Questão de tempo

Fonte: O Globo

(Artigo de Arnaldo Niskier)

Quando se debate o que deve ser lecionado aos nossos alunos, a partir de uma nova concepção de currículo, a variedade é imensa. Estamos nos aproximando de 2018, quando as 200 mil escolas brasileiras estarão diante do desafio de implantação das novas bases curriculares. Nada menos que 45 milhões de estudantes serão orientados por dois milhões de professores, espera-se, com novos e revolucionários conceitos.

Na discussão em torno do assunto, a imaginação é o limite. Enquanto nos preocupamos com a iniciação ao ensino de Matemática, outros educadores se debruçam sobre a adoção de jogos na ciência do raciocínio, o que não deixa de ser razoável. Dando um salto para chegar ao ensino médio, há os que defendem a ampliação dos horários de Sociologia e Filosofia, como matérias fundamentais.

Em nosso caso, preocupa-nos, no atual esquema de horários limitados, onde vai caber isso tudo. A cada momento somos impactados pelos exemplos de Finlândia, Austrália, Japão, Coreia do Sul e Xangai. Estamos encantados pela qualidade do ensino nesses países ou regiões, que são do nosso conhecimento pessoal. Só não nos lembramos da chamada carga. Quando se debate o que deve ser lecionado aos nossos alunos, a partir de uma nova concepção de currículo, a variedade é imensa. Estamos nos aproximando do ano de 2018, quando as 200 mil escolas brasileiras estarão diante do desafio de implantação das novas bases curriculares. Nada menos de 45 milhões de estudantes serão orientados por cerca de dois milhões de professores, espera-se, com novos e revolucionários conceitos.

Enquanto por aqui contentamo-nos com cerca de três ou quatro horas diárias (sem contar a febre de greves e invasões contumazes), nos exemplos citados os estudos abrangem o período das 8h às 15h, como uma tradição ininterrupta.

Competir nos exames internacionais, como o Pisa, assim, se torna impraticável. Não é de se estranhar que o Brasil figure no 53º lugar nas provas de língua e literatura ou matemática. A parada é rigorosamente desigual. Parece que esperamos milagres dos nossos jovens.

Na presente discussão em torno das bases curriculares nacionais, há questões prosaicas. Alguns professores defenderam a tese de que devemos abandonar os estudos das nossas matrizes eurocêntricas, o que atingiria a língua portuguesa, a sua literatura, e também a história do Brasil. Como abrir mão de tanta riqueza cultural? Chegamos ao absurdo de ler propostas de cortar episódios como a Inconfidência Mineira e a Revolução Farroupilha, sob o pretexto de que não contêm elementos indígenas ou afrodescendentes em número expressivo. Queriam reescrever a nossa história, como se isso fosse possível.

Uma parte do problema foi contornada. Nada disso prosperou. E já existem caminhos da modernidade defendidos, como a utilização da robótica nas aulas do futuro imediato. Agora, o que devemos defender é a ampliação inevitável da carga horária. É preciso caminhar na direção do tempo integral nas escolas, condição para que se tenha objetivamente a possibilidade de oferecer aos educandos a massa de informações que eles dispõem nas nações mais desenvolvidas do planeta, e das quais estamos divorciados, infelizmente a alguns anos-luz. Não adianta questionar somente o conteúdo da Base Nacional Curricular, mas é preciso que se tenha uma carga horária generosa à disposição de alunos e professores.

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Autor: Revista Ensaio

A Revista "Ensaio", de nível internacional, constitui fonte de estudo e de pesquisa para todos os que se interessam pela área de avaliação e políticas públicas em educação. Publicação trimestral internacional, da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, com tiragem de 1.500 exemplares, de distribuição gratuita, Ensaio congrega, em seus Conselhos Editorial e Consultivo, educadores internacionais de notório saber, mestres e doutores nas áreas por ela abordadas, para melhor atender à sua especificidade. Avaliada no qualis CAPES como sendo A1 na área de Educação, a Ensaio é uma revista que discute a realidade da educação brasileira, além disso, prima pela amplicação do debate pois abre espaço para que pesquisadores estrangeiros publiquem estudos sobre a realidade educacional de seus países. Trata-se de um veículo de divulgação de pesquisas, levantamentos, estudos, discussões e outros trabalhos críticos no campo da educação, concentrando-se nas questões da avaliação educacional e das políticas públicas em Educação, enfatizando as experiências e perspectivas brasileiras. Ensaio é pluralista do ponto de vista das ideias e das escolas de pensamento, interdisciplinar do ponto de vista das preocupações e metodologias empregadas por seus colaboradores. A revista promove intercâmbio com países da América Latina, México, Espanha, Portugal e a Comunidade de Língua Portuguesa, mantendo também a publicação de artigos em Espanhol e em Inglês. Ensaio tem sido contemplada com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da CAPES/MEC, cumprindo os requisitos necessários para o recebimento de auxílio editoração. Recebeu conceito internacional "A1" na avaliação dos Periódicos Científicos em Educação realizada, em 2013, pelo Quallis/CNPq e é indexada no SciELO - Scientific Eletronic Library Online e na CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades (México, UNAM), BBE, DOAJ, Educ@, OEI, EDUBASE, LATINDEX, REDALYC, SIBE, SCOPUS. Buscando se modernizar e atender aos novos padrões das revistas acadêmicas de excelência, a partir de 2015 a revista Ensaio adotou o sistema de submissão de artigos totalmente online. Para acessar o sistema, os autores deverão se cadastrar no site da revista e escolher um login e senha. Com estes dados em mãos, poderão não só submeter os seus artigos, mas também acompanhar todo o processo de avaliação: http://revistas.cesgranrio.org.br/ A Ensaio também adotou o ahead of print. Esta modalidade agiliza a divulgação das pesquisas, aumentando o tempo de exposição dos artigos, beneficiando diretamente nossos leitores e autores. Os artigos publicados em AOP contam com DOI e ficam disponíveis tanto no nosso site, quanto no site do Scielo até serem destinados a um número específico. Informamos também que a Ensaio continua existindo nos dois formatos, o impresso e o online, e com a mesma periodicidade. A qualidade continua sendo importante para a Ensaio e as melhorias feitas visam contribuir para o objetivo maior do periódico: a ampliação do debate sobre a Educação em tempos difíceis.

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