CULTURA É MÃE DA EDUCAÇÃO

Arnaldo-Niskier1

Por Arnaldo Niskier
Doutor em Educação

Quando se discute o que vem primeiro, se cultura ou educação, logo é preciso esclarecer que vivemos um processo cultural, de que a educação faz parte.  Portanto, a tão decantada diversidade cultural do Brasil levou grandes escritores, como Gilberto Freyre, a proclamar a existência de vários brasis em regiões diferentes.  Não procede a tentativa de implantar um currículo único, na educação brasileira, pois seria perigosa centralização.  Mesmo que se deixasse o percentual de 30% para ser determinado pelos conselhos estaduais de educação (e até os municipais) ainda assim seria uma solução muito pouco democrática.

Não se pode ter saudade do livro único, característica da ditadura Vargas.  Não havia liberdade para os nossos autores, cabendo o indesejável controle ao então Ministério da Educação e Saúde.  Desagradar aos poderosos poderia até dar cadeia.

Hoje em dia, vive-se, nesse  processo, uma espécie de método de redução ao absurdo.  Em virtude da crise econômica, há um nítido movimento, na cultura brasileira, de desnacionalização das nossas editoras, o que coloca o seu comando em mãos predominantemente estrangeiras.  Somos tão ciosos na defesa  dos interesses nacionais, como se vê por exemplo na questão do petróleo, mas no que se  refere a esse problema há um silêncio suspeito.

São esses comandantes que irão proclamar a forma de ministrar ensinamentos aos nossos alunos?  Partindo do princípio de que o livro é um instrumento insubstituível de cultura, especialmente os didáticos, como aceitar passivamente esse modo de alienação?  Seria lamentável que os nossos intelectuais fossem buscar no exterior as  luzes necessárias para elaborar os manuais de língua portuguesa, história e até mesmo matemática, essenciais  à educação da juventude brasileira.

Pode-se afirmar que cultura é a alma do povo.  Os que fazem cultura, como os gregos, estão vivos no tempo e no espaço.  Neste tempo de  predomínio dos videogames, a cultura pode parecer enganosamente supérflua ou até  desnecessária, no planeta cronicamente consumido pela violência e pela fome.  Pode-se afirmar que a cultura é o melhor caminho para combater a violência.  Só ela é capaz de conciliar os espíritos através de um trabalho de aplainamento das divergências sociais, políticas, étnicas e religiosas.  É possível até afirmar que por sua índole essencialmente tolerante – por ajudar o ser humano a conhecer melhor o outro e a respeitá-lo – a  cultura é o melhor instrumento que temos  à mão para o desarmamento de corpos e espíritos, para se viver em ambiente saudável de paz.

A cultura, primeiro estágio da educação, ensina brincando.  Na frase sutil de Selma Lagerlof, sueca que venceu o  Prêmio Nobel de Literatura, “a cultura é o que subsiste quando esquecemos de tudo o que tínhamos aprendido.”  Ou pode-se referir ao poeta T.S. Eliot:  “A cultura pode ser descrita simplesmente como aquilo que faz valer a pena viver.”  Seu objetivo é mais a bondade do que a  beleza, e aí estaremos dando razão ao romancista Somerset Maugham.

Para compreender adequadamente os laços que ligam cultura e educação podemos tomar emprestadas as palavras do pedagogo britânico  Denys Thompson:

“Se quisermos ter uma cultura  popular genuína com suas raízes na sociedade, os meios de comunicação de massa devem continuar a partir de onde a educação, na melhor das hipóteses, termina.  Nenhum grande melhoramento pode ser esperado até que uma educação mais intensa e de melhor qualidade atinja o seu impacto e os meios de comunicação fiquem ao alcance de um público arguto.”

É justamente aí que entra a cultura, como arma de sobrevivência.

Anúncios

Autor: Revista Ensaio

A Revista "Ensaio", de nível internacional, constitui fonte de estudo e de pesquisa para todos os que se interessam pela área de avaliação e políticas públicas em educação. Publicação trimestral internacional, da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, com tiragem de 1.500 exemplares, de distribuição gratuita, Ensaio congrega, em seus Conselhos Editorial e Consultivo, educadores internacionais de notório saber, mestres e doutores nas áreas por ela abordadas, para melhor atender à sua especificidade. Avaliada no qualis CAPES como sendo A1 na área de Educação, a Ensaio é uma revista que discute a realidade da educação brasileira, além disso, prima pela amplicação do debate pois abre espaço para que pesquisadores estrangeiros publiquem estudos sobre a realidade educacional de seus países. Trata-se de um veículo de divulgação de pesquisas, levantamentos, estudos, discussões e outros trabalhos críticos no campo da educação, concentrando-se nas questões da avaliação educacional e das políticas públicas em Educação, enfatizando as experiências e perspectivas brasileiras. Ensaio é pluralista do ponto de vista das ideias e das escolas de pensamento, interdisciplinar do ponto de vista das preocupações e metodologias empregadas por seus colaboradores. A revista promove intercâmbio com países da América Latina, México, Espanha, Portugal e a Comunidade de Língua Portuguesa, mantendo também a publicação de artigos em Espanhol e em Inglês. Ensaio tem sido contemplada com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da CAPES/MEC, cumprindo os requisitos necessários para o recebimento de auxílio editoração. Recebeu conceito internacional "A1" na avaliação dos Periódicos Científicos em Educação realizada, em 2013, pelo Quallis/CNPq e é indexada no SciELO - Scientific Eletronic Library Online e na CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades (México, UNAM), BBE, DOAJ, Educ@, OEI, EDUBASE, LATINDEX, REDALYC, SIBE, SCOPUS. Buscando se modernizar e atender aos novos padrões das revistas acadêmicas de excelência, a partir de 2015 a revista Ensaio adotou o sistema de submissão de artigos totalmente online. Para acessar o sistema, os autores deverão se cadastrar no site da revista e escolher um login e senha. Com estes dados em mãos, poderão não só submeter os seus artigos, mas também acompanhar todo o processo de avaliação: http://revistas.cesgranrio.org.br/ A Ensaio também adotou o ahead of print. Esta modalidade agiliza a divulgação das pesquisas, aumentando o tempo de exposição dos artigos, beneficiando diretamente nossos leitores e autores. Os artigos publicados em AOP contam com DOI e ficam disponíveis tanto no nosso site, quanto no site do Scielo até serem destinados a um número específico. Informamos também que a Ensaio continua existindo nos dois formatos, o impresso e o online, e com a mesma periodicidade. A qualidade continua sendo importante para a Ensaio e as melhorias feitas visam contribuir para o objetivo maior do periódico: a ampliação do debate sobre a Educação em tempos difíceis.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s