-correntes de estados e municípios.

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Somente este ano, o FNDE já repassou R$ 6,3 bilhões da complementação da União ao Fundeb (FOTO: Arquivo/MEC)

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) repassou, neste mês de julho, R$ 888,85 milhões a estados e municípios beneficiários do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

O valor corresponde à parcela da complementação da União ao fundo e estará disponível na segunda-feira (31) nas contas-correntes dos entes federativos. Desse total, R$ 88,88 milhões referem-se à complementação para o pagamento do piso do magistério.

Conforme a lei que instituiu o Fundeb, a União repassa a complementação aos estados e respectivos municípios que não alcançam com a própria arrecadação o valor mínimo nacional por aluno estabelecido a cada ano.

Em 2017, esse valor é de R$ 2.875,03 e os estados que recebem a complementação são: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

Somente neste ano, o FNDE já repassou R$ 6,3 bilhões da complementação da União. Para conferir os valores do Fundeb de cada estado e município do Brasil, basta pesquisar no portal da Secretaria do Tesouro Nacional.

Financiamento da educação

Principal financiador da educação básica pública, o Fundeb é formado por percentuais de diversos impostos e transferências constitucionais, a exemplo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

Pelo menos 60% dos recursos do Fundeb devem ser usados na remuneração de profissionais do magistério em efetivo exercício, como professores, diretores e orientadores educacionais. O restante serve para despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino como a aquisição de equipamentos e a construção de escolas.

FONTE: Portal Brasil
http://www.brasil.gov.br/educacao/2017/07/estados-receberao-r-888-mi-para-educacao-basica-na-proxima-segunda-31

Audiência pública em Olinda debate educação infantil e ensino da língua portuguesa

A segunda das cinco audiências para discutir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ocorreu nesta sexta-feira, 28, em Olinda (PE). O encontro é promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e reuniu profissionais de educação e da sociedade civil, que puderam apresentar sugestões e ponderações sobre o documento.

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FOTO: PORTAL MEC

“Este debate agora é fundamental, e a audiência pública representando o Nordeste nos traz todas as impressões críticas e contribuições para aprimorarmos o documento. Ainda temos mais três audiências e um debate interno no CNE, mas a expectativa é aprovar o texto até novembro deste ano”, disse o secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares, presente ao evento. Entre os pontos levantados durante o debate em Pernambuco, estiveram a educação infantil e o ensino da língua portuguesa. Rossieli destacou que, de modo geral, o documento tem tido aprovação da maioria dos especialistas da área.

O conselheiro do CNE e presidente da comissão bicameral que analisa o texto, César Callegari, falou da importância da sociedade em auxiliar o conselho na organização da Base, que vai orientar os currículos da educação básica brasileira e definir os direitos de aprendizagem. “Este é um documento da maior importância, com repercussões para os próximos vinte anos. O MEC preparou um documento que foi entregue ao Conselho Nacional de Educação e é importante que a Base Nacional saia enriquecida com estas contribuições”, acrescentou.

O documento da Base Nacional Comum Curricular que está em avaliação agora no CNE será norteador da elaboração dos currículos das escolas públicas e privadas de educação infantil e ensino fundamental de todo o país. Após as audiências, o CNE vai preparar um parecer sobre a BNCC e um projeto de resolução. Ambos serão encaminhados ao MEC.

Uma vez que o texto final seja homologado, terá início o processo de formação e capacitação dos professores e o apoio aos sistemas de educação estaduais e municipais para a construção e adequação dos currículos escolares. De acordo com Rossieli Soares, a expectativa é que a parte voltada ao ensino médio seja definida ainda este ano, para que estados e municípios possam construir os currículos em 2018 e o documento chegue às escolas, na prática, em 2019.

A primeira audiência pública foi realizada em Manaus, no início de julho. Os próximos encontros ocorrerão em Florianópolis (11 de agosto), São Paulo (25 de agosto) e Brasília (11 de setembro).

FONTE: Ministério da Educação
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=52471:audiencia-publica-sobre-a-base-debate-educacao-infantil-e-ensino-da-lingua-portuguesa&catid=211

Ministério da Cultura integra projeto de geração de emprego e renda no Rio de Janeiro

Os eixos que compõem o plano de recuperação do estado Rio de Janeiro foram apresentados na manhã desta sexta-feira (28), pelo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão ao prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, em reunião realizada na Prefeitura da cidade. O plano é uma ação interministerial criada para assegurar auxílio ao estado por meio de três eixos: gestão financeira, segurança pública e geração de emprego e renda. A iniciativa envolverá os ministérios da Cultura, do Desenvolvimentos Social, do Ministério do Turismo e do Ministério dos Esportes. O ministro da Cultura assumiu a responsabilidade de levar à prefeitura algumas ideias que poderão fazer parte desse auxílio federal ao Rio de Janeiro.

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Ministro Sérgio Sá Leitão foi recebido pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, nesta sexta-feira, no Rio (Foto: Acácio Pinheiro/Ascom MinC)

De acordo com o ministro, o MinC estará diretamente empenhando em contribuir com a geração de emprego e renda por meio do fomento às atividades culturais. “A crise financeira do estado do Rio reflete fortemente na capital carioca. Por esta razão, o presidente Michel Temer, logo que assumi o Ministério, pedi que déssemos atenção especial às ações que possam contribuir para a retomada do crescimento do estado e da cidade do Rio de Janeiro. O eixo de emprego e renda é justamente o que nos permitirá construir o futuro. Nesse sentido, a economia da cultura, além de reforçar identidades ,é fundamental para o êxito dos esforços empreendidos no processo de recuperação do Rio”.

A contribuição do Ministério da Cultura ao Calendário Rio de Janeiro a janeiro – projeto elaborado pelo Conselho de Turismo do Rio com o objetivo de ampliar o potencial turistíco – também foi discutida pelo ministro. “A valorização da economia criativa é uma bandeira antiga minha. As atividades ligadas ao setor provocam um impacto imenso. Atualmente a cultura já representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e responde por 2,7% dos empregos do estado do Rio de Janeiro. Não resta dúvida de que o MinC poderá fortalecer ainda mais os eventos do calendário”, afirmou.

A proposta do calendário será apresentada,nesta segunda-feira (31) pelos integrantes do Conselho de Turismo, Ricardo Amaral e Marcelo Alves, durante uma reunião que será realizada com o ministros, Sérgio Sá Leitão e Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência da República. “O planejamento do eventos do Calendário Rio de Janeiro a Janeiro nos permitirá identificar de que forma o governo federal, seja com leis de incentivo ou recursos do Tesouro, pode ajudar na execução desse projeto”, declarou.

Carnaval

A ajuda do governo federal para a realização do carnaval em 2018 também outro tema debatido no encontro. Para Sérgio Sá, o levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas neste ano aponta que, no período do carnaval, o Rio de Janeiro recebe um milhão de turistas, que movimentam R$ 3 bilhões na economia da cidade. “Para ter esses R$ 3 bilhões acrescidos à dinâmica econmica da cidade, é necessário que haja a complementação os R$ 26 milhões que faltam para a cobertura dos custos do carnaval, com valor total estimado em R$ 150 milhões”.

Na avaliação do ministro, o Carnaval deve ser celebrado não apenas pela dimensão da festa, que por si só já é muito importante, mas também pelo significativo aumento no número de empregos e na renda gerados.”Estamos sintonizados com os esforços que estão sendo feitos para assegurar a complementação desses recursos”, completou.

O presidente da RioTur, Marcelo Alves, chamou atenção para o fato de o carnaval carioca não estar restrito apenas aos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. “O carnaval de rua, dos já tradicionais blocos,leva 6 milhões de pessoas a diversos bairros da cidade do Rio. Alguns blocos reúnem de 500 a 800 mil pessoas em um único evento. Estamos tratando o carnaval como um grande pacote”.

Museus e ações do Iphan

Ao lado da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, o ministro discutiu a concretização de uma parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro para viabilizar a criação do Museu da Escravidão e da Liberdade, em memória dos milhares de negros escravizados que chegaram ao Brasil no período da escravidão pelo Cais do Valongo. O museu, que deverá ser desenvolvido no atual prédio onde funciona a ONG Ação Cidadania, na Zona Portuária do Rio, ainda depende da desocupação do local. “A reunião que aconteceu no início deste mês, na Cracóvia (Polônia) e declarou o Cais do Valongo como Patrimônio Mundial, foi uma das mais emocionantes. Nenhum país havia apresentado uma candidatura com o tema da escravidão. Essa conquista representou um grande feito para o Brasil, o que só aumenta nossa responsabilidade”, ponderou Kátia.

Sérgio Sá afirmou que o compromisso do Ministério da Cultura é viabilizar o museu. “Gostaria que o MInC e a prefeitura trabalhassem juntas para garantir uma solução consensual sobre a desapropriação do prédio, bem como a realocação da ONG. A Prefeitura e o governo federal assumiram a missão de preservar a memória do Valongo, cabe a nós buscarmos uma solução”, defendeu.

Dentre as pautas discutidas  pelo ministro, que envolviam o Iphan, estava ainda a realocação do Museu Nacional do Folclore. Em um acordo feito com a gestão anterior da Prefeitura do Rio, o Iphan investiu recursos para transferir o museu da edícula do Museu da República, onde ele está alocado atualmente, para o prédio o Clube do Automóvel, localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro. O Museu Nacional do Folclore tem hoje a maior coleção de arte popular da América Latina.

“Esse é um acervo maravilhoso, que encontra-se, em sua maior parte, indisponível porque o espaço em que ele está é insuficiente. O projeto executivo feito pelo Iphan está pronto, mas precisa de ajustes pontuais”. Pela proposta feita pelo ministro, a Prefeitura entraria com o imóvel, o Iphan com os recursos e o MinC com a gestão do espaço.

Kátia Bogéa elencou ainda as ações desenvolvidas pelo Iphan no Rio de Janeiro, por meio do PAC Cidades Históricas, como a reforma do Palácio Gustavo Capanema, as obras que estão sendo realizadas na Fundação Biblioteca Nacional – entidade vinculada ao MinC -, no Museu Nacional de Belas Artes, no Museu Histórico Nacional, no Museu da República. “Há um investimento grande do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro”, completou Sérgio Sá.

Projetos de Audiovisual

O ministro sugeriu ao prefeito a adesão da Prefeitura ao programa Arranjos Regionais, da Agência Nacional de Cinema (Ancine), executado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. “Nesse programa há um co-investimento da agência em parceria com um ente local para o financiamento de projetos audiovisuais. O programa prevê o aporte de recursos em desenvolvimento ou produção de games, produtos voltados para web, filme, série de tevê, entre outros formatos. Somente para esse programa a Ancine dispõe de R$ 31 milhões disponíveis para investimentos”.

O programa exige da Prefeitura uma contrapartida nos valores investido. Para cada real investido por parte da Ancine, seria aplicado a mesma quantia por parte da administração municipal.

Agenda oficial

A agenda no Rio de Janeiro é a primeira viagem oficial do ministro, que assumiu o cargo no último dia 25. Além da reunião com o prefeito Marcelo Crivella, o ministro visitou ainda a sede da Revista Veja no Rio de Janeiro.

 

FONTE: Ministério da Cultura
http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/ministerio-da-cultura-integra-projeto-de-geracao-de-emprego-e-renda-no-rio-de-janeiro/10883

 

Especialistas criticam método de ensino que divide alunos por gênero

Tendência de escolas ‘single sex’ se espalha pelo mundo

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Classes ‘single sex’ nos EUA são alvo de ações judiciais, como no Middleton Heights Elementary – Jessie L. Bonner / Agência O Globo

Há mais de 40 anos, o Colégio Santa Marcelina, no Alto da Boa Vista, no Rio, decidiu aceitar meninos nas salas de aula antes ocupadas só por meninas. Um pouco depois, há quase 30 anos, o Colégio Militar do Rio aprovou o ingresso feminino em suas classes. Esse movimento em direção a turmas mistas, no entanto, não é uma unanimidade, conforme mostrou O GLOBO na edição de quinta-feira com a história da escola Porto Real, na Barra, que divide os alunos de acordo com o gênero. Especialistas afirmam que a separação dos estudantes é um atraso e implica em uma formação deficiente dos alunos, que não aprendem a conviver com as diferenças.

Com cada vez mais adeptos ao redor do mundo, o modelo que aposta em uma educação personalizada para cada gênero ganhou força nos Estados Unidos a partir de 2002, quando uma lei permitiu que agências educacionais locais usassem fundos públicos — destinados a “programas inovadores”— para apoiar escolas que separavam estudantes por gênero. De acordo com dados da Associação Nacional para Educação Pública Single Sex (Nasspe, na sigla em inglês), criada no mesmo ano da nova legislação, em 2002 apenas uma dúzia de escolas públicas oferecia o serviço. Mas menos de uma década depois, em 2011, pelo menos 506 instituições públicas dos EUA tinham atividades do tipo. E mesmo com a nova norma, essas instituições são alvo constante de ações que questionam o modelo single sex, argumentando que a prática é segregacionista.

Convivência e conflito

Se, por um lado, os adeptos do método argumentam, principalmente, que ele impulsiona o desempenho dos estudantes, os especialistas defendem que os resultados não são o principal indicador de uma educação bem sucedida.

— O desempenho é apenas uma das dimensões que interessam à sociedade. Mas o que interessa, de fato, é que tenhamos cidadãos que consigam conviver. A convivência envolve conflito, aliança, negociação, dor, alegria. Essa forma de educação vai contra as necessidades de uma sociedade que precisa avançar no tratamento da diversidade — critica Denise Carreira, doutora em Educação pela USP. — Observo que há uma modernização do discurso da segregação. O discurso novo diz “vamos separar, porque assim vamos desenvolver as meninas para as ciências exatas e os meninos para outras áreas”. É uma modernização ancorada na neurociência que acaba alimentando a segregação. O argumento pautado em questões biológicas já foi usado por vários regimes segregacionistas ao longo da História.

A pesquisadora afirma ainda que o surgimento de mais escolas que separam os alunos por gênero está relacionado ao contexto global atual:

— Isso tem a ver com o crescimento do conservadorismo não só no Brasil, mas no mundo. Ao mesmo tempo que muitos setores exigem convivência na diversidade, outros mantêm a intolerância. É um retrocesso.

Fernando Seffner, coordenador da linha de pesquisa sobre Educação, Sexualidade e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também se posiciona contra a educação single sex.

— Muitos estudos, além de filmes e a própria literatura, mostram que o nível de violência entre os alunos em escolas só de meninos ou só de meninas é maior que na escola mista. Um menino que, por exemplo, não goste de jogar futebol, terá uma chance muito maior de sofrer violência nesse ambiente.

Só na Espanha — país de origem do criador da Educação Personalizada, Victor García Hoz —, segundo a Associação Europeia de Educação Single Sex (Easse, na sigla em inglês), há ao menos 219 centros de estudo que oferecem educação diferenciada em algumas de suas etapas, todos privados, mas alguns com subsídio público. Na América Latina, o modelo criado por Hoz começou a ganhar popularidade a partir dos anos 2000. Secretário geral da Associação Latino-americana de Centros de Educação Diferenciada (Alced), Ricardo Carranco afirma que a tendência é que esse tipo de escola se espalhe pelo continente.

— A América Latina está, cada vez mais, crescendo nessa área e apostando no tema da educação diferenciada por sexos. Entre outras nações, Argentina, Peru, México, Honduras, Costa Rica, Equador têm colégios de reconhecido prestígio acadêmico e social, emoldurados pelos princípios pedagógicos da educação diferenciada por sexos — afirma Carranco. — Sem dúvida, o Brasil é uma terra fértil para projetos educativos como esses. A riqueza cultural e social do país facilita o florescimento desse tipo de projeto.

Em 1995, a Escola Catamarã, em São Paulo, foi fundada sob o projeto pedagógico de Hoz. Atualmente, além dela, o Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba, que foi criado em 2010, virou símbolo da educação diferenciada por sexo no país. A escola oferece a educação single sex a partir do 2º ano do ensino fundamental até o ensino médio. Os alunos são divididos em duas unidades, uma para meninos e outra para meninas.

— É um único projeto educativo porque o conteúdo programático é o mesmo. O que muda é apenas a forma e o entorno de aprendizagem, um entorno que leva em consideração as naturais diferenças dos meninos e das meninas, como nível de maturidade ou facilidades de cada grupo para umas disciplinas específicas. É sabido e comprovado, por exemplo, que as meninas obtêm melhores resultados em português e literatura e os meninos em matemática e ciências — argumenta Leandro Pogere, diretor geral do colégio.

Já a diretora pedagógica do Colégio Santa Marcelina, que em 1975 decidiu abandonar as aulas restritas a apenas um dos sexos, Irmã Carmen é taxativa:

— No nosso pensamento pedagógico, consideramos que a presença de meninos e meninas estudando juntos é fundamental. Para aprender matemática, história e português, com certeza não faz diferença. Mas para aprender a viver bem, acho fundamental.

FONTE: O Globo / POR PAULA FERREIRA
https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/especialistas-criticam-metodo-de-ensino-que-divide-alunos-por-genero-21639984